Saltar para o conteúdo
Quotidianos

Carta ao DirectorComentários a um artigo no Rostos

E acabou por ocorrer o que temia: a destruição do interior da Boleira, já com algumas décadas de existência e que faziam parte da personalidade do centro da cidade; pessoas «de fora» ali entraram comigo e faziam notar a agradibilidade estética do lugar, e em particular da longa parede de mosaicos verdes à esquerda da entrada.

3 min de leitura

Por Jornal Rostos

Caro António Sousa Pereira,

Em modo de introdução digo-lhe que costumo ler diariamente o Rostos, por ser a melhor forma de obter notícias escritas sobre os municípios do Barreiro e da Moita (uma só cidade, a meu ver).

Vivo actualmente no Barreiro, nasci e cresci no tal município vizinho, e vivo muito a cidade, procurando saber o que aqui se passa para lá do que observo directamente. Há dias deparei-me com este artigo https://www.rostos.pt/postais/15000299-abriu-hoje-no-centro-da-cidade-do-barreiro-crepe-lover-s-da e perante a situação e o que estava escrito decidi comentar. Nunca, ou muito raramente o faço, em qualquer meio de comunicação social. Desde que me conheço que entro na Boleira e, mais ou menos, nunca deixei de lá entrar e acompanhei com preocupação o fecho da dita histórica pastelaria da cidade e as obras que entretanto ali aconteciam. E acabou por ocorrer o que temia: a destruição do interior da Boleira, já com algumas décadas de existência e que faziam parte da personalidade do centro da cidade; pessoas «de fora» ali entraram comigo e faziam notar a agradibilidade estética do lugar, e em particular da longa parede de mosaicos verdes à esquerda da entrada. Parede essa que foi agora totalmente destruída, numa falta de respeito total por um espaço que merecia outro tratamento e visão. E foi isso que fiz notar num dos comentários que escrevi e que o Rostos não publicou. Não me parece que escrever que os interiores da Boleira que há tanto conhecíamos foram destruídos e «substituídos por uma amálgama vermelha e branca de gosto duvidoso» seja ofensivo; pode ser polémico, mas ofensivo nao é, pelo menos entre pessoas inteligentes e abertas. O outro comentário visava o elevado número de erros ortográficos do artigo, incluindo terem escrito mal o nome do novo estebelecimento e no meio dos encómios se terem esquecido de traçar devidamente o perfil do referido estabelecimento. Nenhum foi publicado, e ao dia de hoje deparo-me no Rostos com novo artigo; já vem Crepe Lovers (!) bem escrito e reincidem nos encómios ao «empreendedor»; e isto sem colocar em causa as suas «inferências» sobre os «sonhos que fazem pulsar a vida» da cidade, como resposta (que até é compreensível) a um ambiente pejado de moções e saudações... No entanto, não é o tipo de evolução que gostaria de ver no Rostos; tenho pena, a cidade para que gosta dela, infunda muitas vezes pena e tristeza; contudo, e penso que estamos de acordo, continuará a ser aqui preferível a crítica do que um estado acrítico seja golpes de colmeias azuis ou de crepes doces.

Não lhe venho pedir que publique os comentários assim censurados, nem muito menos esta mensagem, mas apenas que modestamente os registe.

Cumprimentos,
Pedro Ventura

P.S. Até eu já escrevi no Rostos... https://www.rostos.pt/quotidianos/111325-galvao-tradutor-de-o-neill-por-pedro-ventura

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção