Carta ao DirectorUma Crónica do Luxemburgo
Por João Saraiva
Nesta altura já a Banda se encontra, ainda a tocar, junto à Igreja, que fica ao fim da Rua.
Curioso em ver o final de tão bonito e invulgar espectáculo, porque o era, sem dúvida (pelo menos para mim), abri a porta, o 26, e o meu ângulo e visão, quando... quando uma forte chuvada faz com que toda a gente desapareça num instante.

Por Jornal Rostos
Comecei a arrumar a trouxa... amanhã ao fim da tarde estou de partida.
Enquanto isso, da Rua de L´Eglise - em Kayl, localidade situada num enorme vale rodeado de florestas... onde mora a minha filha, a meia dúzia de km da Bélgica e França) entra pela casa um ruído que me faz aproximar da janela.
É da Banda local que, com uns 20 músicos, toca uma marcha qualquer. Quando olhei já ela ia de costas.
Vi, sim, porque ia a passar mesmo defronte de mim, o princípio de um cortejo, composto por algumas dezenas de pessoas, homens e mulheres.
Na frente, atrás da Banda, um grupo de bombeiros, com o respectivo fardamento. Seguiam-se os escuteiros, composto por uns vinte e tal rapazes e raparigas, fardados.
Depois, bem, depois... encabeçado por um porta-bandeira, surgia o grupo, mais feminino, dos "Protectores das Flores", que transportavam, encostados a eles, pequenos vasos com bonitas flores (a maioria verdes, à leão) logo seguido por outro grupo... o de "Protector dos Animais", com o respectivo porta-bandeira, que, com as trelas, traziam uns trinta cães, grandes, a maioria, escusado será dizer que exemplarmente bem penteados, cheirosos e vaidosos,
(alguns com risco ao meio, à Paulo Bento), depois, em passada domingueira e festiva, como era o caso, as autoridades locais, com o presidente da Comuna e os seus comparsas em amena conversa e a saudarem, com o sorriso da praxe e de braço bem levantado, quem (poucos) se encontrava parado nos passeios e à janela (a mim não porque eu estava por dentro e ele não me conhecia de lado nenhum).
No final do cortejo, como numa qualquer prova de estrada, vem, pachorrenta, uma viatura de pronto-socorro (com um condutor português).
Nesta altura já a Banda se encontra, ainda a tocar, junto à Igreja, que fica ao fim da Rua.
Curioso em ver o final de tão bonito e invulgar espectáculo, porque o era, sem dúvida (pelo menos para mim), abri a porta, o 26, e o meu ângulo e visão, quando... quando uma forte chuvada faz com que toda a gente desapareça num instante.
Assim não. Já não voto no S. Pedro.
Quando escrevo isto ainda chove, embora menos... mas para a tarde parece que há sinal de (embora eu não vote)... continuar a chover.
Desculpa lá esta coisa mas deu-me para isto. É que o que vi naqueles minutos, embora poucos, deixou-me fascinado pela... por tudo...
Um forte abraço do
João Saraiva














