CARTA AO DIRECTOR - SESIMBRAEsclarecimento Final sobre a Placa de Homenagem dos "20 anos do Naufrágio do River Gurara" no Cabo Espichel
Com um mínimo de conhecimento qualquer pessoa percebe que uma placa de alumínio, aparafusada a um casco de aço com parafusos de aço, sofre corrosão galvânica, pelo que a furação ficou demasiado larga, passando as cabeças dos parafusos pela respectiva furação na placa. Isto é evidente para qualquer mergulhador que veja a marca no casco onde originalmente esteve a placa e veja também a própria placa!

Por Jornal Rostos
Exmo. Sr. Director do Rostos Online,
Numa lógica de defesa da honra e reposição da verdade dos factos relativos à carta que vossas excelências publicaram, enviada pelo Sr. João Ferraria da Associação Tridacna, solicito agora a publicação da minha carta abaixo.
Podem ver a carta que publicaram no link: https://www.rostos.pt/quotidianos/190076-carta-ao-director-sesimbra-indignacao-da-tridacna-sobre
Aguardando a vossa compreensão e correcta actuação na reposição da verdade,
Subscrevo-me com a mais elevada estima,
Ricardo M. Germano
Esclarecimento Final sobre a Placa de Homenagem dos “20 anos do Naufrágio do River Gurara” no Cabo Espichel – Sesimbra
No passado Sábado, dia 20 de Fevereiro de 2010, durante a manhã, eu e mais 11 mergulhadores, integrados numa saída regular do excelente centro de Mergulho Anthia Diving Center, enfrentando condições de mar adversas, fomos mergulhar no excepcional destroço designado por “River Gurara”.
Eram meus parceiros de mergulho nesta ocasião o João Carregoso, o Jaime Brás e o Instrutor de Mergulho Vasco Santos (TopSub).
No mesmo mergulho estavam também mais uma série de mergulhadores amigos e conhecidos, entre eles o próprio proprietário do Anthia Diving Center, Jorge Silva (Jori para os amigos).
Descendo na zona da hélice de propulsão e popa do navio, todos os mergulhadores presentes, ou a vasta maioria, tiveram a oportunidade de passar no local onde há um ano atrás a associação Tridacna em conjunto com a Nautilus-Sub e com a colaboração de uma série de personalidades, haviam colocado uma placa de homenagem às vítimas do naufrágio, em nome da comunidade do mergulho de Sesimbra.
Todos repararam que a placa não se encontrava no casco, sendo perfeitamente visível a sua marca sob o costado do naufrágio e também as cabeças dos 4 parafusos de aço que originalmente a fixavam.
Quase no final do tempo de mergulho e a algumas dezenas de metros do local original, numa zona de rochas e com uma ou outra chapa proveniente do destroço, tive a sorte de localizar a referida placa, recuperando-a.
Achei que estaria a fazer uma boa acção em trazê-la para a superfície, para que quem de direito a pudesse recolocar ou usar como entendesse.
Todos os mergulhadores presentes perceberam que a placa não estava no sítio onde fora colocada e aparafusada. A corrosão e provavelmente a força do Mar a haviam arrastado para o local onde a encontrei.
Com um mínimo de conhecimento qualquer pessoa percebe que uma placa de alumínio, aparafusada a um casco de aço com parafusos de aço, sofre corrosão galvânica, pelo que a furação ficou demasiado larga, passando as cabeças dos parafusos pela respectiva furação na placa. Isto é evidente para qualquer mergulhador que veja a marca no casco onde originalmente esteve a placa e veja também a própria placa!
Num ambiente de amizade, brincadeira e descontracção a bordo, tão habitual entre mergulhadores e amigos, durante o regresso, conhecendo as confusões que os ambientes “virtuais” geram, falou-se sempre no mesmo tom de brincadeira, “a bronca que seria se alguém inventasse que eu tinha arrancado a placa” do naufrágio!
Como é óbvio eu jamais faria uma coisa dessas, gostasse ou não da placa, apreciasse ou não a iniciativa original da associação Tridacna e as suas intenções.
Esta associação merece o meu respeito e nunca me passaria pela cabeça “arrancar a placa” do local onde a colocaram.
Na realidade achei estar a fazer uma boa acção.
