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Quotidianos

Carta ao Director“O direito a criticar e a ser criticado”

"Sou livre e independente. Aprendo (muito!) com o que vejo, oiço e leio. Mas decido pela minha cabeça. E assumo (sempre!) a responsabilidade daquilo que faço e, em particular, do que escrevo e publico. Não tenho tutores intelectuais, não sou a voz de nenhum dono. Pudessem alguns gabar-se do mesmo..." - escreve Paulo Calhau em resposta ao "Jornal do Barreiro".

5 min de leitura

Por Jornal Rostos

Exmo. Director de ROSTOS,
Caro António Sousa Pereira:

A leitura multidiária de ROSTOS online reservou-me para hoje uma não-surpresa.
A parcela da minha crónica semanal AOS DOMINGOS TAMBÉM SE ESCREVE referente à crítica que aí produzi a propósito do lamentável texto que o JORNAL do BARREIRO (JB) publicou acerca da última Assembleia-Geral do Futebol Clube Barreirense (FCB), continha aspectos conscientemente contundentes, que aqui e agora reafirmo, sem tergiversações.
Neste país ainda insuficientemente maduro e educado na grandeza da liberdade de expressão e da superior importância da crítica e da polémica, custa muito a alguns dos meus concidadãos serem visados, ainda que justificadamente.

A Sra. Filipa Domingos, chefe de redacção do JB, acantonou-se em questões formais para me criticar. Perdeu o seu tempo. Que talvez tivesse sido melhor empregue em perscrutar e perceber as razões profundas e substantivas das minhas afirmações, publicadas em 3 de Fevereiro passado.
A Sra. Filipa Domingos entende que preferi “denegrir a imagem do Jornal do Barreiro”. Falso. Como se uma andorinha fizesse a Primavera, e uma árvore a floresta. Tenho o maior respeito pelo JB; jornal onde, como fez bem recordar, escrevi alguns textos em 2006 e 2007. Mas esse facto não me impedirá de exprimir as minhas opiniões noutros fora. Ou será que fiquei refém do JB?

Vamos aos factos:
1. Já em Assembleias-Gerais anteriores, eu criticara a jornalista Sofia Moreira e o JB (mas não só) por fazerem relatos parciais e incompletos acerca do FCB. Conscientemente parciais e incompletos.
Parece haver no Barreiro e no FCB, um medo – terrível e absurdo – de afrontar e confrontar Manuel Lopes e as suas sucessivas direcções. Parece que não haverá FCB depois de Manuel Lopes. Parece que não houve FCB até Manuel Lopes. Não há maior falácia!
Mas, apesar da preocupação que expressara perante os meus consócios, o JB persistiu no mesmo trajecto. Que não aprecio. Que reprovo!
2. Na Assembleia-Geral de 25 de Janeiro, um associado do FCB cujo nome não recordo, interpelou a Direcção acerca da capacidade do treinador da equipa sénior de futebol, Sr. Valter Costa, e criticou algumas das práticas vigentes no futebol de formação. Que escreveu o JB? Nada.
José Paulo Rodrigues confrontou – de forma tranquila, séria e profunda – a Direcção acerca da gestão económico-financeira do clube. Que disse o JB? Nada.
Eu, Paulo Calhau, critiquei o não cumprimento das importantes decisões saídas da anterior Assembleia-Geral de Julho de 2007, quando os associados do FCB impuseram, por votação massiva, a realização de Assembleias-Gerais bimestrais, com publicitação dos balancetes do FCB e do (in)cumprimento do Orçamento e Plano de Acção anual. Que escreveu o JB? Nada.
Eu, Paulo Calhau, critiquei, como vem sendo recorrente, a falta de transparência, rigor e democraticidade de muitas das decisões da Direcção do FCB. Que escreveu o JB? Nada.
Eu, Paulo Calhau, alertei, como vem sendo recorrente, Manuel Lopes e a sua Direcção, para o facto destas práticas o(s) fragilizarem e exporem a boatos e outras formas de insinuação que importaria esclarecer. Que escreveu o JB? Nada.
Eu, Paulo Calhau, salientei que os sócios do FCB estão tristes e distantes. E tentei explicar porquê. Que escreveu o JB? Nada.
Eu, Paulo Calhau, propus que a demolição do Campo D. Manuel de Mello fosse enquadrada numa simples mas respeitável evocação pública. Que escreveu o JB? Nada.
Eu, Paulo Calhau, reafirmei a necessidade de a Direcção do FCB saber ouvir e respeitar as opiniões de todos os Barreirenses, dos mais anódinos, bem como dos mais expostos publicamente – mesmo quando só sabem dizer “palavras bonitas e demagógicas”. Que escreveu o JB? Nada.

Porque foi tudo isto, mais uma vez, escondido e omitido dos numerosos leitores do JB?
Eu sei porquê. Sofia Moreira sabe porquê. Eu sei que Sofia Moreira sabe que eu sei porquê.
Quando, mais tarde, alguém fizer a História do FCB, encontrará nestas reportagens do JB uma visão parcelar, incompleta e distorcida do FCB do início do século XXI. Um FCB que não está “moribundo”, como um cronista do JB em tempos ainda recentes escreveu. Mas um FCB com contradições – reais, importantes, motrizes. Um FCB que está vivo. Um FCB com futuro. Com ou sem Manuel Lopes.

Sou livre e independente. Aprendo (muito!) com o que vejo, oiço e leio. Mas decido pela minha cabeça. E assumo (sempre!) a responsabilidade daquilo que faço e, em particular, do que escrevo e publico. Não tenho tutores intelectuais, não sou a voz de nenhum dono. Pudessem alguns gabar-se do mesmo...
Continue o JB a produzir peças jornalísticas de qualidade equivalente à que mereceu o meu reparo, e o Barreirense Paulo Calhau continuará a indignar-se – livre e responsavelmente – como bem entender. Em ROSTOS, é claro!

Cumprimentos,
Paulo Calhau

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