A Insustentável Leveza da PontePor José Geraldes Ramos
Seixal
Mas eu não estou aqui para discutir o óbvio! O óbvio constata-se, não se discute!

Por Jornal Rostos
A Insustentável Leveza da Ponte
Refiro-me à famosa Ponte da Fraternidade que separa a cidade do Seixal da Cidade de Amora.
O que está a acontecer começa a ser um tema recorrente e que se pode vir a tornar muito quente.
Em vésperas das Eleições Autárquicas, do passado mês de Setembro de 2013, a Câmara Municipal do Seixal decidiu efectuar uma curiosa “cirurgia” na Ponte: inventou duas mini-faixas para ciclistas ao longo da mesma, mini-faixas essas que, curiosamente, nascem e morrem, exactamente, no início e no fim da Ponte. Só visto! Entretanto, passaram seis meses sobre esta “cirurgia” rodoviária, Cirurgia esta efectuada com a “anestesia” da promessa do futuro Passadiço ou Acesso Pedonal e Ciclovia.
O que é que nós vemos hoje? Em horas de ponta, concretamente, períodos da manhã e tarde, filas imensas de carros, por um lado, e esporádicos ciclistas, por outro. É olhar para a Avenida Afonso Costa, em que, por vezes, digo vezes demais, a fila chega à Marcos de Portugal, quase ao Centro de Emprego.
Quando, na Assembleia Municipal, abordei este tema, a resposta sobre a construção do Passadiço foi pouco esclarecedora e ainda hoje continuo a saber que nada sei!
Ora, uma simples observação empírica constata esta evidência espacial:
passando a ponte de quatro faixas de circulação, duas em cada sentido, para duas faixas apenas, uma em cada sentido e a ponte, naturalmente, passa a ser um funil.
Mas eu não estou aqui para discutir o óbvio! O óbvio constata-se, não se discute!
Eu estou aqui para ver se convenço a Câmara Municipal do Seixal a deixar de ser olimpicamente teimosa e tomar medidas cautelares e alternativas, enquanto não chega o tal Passadiço, qual D. Sebastião numa manhã de
nevoeiro...
Já agora: a referência ao “olimpicamente” tem a ver com a recente atribuição de uma Menção Honrosa ao Seixal, por parte do Comité Olímpico Português.
Por outro lado, a Câmara disse que existiam alternativas de circulação, contudo, li e reli, atentamente, todos os números do Boletim Municipal publicados desde então e, nem uma só linha de aviso aos munícipes quanto a sugestões ou itinerários alternativos.
A obra, que é um autêntico imbróglio, está ali e, entretanto, os utentes da Ponte questionam-se acerca do futuro, enquanto sofrem no presente!
Também a questão ambiental, mais concretamente, a qualidade do ar sofre com esta “cirurgia”: alguém já pensou que centenas de carros e redor da ponte no “pára arranca” é muito pouco recomendável para a qualidade do ar neste nosso “Seixal Saudável”? Caramba! questiono-me se tanta teimosia que não permite à Câmara ver que, um destes dias, esta cegueira poderá fazer germinar uma Comissão de Automobilistas Indignados ou que, lá para os lados da Ponte da Fraternidade, se ouça uma palavra de ordem do tipo: “O Povo está cansado, queremos duas faixas para cada lado”.
E, por fim, não se esqueçam que, muitas vezes, um micro erro de gestão, neste caso, cirúrgico, pode transformar-se num macro erro político.!
José Geraldes Ramos, Eleito pelo PS na Assembleia Municipal do Seixal
Anexo: fotos da fila, com mais de 600m, num vulgar fim de tarde.
4 de Abril de 2014














