Ode ao amorPor Alvaro Giesta
a escrever,
abrem um maio mês de rosas
virgens

Por Jornal Rostos
Ode ao amor
Semente em mim
oculta
Pétala desabrochada
fruto
à superfície do corpo
No teu gesto
a força do vento e da tempestade
No rigor do tempo o arbusto do olhar,
e mistérios
emanados
sobre o sonho do rio...
a vida
Apenas nós
no esquecimento
Na ignorância do tempo
o cansaço dos gestos
a descrença
nas palavras
Folhear vago
instante dos dias sensíveis
e crus
Esperança lucidamente
vazia
no sugerir da vida
Sonhos transbordados
para lá das margens
longínquas
no silêncio marítimo
Martírio
nocturno
Caminhamos
invisíveis,
misturam-se as vestes com o nu
e o belo
As vestes,
a retirar-lhe a beleza que o nu tem
Rasgam-se máscaras,
sorrisos silenciosos
pensativos
crescem na urgência do amor
Regressamos ao princípio...
caos
perdido há tanto
no tempo
No silêncio
ventre frio
amordaçado
exílio tempestuoso,
dentro de nós
Tão próximos de nós
e de nós
tão afastados
Foge-me o tempo...
Hoje a manhã são os meus dedos
a escrever,
abrem um maio mês de rosas
virgens
© Alvaro Giesta, para o livro "o ventre das palavras" (a publicar)
(não escrevo segundo as normas do novo acordo ortográfico)














