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Quotidianos

Ode ao amorPor Alvaro Giesta

Hoje a manhã são os meus dedos
a escrever,
abrem um maio mês de rosas
virgens

2 min de leitura
Ode ao amor Por Alvaro Giesta

Por Jornal Rostos

Ode ao amor

Semente em mim
oculta
Pétala desabrochada
fruto
à superfície do corpo

No teu gesto
a força do vento e da tempestade
No rigor do tempo o arbusto do olhar,

e mistérios
emanados
sobre o sonho do rio...
a vida

Apenas nós
no esquecimento
Na ignorância do tempo
o cansaço dos gestos
a descrença
nas palavras

Folhear vago
instante dos dias sensíveis
e crus

Esperança lucidamente
vazia
no sugerir da vida

Sonhos transbordados
para lá das margens
longínquas
no silêncio marítimo
Martírio
nocturno

Caminhamos
invisíveis,

misturam-se as vestes com o nu
e o belo
As vestes,
a retirar-lhe a beleza que o nu tem

Rasgam-se máscaras,
sorrisos silenciosos
pensativos
crescem na urgência do amor

Regressamos ao princípio...
caos
perdido há tanto
no tempo

No silêncio
ventre frio
amordaçado
exílio tempestuoso,

dentro de nós
Tão próximos de nós
e de nós
tão afastados

Foge-me o tempo...

Hoje a manhã são os meus dedos
a escrever,
abrem um maio mês de rosas
virgens

© Alvaro Giesta, para o livro "o ventre das palavras" (a publicar)
(não escrevo segundo as normas do novo acordo ortográfico)

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