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Quotidianos

Carta ao DirectorLuiz Pacheco faleceu no Hospital do Barreiro

“O escritor Luiz Pacheco faleceu no Hospital do Barreiro, nas condições que eu descrevi. Afirmar que eu menti é muitíssimo grave. Esta calúnia afecta seriamente a minha elevada probidade. E ter-se-ia evitado com um simples contacto comigo.” – refere Hélder Fráguas em nota que enviou para “Rostos”.

Nota – Contactada Administração do Hospital do Montijo foi confirmado ao “Rostos” que o escritor Luís Pacheco deu entrada, sem vida, na Urgência daquele hospital.

6 min de leitura

Por Jornal Rostos

Exmº Senhor
António Sousa Pereira

Fui alertado para uma notícia falsa publicada no site do jornal Rostos, a meu respeito.

Não corresponde nada ao habitual na publicação que V. Exª dirige, com muito profissionalismo e competência.

A notícia é altamente ofensiva da minha honra e do meu bom nome, afectando o meu prestígio pessoal e profissional, que, como sabe, é muito significativo.

O escritor Luiz Pacheco faleceu no Hospital do Barreiro, nas condições que eu descrevi. Afirmar que eu menti é muitíssimo grave. Esta calúnia afecta seriamente a minha elevada probidade. E ter-se-ia evitado com um simples contacto comigo.

Sem prejuízo das medidas que eu venha a adoptar, solicito que:

- o texto seja de imediato retirado

- seja feita a respectiva rectificação

- seja apresentado um pedido de desculpas.

Estou sempre ao seu dispor para o que entender.

Esta minha mensagem apenas poderá ser publicada se tal suceder na íntegra.

Um forte abraço amigo do

Helder Fráguas

NOTA DO DIRECTOR

Não pretendemos de forma alguma desprestigiar a idoneidade do nosso amigo Hélder Fráguas que conhecemos há alguns anos, e, sabemos ser pessoa frontal.
Apenas, procurámos alertar, com para o lapso, dado que pelas informações divulgadas em diversos órgãos de comunicação social, fora noticiado que Luis Pacheco faleceu no Hospital do Montijo.
Nós não afirmámos que Hélder Fráguas mentiu, apenas reproduzimos uma passagem de uma notícia divulgada sobre o falecimento de Luís Pacheco.
Se existe alguma incorrecção na nota editada na “Carreira 7”, do facto pedimos desculpa a Hélder Fráguas.

Entretanto, referimos que, em contacto que estabelecemos com a Administração do Hospital do Montijo foi confirmado ao “Rostos” que o escritor Luis Pacheco deu entrada, sem vida, na Urgência daquela unidade hospitalar.
Igualmente, em contacto, com o Gabinete de Comunicação e Imagem do Hospital Nª Srª do Rosário, no Barreiro, fomos informados que a Administração está a analisar o artigo de opinião escrito por Hélder Fráguas e vai enviar os necessários esclarecimentos para o jornal “O Mirante”.

O nosso abraço a Hélder Fráguas, com amizade,
António Sousa Pereira

Nota – Procurámos contactar Hélder Fráguas e vamos continuar a procurar contactar para que, de facto, seja devidamente esclarecida a versão que expõe no seu artigo de opinião, dado que, acima de tudo, interessa a verdade dos factos.

NOTA EDITADA na rubrica “Carreira 7”

