Direito de RespostaCantou, gostou e agora vem dizer mal!
Por Armando Sousa Teixeira
Com a devida distância, a resposta não podia ser mais apropriada:
“Adeus ò troca – tintas!”.

Por Jornal Rostos
Lançamento do livro de Armando Teixeira “ Barreiro, Roteiro das Memórias da Resistência, do Trabalho e da Luta”, no AMAC, no dia 28/06/09
Cantou, gostou e agora vem dizer mal!
Sob o título, “Acreditem há mais Barreiro para além do PCP”, publicou o jornal “Rostos, on-line”, um artigo da responsabilidade do seu director, António Sousa Pereira, (adiante identificado por ASP), que me merece como autor do livro e responsável da memorável sessão de lançamento, as seguintes observações/ constatações, em abono da verdade dos factos, da clareza das intenções e da boa – fé e ética deontológica do jornalismo de opinião.
1- Da magnífica sessão, com mais de 200 participantes que aplaudiram de pé, cantaram, choraram, riram, gritaram a sua alegria pela vitória da luta da resistência e do trabalho que o livro relata como gesta colectiva, … ” um espectáculo político - cultural com qualidade artística e com agradáveis momentos evocativos de memórias de luta pela liberdade”, segundo o próprio, ASP até gostou!
2- Os intervenientes disseram de sua livre justiça, os cantores cantaram as suas canções, os poetas disserem os seus poemas, os apresentadores biografaram com propósito, o teatro foi um momento alto da inspiração “brechtiana”, alegre, cáustico, pedagógico, revolucionário (compará-lo com a revista à portuguesa è pura ignorância), …“momentos interessantes e emotivos”, diz ASP, que gostou!
3- Não seria caso para admirar se entre duzentos e tal pessoas, vibrando com a historia desta terra ímpar de homens e mulheres que com honrada dignidade e coragem, lutaram pelo pão, combateram pela liberdade e ajudaram a construir a revolução, houvesse uma que não gostasse. Estatisticamente seria 0,5%, um valor aceitável. Mas não, …“ o espectáculo foi um bom momento cultural para recordar memórias de resistência e luta pela liberdade”. ASP dixit, até gostou!
4- Mas eis senão quando à saída alguém gritou um “viva o PCP!”! Hélas! Cá estão eles!
A cabeça ilumina-se finalmente ao fim de duas horas e quarenta minutos de nostálgico torpor (ou seria antes lavagem?).
“Foi uma iniciativa marcada por uma matriz conceptual tendo uma visão meramente politico - partidária de avaliação da história e das memórias do Barreiro”, sentencia ASP, finalmente desperto para a sua cruzada anticomunista.
5- O que foi durante mais de duas horas e meia uma emotiva, sincera, elevada e excelente homenagem a gerações de trabalhadores, operários, intelectuais, mulheres, jovens, pequenos comerciantes e industriais, gente com ou sem partido, que lutaram com honrada coragem e dignidade no Barreiro de História impar, de que ASP até gostou (!), e até cantou (!?), transformou-se de repente, no fresco do hall do AMAC, em …” cegueira politica”, verdadeiro tiro nos pés”, “ uma afirmação de superioridade moral de dimensão politico - partidária”, etc. Aqui há grossa incoerência e contradição,
escondida, como o gato, com o rabo de fora.
6- Sobre o conteúdo do livro nem uma palavra, certamente ASP ainda não teve tempo de o ler. Mas levou logo á partida a chancela, à maneira dos censores do lápis azul do tempo do fascismo: “ livro com matriz ideológica (!?) ou, “insere-se numa visão reducionista da história (….)”. Os coronéis de Salazar não teriam feito melhor:
7- Relembro nesta ocasião uma história contada pelo saudoso e insigne professor e democrata Dr. Santos, a propósito de um cumprimento acintoso e provocatório feito ao grande poeta de Lisboa, Cesário Verde: “ Adeus ó Cesário azul!”…
Com a devida distância, a resposta não podia ser mais apropriada:
“Adeus ò troca – tintas!”.
Armando Sousa Teixeira
01-07-2009
Nota do Director
1. Antes de mais sublinhar que o artigo-comentário do Sr Armando Sousa Teixeira em nada refuta as «questões centrais» de ordem cívica e política, que procurei salientar a propósito da iniciativa referenciada.
2. Sobre o livro, contrariamente ao que o Sr Armando de Sousa Teixeira diz e «inventa» no seu artigo- comentário, com rótulos fantasmagóricos, é bom que leia de novo, pois, na verdade, não teci, no meu texto, qualquer opinião acerca do seu conteúdo.
Nem conheço o livro. Solicitei um exemplar e não existiam disponíveis para a comunicação social. Fico a aguardar o envio de um para o jornal. Então, só após a sua leitura, poderei comentar.
3. Recordo-lhe que no meu texto apenas, referenciei o conteúdo “conceptual” da iniciativa político-cultural, sobre a qual, escrevi e repito, efectivamente gostei, mas, que, de novo, para que não tenha dúvidas, volto a repetir, na minha opinião, a mesma, não se enquadra numa acção de carácter municipal para celebrar um Feriado Municipal, dado o seu conteúdo “ideológico-partidário” e uma visão reducionista da história que, aliás, é, também, uma característica da «sua» obra histórico-ficção-literária que tenho lido.
4. Já agora, se o livro foi editado pela Câmara Municipal do Barreiro por que razão, naquela sessão, ninguém, mesmo ninguém, usou da palavra em nome da autarquia para referenciar a iniciativa autárquica?
5. Quanto ao final do texto do Sr Armando de Sousa Teixeira, o seu registo discursivo de adjectivação de “troca tintas”, este, é, sem dúvida, um sinal bem revelador da sua “superioridade moral” e “pureza ideológica” .
Tendo a consciência que a ética deontológica do jornalismo de opinião, não se esgota em si, apenas, por essa razão, recuso comentar ou tecer outras considerações.
Basta-me, efectivamente, recorrer às minhas memórias e sorrir…
António Sousa Pereira














