O meu paísPor Jorgete teixeira
Barreiro
A minha gente moeu as tristezas,
mastigou o medo e granjeou revoltas!
É rubro, o meu país ao sul!

Por Jornal Rostos
O meu país
O meu país é de areia e bruma,
de cravos maduros,
de pinheiros com raízes no mar.
O meu país é alcatruz de poetas,
inventores de passarolas, astrolábios e sonhos.
O meu país é terra de feitiços
de loucos toureiros de oceanos!
O meu país engravidou continentes e ungiu o arrojo!
No meu país se fez a urgência de partir com a coragem de voltar!
A minha gente é feita de giestas bravas e bagas a saber a sal.
A minha gente moeu as tristezas,
mastigou o medo e granjeou revoltas!
É rubro, o meu país ao sul!
Hoje no meu país há hienas à espreita e silêncios mordidos.
Há doutores sem canudo e homens de muitas línguas e de vários rostos.
O meu país é onde mora a podridão!
No meu país há fome, há números, não há gente.
No meu país adormece-se sem pão.
Ó meu país de vento, minha Vénus ardente, meu padrão de Abril!
Minha nave louca, coração de mágoa, úbere de esperança!
Traja-te de raiva, desce à cidade, faz-te multidão!
Não me morras sem luta, não me morras sem alma!
Não me morras no chão!
Jorgete teixeira