Chegados a terra, tiraram-me uma foto com a placa nas mãos.
Pouco depois, no Fórum de Mergulho e no contexto de uma discussão em tom de brincadeira entre mergulhadores profissionais e mergulhadores recreativos, escrevi esta frase:
“Enquanto esta malta pro fica em casa à lareira com o portátil à frente a falar de "equipamento caseiro para empregadas domésticas", vulgo "dono da casa", eu mais uns PAGI´s, mergulhadores da treta, mergulhávamos no River esta manhã...
Bom mar para meninos...
Por pouco não fiquei com o umbilical preso nas chapas...
Mas fiz trabalho amador ao retirar do fundo o que os profissionais lá colocaram no casco...
E há fotos a comprovar...”
Se lerem com atenção todo o tópico, vão perceber o contexto e que não há qualquer desrespeito da minha parte para com a homenagem realizada pela Tridacna e Nautilus-Sub há um ano.
O contexto destas palavras deve ser lido no seu TODO e nesse caso eu expliquei que enquanto profissionais ficaram em casa, eu fui mergulhar e acabei por “RETIRAR DO FUNDO O QUE OS PROFISSIONAIS LÁ COLOCARAM NO CASCO”!
Acho que toda a gente percebe a diferença entre FUNDO e CASCO!
E é verdade que a placa foi colocada por profissionais que usaram o que foi possível usar, sabendo de antemão que alumínio aparafusado a aço sobre aço não vai durar eternamente.
Também afirmei que havia fotos a comprovar. A comprovar que eu havia trazido a placa do “FUNDO” para a superfície!
Nunca, mas NUNCA, me passou pela cabeça que alguém pudesse sequer pensar que eu havia arrancado a placa do seu local original!
Posso ter a minha ideossincrasia, como toda a gente, mas por amor da Santa, não perdi o juízo! Ainda!
Continuando este relato de uma coisa tão normal que se tornou absurda por força de interpretações completamente distorcidas e erradas, um dos MEUS AMIGOS presentes naquela imersão, tirou-me a foto com a placa a meu pedido. De seguida entreguei a placa no centro de mergulho ao Jori, para que fosse recolocada ou entregue a quem de direito, talvez à Nautilus ou à Tridacna.
Continuando em tom de brincadeira, disse ao pessoal que iria estar fora do país uns dias e só regressaria quarta-feira à noite. E que se no fórum alguém pusesse que eu havia arrancado a placa, que iria ser uma guerra. Por isso, nem eu, nem ninguém escreveu isso.
No entanto a foto foi colocada no Facebook sem qualquer intenção de gozo ou desrespeito, mas em tom de mera partilha e brincadeira, comentada por AMIGOS, que me conhecem o suficiente, julgo eu, para saberem que eu jamais “arrancaria” a placa. Além disso, é preciso salientar, que muitos dos que comentaram, estavam naquele mergulho comigo e assistiram a tudo!
Só olhos e pensamentos maldosos puderam criar um enredo tenebroso, ao estilo de “Bollywood” com base na interpretação errada da minha fotografia com a placa nas mãos e com base na distorção das minhas palavras no Fórum de Mergulho, fora de qualquer contexto!
A título de exemplo absurdo, se eu aparecesse todo nu (MEDO) após um mergulho, porque alguém me havia fotografado no momento exacto em que mudava os calções para as calças e a toalha havia caído, poderíamos dizer também que Ricardo Germano havia ingressado na indústria porno ou nas revistas manhosas... É triste e lamentável!
Entretanto, os meus AMIGOS que comentaram a foto no facebook, depressa esclareceram que a história era uma brincadeira e que a placa havia sido recuperada do fundo onde estava perdida.
Infelizmente, por qualquer sentimento de revolta e indignação que até agora não consegui compreender, o Sr. João Ferraria, presidente da associação Tridacna, optou por escrever uma carta que enviou a vários órgãos de comunicação.
Essa carta pode ser lida aqui:
https://www.rostos.pt/quotidianos/190076-carta-ao-director-sesimbra-indignacao-da-tridacna-sobre
Os termos, as suposições que levanta, o conteúdo e a forma como o Sr. João Ferraria se refere à minha pessoa e envolve a associação de que faço parte são grosseiros, completamente descabidos e falsos!
