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Quotidianos

Carta ao DirectorPresidente da ACISBM nunca se poderia mostrar preocupado com o impacto do Fórum no comércio local

“O Presidente da ACISBM nunca se poderia mostrar preocupado com o impacto do Fórum no comércio local, já que a minha preocupação é voltar a ter gente a quem possamos vender os nossos produtos, não perdendo, desta feita, clientes para outras paragens, como acontece nos dias de hoje.” – refere uma nota de João Pedro Soares, enviada para a nossa redacção.

5 min de leitura

Por Jornal Rostos

Caro Sousa Pereira

Depois de ter lido com muita atenção e agrado a peça que o “Rostos” publicou na sua edição on-line acerca da nossa posição sobre a localização da terceira travessia do Tejo, queria transmitir-lhe que fiquei espantado ao ler que a minha intervenção na Discussão Pública sobre o Centro do Barreiro, promovida pela CMB, tenha levado a que o “Rostos” escrevesse que “João Pedro Soares (…) mostrou-se preocupado com o impacto do Forúm no comércio local, (…)”, o que induz automaticamente o leitor a presumir que a ACISBM esteja contra a implantação daquela superfície comercial no Barreiro, quando o teor das minhas declarações foram precisamente no sentido inverso.
O Sousa Pereira, esteve naquela sala, ouviu com toda a certeza o que eu disse, logo, só posso presumir que o erro foi feito por algum redactor que não entendeu algo na sua mensagem.

Porque já tive desse lado, porque tenho o maior respeito pela vossa profissão, quero, naturalmente, que rectifique o teor da minha intervenção, porque o que foi lançado na peça não corresponde à verdade.
Nas linhas seguintes darei nota do teor da minha intervenção, uma vez que é a posição oficial ACISBM sobre esta matéria e sobre o caso concreto do Forúm Barreiro :
Comecei por dizer que a ACISBM não aprova o tipo de desenvolvimento actual em Portugal, em que os Grandes Grupos Económicos promovem a implantação de grandes centros e superfícies comerciais, geralmente fora dos centros urbanos, o que tem vindo a contribuir para a sua desertificação, com os problemas que lhe estão inerentes. Para além disso, falei que esta situação, ao retirar gente dos centros das cidades, retira clientes às Micro e Pequenas Empresas do Comércio, que na sua totalidade são a larga maioria do tecido empresarial Português, cerca de 86% . Referi igualmente, que estes grandes empreendimentos comerciais aceleraram o seu crescimento a partir da Lei 12/04, portanto em 2004.

Desta forma, se bem se recorda, parti do geral para o caso concreto da cidade do Barreiro, referindo que aí tivemos que criar um regime de excepção à nossa posição genérica sobre este problema, e porquê ?
Tal como expliquei e como todos sabemos, têm nascido em redor do Barreiro uma série de Grandes centros ou superfícies comerciais que têm feito com que os consumidores Barreirenses tenham procurado comprar noutras paragens, como Almada, Montijo, Seixal, Setúbal e até Lisboa. Consequentemente as Empresas de Comércio do Barreiro foram passando a vender cada vez menos o que se traduziu, naturalmente, num completo envelhecimento do tecido comercial, não havendo qualquer capacidade de reinvestimento.

Sabendo que a facturação das Empresas de Comércio do Barreiro estavam e estão no limiar do péssimo, da “linha de água”, decidimos, já no anterior mandato ACISBM de 2004/2007, concordar com a implantação do Forúm Barreiro, porque teria o condão de, pelo menos, fixar as gentes do Barreiro no centro da cidade, por forma a consumirem não só no interior do centro comercial, mas sobretudo no comércio de rua, como é nosso desejo.
O novo projecto global camarário do centro da cidade, veio alicerçar, ainda mais, a nossa tomada de posição acerca de todo este processo.

Concluindo, o Presidente da ACISBM nunca se poderia mostrar preocupado com o impacto do Fórum no comércio local, já que a minha preocupação é voltar a ter gente a quem possamos vender os nossos produtos, não perdendo, desta feita, clientes para outras paragens, como acontece nos dias de hoje.
Porque a ACISBM e o seu Presidente têm uma só palavra e porque mais uma vez refiro que o que está contido na peça induz o leitor em erro, exijo uma rectificação pronta.

Com os melhores cumprimentos, subscrevo-me

João Pedro Soares
Presidente da Direcção da ACISBM

Nota da Redacção

A passagem referenciada por João Pedro Soares, na notícia que editámos, foi retirada de uma nota de imprensa, enviada pela Câmara Municipal do Barreiro, cuja passagem transcrevemos, referindo apenas o nome do dito “representante”.
Tomámos por verdadeira as referências que integrámos na notícia.
Se as citadas declarações não foram efectuadas por João Pedro Soares, a única pessoa da ACISBM, que pensávamos ter usado da palavra no debate, então, da nossa parte, pedimos desculpa pelo nosso erro, ao termos atribuído indevidamente as referidas declarações.

Reproduzimos o texto da nota de imprensa da Câmara Municipal do Barreiro:

“No período de debate, um representante da Associação de Comércio e Serviços de Barreiro e Moita mostrou-se preocupado com o impacto do Forum no comércio local, ao que Matias Lopes respondeu que a empresa que representa faz gestão urbana dos centros da cidade sendo possível que os comerciantes tenham à disposição estudos de marketing e retalho para saber quais os seus problemas. “O lojista de rua não tem esse apoio, mas um dos nossos compromissos é criá-lo”.

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