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Quotidianos

CARTA AO DIRECTORAugi da Quinta do Amassador - BARREIRO

Câmara Municipal do Barreiro informou-nos que iria proceder à substituição da rede de águas no Bairro, por a antiga ser de fibrocimento e muito sujeita a rupturas, logo assumiria a sua responsabilidade após a colocação da tubagem de esgotos nos arruamentos.

Ora acontece que a tubagem está colocada desde o final de Setembro!!!! A obra parou!!! O empreiteiro não pode continuar sob o risco de provocar rupturas na rede e a reparação das mesmas ter de ser monetáriamente assumidas pela Associação (Nós, os moradores)

4 min de leitura

Por Jornal Rostos

Exmo Sr. Director:

Talvez este não seja um assunto de relevância maior para os leitores do Rostos, pois a maioria deles não sabe o que é viver sem esgotos, arruamentos, passeios, higiene urbana etc, mas, no Séc XXI, às portas do Barreiro e a 35 Kms da Capital ainda muita gente se debate com estas (más) condições de vida diáriamente.

Acontece que na Augi onde vivo há mais de 30 anos, a Qta do Amassador, junto a Sto António da Charneca, os moradores foram-se organizando, juntando dinheiro e formou-se uma Associação que depois de diversas vicissitudes conseguiu em meados deste ano dar inicio à obra de colocar os esgotos e os arruamentos para gáudio do que aqui vivem com as suas familias.

Embora por lei as obras da Augi sejam de cariz particular (responsabilidade dos moradores) a Câmara Municipal do Barreiro informou-nos que iria proceder à substituição da rede de águas no Bairro, por a antiga ser de fibrocimento e muito sujeita a rupturas, logo assumiria a sua responsabilidade após a colocação da tubagem de esgotos nos arruamentos.

Ora acontece que a tubagem está colocada desde o final de Setembro!!!! A obra parou!!! O empreiteiro não pode continuar sob o risco de provocar rupturas na rede e a reparação das mesmas ter de ser monetáriamente assumidas pela Associação (Nós, os moradores)

A troca de correspondência com os elementos da Direcção da Associação e os serviços camarários competentes (?) dava como previsto o início das obras na rede de águas durante Novembro. Mês que já acabou!

Consequências deste desrespeito pelos prazos e pelos moradores: Como as obras pararam na fase de movimentação de terras e com a entrada do inverno o Bairro está impraticável, fazendo lembrar algumas fotos antigas do "Bidonville" de Paris na década de 60 mas sem as barracas. O desânimo e a frustração invadiu as pessoas que aqui moram, tendo os mais exaltados na última reunião no passado dia 28 apelado para manifestações públicas frente ao Edificio da Câmara, o que, na minha opinião nada resolve sobre a (in)competência dos serviços, corremos o risco de, com o atraso da Câmara em realizar a obra o empreiteiro daqui a alguns meses vir pedir uma revisão de preços por não poder realizar os trabalhos em tempo útil, enfim uma série de prejuizos se adivinham.

Afinal o que está aqui em causa é essencialmente o RESPEITO pelas pessoas e pela sua dignidade, o sentirmos todos que apesar do esforço feito para vencermos as barreiras, mais barreiras continuam a aparecer e a desmotivar-nos.

Longa vai esta missiva, só para terminar aproveito para convidar o Jornal que V. Exa dirige a passar no Bairro num dia de chuva, Traga um fotógrafo.

P.S. : Não venha de autocarro, se tiver chovido a poça de água que se forma na paragem junto à minha casa costuma ter aí uns 30 cms de fundo por uns bons metros de área. É onde as crianças apanham o autocarro para a escola e só não encharcam os pés logo pela manhã devido à boa vontade e profissionalismo dos condutores dos transportes públicos.

Com os melhores cumprimentos;
Henrique Bento Batista

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