Os arcosManuel Costa
Barreiro
Agora que esta nação foi penhorada,
Qualquer coisa como o “arco do poder”,
É pranto, é pó, é cinza, é nada.

Por Jornal Rostos
Arco de Baúlhe, a freguesia,
Uma das mais antigas do país,
Foi extinta sem dó nem alegria,
Para festa de uns tantos imbecis.
Arco de Sant’Ana, de Garrett,
Junta perverso bispo a Pêro Cão.
É o Norte, é o Porto, é o “Zé”
Povinho contra a humilhação.
Arco da Rua Augusta, principal
Artéria de Lisboa, está presente
Num Terreiro, rico, monumental,
Graças a um Marquês inteligente.
Do Arco-da-Velha ao Arco-Íris,
Foi um pulo, um átimo, um instante
Que Deus pôs sempre como quis,
Num momento fugaz e tolerante.
Arco do Cego, mero bairro lisboeta,
Com Casa da Moeda sem aval
Onde o escudo é hoje nota preta
Da cor do panorama ocidental.
E para terminar, passo a escrever:
Agora que esta nação foi penhorada,
Qualquer coisa como o “arco do poder”,
É pranto, é pó, é cinza, é nada.
Manuel Costa