O pior serviço de urgências da margem sul: no Hospital do Barreiro

Hélder Fráguas, Juiz, escreve um artigo no jornal “O Mirante”, de Santarém, onde sublinha que o escritor Luis Pacheco - “Sobreviveu à prisão. Do Hospital do Barreiro, também saiu. Mas dentro de um caixão, no passado dia 5 de Janeiro. Chegou lá, acompanhado de seu filho.
O descendente reparou que o fornecimento de soro tinha sido interrompido. Durante duas horas, o filho de Luiz Pacheco esteve constantemente a alertar para o facto. Mas ninguém fez caso.”
Acrescenta, por outro lado, Hélder Fráguas, recordando que Luis Pacheco esteve preso no Limoeiro que está – “em causa o pior estabelecimento prisional do continente: o Limoeiro, encerrado em 1974. E o pior serviço de urgências da margem sul: no Hospital do Barreiro.”
O facto é que, na verdade, Luis Pacheco faleceu no Hospital do Montijo, portanto, nunca poderia ter saído num caixão do Hospital do Barreiro.
Mas, já agora, reproduzimos uma notícia divulgada na comunicação social, no dia do falecimento de Luis Pacheco : “O escritor e crítico literário Luiz Pacheco, de 82 anos, faleceu sábado à noite, tendo dado entrada já sem vida no Hospital do Montijo, que registou o óbito às 22 h 17”.

ARTIGO PUBLICADO no jornal “O MIRANTE On LINE”

SECÇÃO: Opinião

Prisão ou hospital?
Já aqui me referi ao aforismo “mal por mal, antes a prisão do que o hospital”.
Genericamente, trata-se de escolher o mal menor.
Mas o adágio também pode ser levado à letra.
Ainda que esteja em causa o pior estabelecimento prisional do continente: o Limoeiro, encerrado em 1974. E o pior serviço de urgências da margem sul: no Hospital do Barreiro.
Uma colega de turma da minha filha, com oito anos de idade, foi encaminhada para aquela unidade hospitalar. Saiu de lá morta.
Imagine-se o drama para os pequenos colegas, que, repentinamente, vêem uma cadeira da sala de aula por preencher, devido àquele motivo.
Pela minha parte, dei instruções, no colégio, para que as minhas filhas nunca sejam conduzidas ao serviço de urgências daquele hospital.
Quando estiver em funcionamento o aeroporto de Alcochete, espero que não se lembrem de conduzir os doentes e acidentados para as urgências do Barreiro. Seria uma calamidade.
O brilhante escritor Luiz Pacheco conheceu os dois locais: o Limoeiro e a urgência.
Sobreviveu à prisão. Do Hospital do Barreiro, também saiu. Mas dentro de um caixão, no passado dia 5 de Janeiro.
Chegou lá, acompanhado de seu filho.
O descendente reparou que o fornecimento de soro tinha sido interrompido. Durante duas horas, o filho de Luiz Pacheco esteve constantemente a alertar para o facto. Mas ninguém fez caso.
Pouco antes de falecer, o escritor concedeu uma entrevista ao jornal “Sol”.
O texto somente veio a ser publicado após a sua morte.
Apelidado de libertino pela publicação, Luiz Pacheco utilizou uma linguagem de tal modo vernácula que o jornal viu-se obrigado a colocar uma bolinha vermelha para alertar os mais sensíveis.
Genial, o escritor não hesitou em contar tudo, sem pruridos de espécie alguma.
Referiu-se à sua vida desregrada, com imensas mulheres. Contou que visitava muitas prostitutas. Não deixou de mencionar a sua postura bissexual.
O mais grave foi quando Luiz Pacheco não olhou à idade das jovens que seduzia. Meteu-se com rapariguinhas de 14 a 16 anos.
Obviamente, isso valeu-lhe passar uns anos no Limoeiro, naquelas celas colectivas, imundas, sem casa de banho e com uma alimentação paupérrima, num ambiente de grande violência.
Na velhice, Luiz Pacheco atribuiu essa perversão ao excessivo consumo de álcool.
Superou o alcoolismo graças a dois internamentos no Júlio de Matos.
Estabelecendo uma comparação entre este hospital e a cadeia, o escritor já tinha opinião contrária à máxima aludida no início. Entre um e outro sítio, Pacheco até considerava que não era mau estar internado. Beneficiava de cama e comida, num momento em que se encontrava desempregado.
* Juiz (hjfraguas@hotmail.com)
Por: Helder Fráguas

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