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Quotidianos

Carta ao DirectorCRIANÇAS COM FOME
Por Eugénio Murilhas
Barreiro

É muito triste que no concelho do Barreiro, onde sempre se lutou contra as desigualdades sociais e onde muito se apregoa na defesa dos mais desfavorecidos, a autarquia barreirense tarde em tomar a decisão de abrir as cantinas das escolas durante o período das férias escolares, como acontece noutros concelhos de Portugal.

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Carta ao Director CRIANÇAS COM FOME Por Eugénio Murilhas Barreiro

Por Jornal Rostos

CRIANÇAS COM FOME

No passado dia 16 de Janeiro, aquando da sessão solene evocativa do 143.º aniversário da Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense (SFAL), a senhora Vereadora Regina Janeiro, responsável pelo pelouro da educação e assuntos sociais da Câmara Municipal do Barreiro, alertava: “Nas escolas estamos a sentir a fome, onde há crianças que não têm dinheiro para pagar as senhas de refeição”, contudo ainda é nas escolas que muitas destas crianças conseguem ter uma refeição condigna.

Com a chegada de mais um período de férias escolares a referida situação agrava-se. Durante pelo menos duas semanas essa refeição vai ser interrompida e algumas destas crianças vão ficar sem o lanche e o almoço que servia para disfarçar a fome que passam em casa.

É muito triste que no concelho do Barreiro, onde sempre se lutou contra as desigualdades sociais e onde muito se apregoa na defesa dos mais desfavorecidos, a autarquia barreirense tarde em tomar a decisão de abrir as cantinas das escolas durante o período das férias escolares, como acontece noutros concelhos de Portugal.

Independentemente da crise financeira e da ideologia partidária, não podemos permitir que num pais que se diz desenvolvido e numa cidade que quer ser o prolongamento da capital, existam crianças a passar fome e que a solução para essa situação continue a ser adiada. Como poderemos dormir descansados, sabendo que na porta do lado há uma criança com dificuldades em adormecer devido à fome?

Face à inércia autárquica, todos nós temos de tentar minimizar as consequências desta situação e tal como se de um “puzzle social” se tratasse, temos de ajudar os que estão próximos de nós e que mais necessitam, os nossos amigos, os nossos familiares, os nossos vizinhos, ou seja as “peças do puzzle” que nos rodeiam. Se cada um de nós ajudar, já estaremos a dar um precioso contributo para minimizar esta situação.

Para variar, são sempre as crianças e os mais idosos a primeiro sentir os efeitos da crise, mas amanhã poderá ser um de nós!

Cumprimentos,
Eugénio Murilhas

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