Eu não me fui “vangloriar” de nada na Internet! Eu simplesmente respondi num tópico onde se discutia um tema de “mergulho profissional versus amador”, dentro de um contexto perfeitamente definido e um amigo colocou a malfadada foto no facebook, brincando com o assunto, mas sem qualquer desrespeito para com este Sr. João Ferraria, para a sua associação Tridacna, para qualquer outra personalidade ou instituição e muito menos para com as vítimas do naufrágio ou a comunidade do mergulho, onde pelo menos nisso ele acertou, TAMBÉM FAÇO PARTE.
Sendo o meu contacto público e visível nos mais variados locais, lamento que tendo dúvidas, certamente por não me conhecer, tenha optado por escrever o que escreveu sem me contactar previamente a solicitar todos os esclarecimentos. Refira-se que outros houve que me contactaram com todo o respeito e pediram explicações.
Explicações essas que lhes dei, como agora aqui dou a todos publicamente. Apesar de me terem manifestado a sua indignação, eu respeito as suas opiniões, mas reforcei a ideia de que nunca foi minha intenção ou dos amigos, que brincaram com a recuperação da placa, desrespeitar o trabalho, a iniciativa ou a memória de quem quer que seja!
Porque os termos, suposições e sugestões usados pelo Sr. João Ferraria foram fortes e sem justificação, solicitei-lhe da mesma forma que escreveu e enviou a carta com a sua “indignação” a uma séria de entidades, faça agora o correcto e desfaça o “nó” que criou.
Reconheço-lhe o direito à indignação baseado numa interpretação errada e possivelmente empolada dos factos, talvez com interferência de terceiros e opiniões mal formadas, mas eu, mais que indignado com a sua carta e atitude, fui injuriado e difamado, juntando-se ainda ao tema as referências à APDM que nada tem a ver com este assunto sem pés nem cabeça.
Não sou pessoa de me envolver em polémicas sem sentido e espero que o Sr. João Ferraria saiba resolver o assunto de forma cortês e cordial, pois de outra forma há sérios motivos para levar este caso às últimas consequências legais, existindo matéria de facto para um processo de difamação sobre a minha pessoa.
Como acredito no bom senso e creio que o Sr. João Ferraria também, tive já a oportunidade de falar com ele telefonicamente e ainda hoje nos encontraremos para esclarecer tudo isto.
Não posso é abdicar de que ele, pelos mesmos meios que se serviu para dar largas à sua indignação, visivelmente ficcional, porque os pressupostos e factos em que se baseou não existiram, estão completamente distorcidos ou são errados, faça agora o correcto e escreva outra carta afirmando que tudo não passou de um mal entendido, pelo que são devidas desculpas pelas proporções que isto tomou.
E não foram proporções pequenas!
Não faço ideia de quantos endereços, pessoas e meios a carta que escreveu foi enviada, mas para que todos saibam, até a Rádio Sesimbra FM me contactou, numa atitude de uma jornalista, que considero louvável, de pedir esclarecimentos e dar-me oportunidade de defesa! Fossem todos os meios de comunicação e jornalistas assim!
Desejo sinceramente acabar com esta NOVELA MEXICANA DE MUITO MAU GOSTO” rapidamente.
Creio que a polémica nunca teria atingido estas proporções se eu estivesse no país, mas estava em viagem e sem acesso à internet, pelo que o tema foi evoluindo numa lógica de “quem conta um conto acrescenta um ponto”.
Espero desta forma acabar com TODAS as dúvidas de quem ainda as tivesse e colocar um ponto final neste disparate.
Aguardo apenas que o Sr. João Ferraria reponha a verdade dos factos e ninguém me precisa de agradecer por ter recuperado a placa que estava perdida e, possivelmente depois das tempestades desta semana e das que ainda ai vêm, nunca mais seria localizada!
Esta carta será para já enviada ao Rostos Online e à Sesimbra FM, com um pedido de publicação nos termos do direito à defesa do bom nome e reposição da verdade dos factos... Caso se justifique, deverá ser publicada, particularmente no caso do Rostos Online, já que também publicaram a “indignação” original do Sr. João Ferraria.
Saudações Subaquáticas a todos,
Ricardo M. Germano
Amora – Portugal














