…eis a questãoPor Álvaro Giesta
Para o director do jornal (caro Sousa Pereira” que, embora me conhecendo pelo verdadeiro nome não me conhece pelo pseudónimo que uso na poesia, o meu abraço.
Por Jornal Rostos
…eis a questão
Os humanos que passam e me vêem a escrever
em furibunda meditação nesta mesa de café
deste café desabitado às horas do meio-dia
olham-me com sarcasmo e olhos inumanos até
repletos de inveja mas com uma certa melancolia.
E naqueles seus olhares tão agrestes e tão vazios
como se eu fosse a sombra de qualquer extra-terrestre
ou alma desterrada e desavinda
oriunda dum planeta distante e que gravita
em agonia eternamente numa galáxia irreal
riem-se de mim pelo canto do olho com certa ironia.
Coitados!... Mas não é por mal.
Eles é que são os tais seres desamparados!
Mas incomodam-me esses olhares dos curiosos
e sedentos por saber quem é o louco que aqui vai.
Apetece-me gritar e dizer a vós falsos humanos
que passais aqui sem ver da vida
aquilo que ainda de útil a vida tem:
“Parai.”
Não sou extra-terrestre muito menos um ovni
nem sequer um político de esquerda ou de direita
daqueles que – dizem – até crianças comem.
Nem sou qualquer coisa esquisita e sem medida
entre o louco ou o boémio desamparado.
Não sou vadio como um cão.
Sou este Homem que aos vossos olhos ainda vive
e se alimenta desta forma tão diferente de dizer
e contestar a solidão.
Entre o Ser e o Não-Ser eis a questão!
Alvaro Giesta (pseudónimo)














