Saltar para o conteúdo
Quotidianos

Carta ao DirectorObras no bairro 25 de Abril no Barreiro

A obra em vez de tentar levar as pessoas para usufruir de uma zona de lazer como o Polis, transformou o bairro num gueto, separando-o da zona por um muro alto e colorido, com arvores e plantas que, quando crescerem irão retirar a vista aos habitantes do R/C e 1º andar. Em relação aos acessos, segundo a minha opinião, são poucos e mal pensados/executados, com ausência de passadeiras em zonas importantes que é onde existem os acessos.

5 min de leitura
Carta ao Director Obras no bairro 25 de Abril no Barreiro

Por Jornal Rostos

As obras na cidade do Barreiro demoram, demoram, e o resultado final é uma enorme surpresa.
De inicio apresentam-se bonitas e agradáveis, depois quando começamos a tentar utilizá-las reparamos que não são funcionais, que não foram pensadas para os cidadãos a quem são destinadas.
Numa cidade que se diz de futuro, as obras recentemente efectuadas, não tiveram em atenção os idosos/deficientes do concelho. No conjunto sente-se uma ausência de planeamento, de visão para o futuro de utilização de bens e serviços tendo em atenção a vertente idosa do nosso concelho.
Numa altura em que cada vez mais temos que pensar em como gastar bem o pouco dinheiro disponível, venho denunciar mais uma obra de fachada em que o dinheiro envolvido não serve para melhorar o nível de vida de cidadãos, mas sim apresentar serviço em que só houve uma preocupação estética sem um estudo do meio, mal planeado e executado, onde põe em perigo as pessoas e bens. É caso para perguntar que qualificação de engenheiros e arquitectos temos há disposição no concelho?!
Estou a referir-me, particularmente à obra ainda não inaugurada, sito no Bairro 25 de Abril junto ao Polis. Não sendo engenheiro nem arquitecto mas, um simples utilizador daquele espaço, não é difícil de detectar alguns erros de palmatória.
A obra em vez de tentar levar as pessoas para usufruir de uma zona de lazer como o Polis, transformou o bairro num gueto, separando-o da zona por um muro alto e colorido, com arvores e plantas que, quando crescerem irão retirar a vista aos habitantes do R/C e 1º andar. Em relação aos acessos, segundo a minha opinião, são poucos e mal pensados/executados, com ausência de passadeiras em zonas importantes que é onde existem os acessos.
Os moradores, a maior parte idosos /deficientes com dificuldade de locomoção, não têm possibilidades de sair da zona por exemplo em cadeira de rodas. A única estrada de acesso bem estreita por sinal, com carros estacionados em cima dos passeios, que como estrada única que é, tem 2 sentidos, e é difícil passar um carro pelo outro. Desta forma para sair em cadeira de rodas é necessário percorrer 100/200 metros para chegar ao Polis quando o Polis está a uns meros 10 metros do local.
Os 3 acessos pedonais nesta zona, são como já disse mal planeados, sendo um num extremo junto ao cruzamento do Polis/Bairro, na antiga saída rodoviária (agora inexistente), este acesso estreito junto a uma varanda, apresenta dificuldades para pessoas invalidas sendo por exemplo difícil passar com uma cadeira de rodas, as outras 2 no outro extremo do bairro já deixa mais a desejar, composta por uma escada larga mas de degraus estreitos sem um corrimão como as anteriores, é de difícil acesso e quase impossível de ser utilizado por quem tem deficiências motoras, o outro acesso que seria para ser utilizado por essas pessoas revela-se mal executado com altos e baixos e com um grave declive que poderá provocar quedas graves a quem se atrever a tentar passar por aí.
Também o acesso rodoviário poderá ser alvo de reparos, em vez de tentar beneficiar a antiga estrada fazendo uma circulação de sentido único, entrada pelo zona inferior da Rua Rodrigues da Conceição e saída pela zona superior, optou-se por cortar o acesso inferior ficando só o acesso superior que funciona nos 2 sentidos indo dar lugar a um parque de estacionamento através de uma via estreita e com curvas apertadas dificultando a circulação de ambulâncias e carros grandes.
O sistema de esgotos também merece reparos, com um declive no sentido dos prédios quando devia de ser ao contrário, em caso de uma grande quantidade de chuva, se as sarjetas estiverem entupidas a tendência da água é de entrar nos prédios.

Enfim, é uma obra que leva o afastamento dos habitantes, que não promove bem-estar nem melhora o seu estilo de vida alem de afastar ao pessoas de um espaço de lazer que têm à porta, mesmo esse espaço (Polis) não foi pensado para pessoas idosas/ deficientes, pois é completamente impossível dar a volta completa à “Caldeira” em cadeira de rodas ou num veiculo de 2 rodas, para além de mostrar estranheza, de num espaço tão vasto não existir nenhum WC.

É com pesar que denuncio esta situação, pois numa época em que se fala tanto em criar acessos para pessoas idosas/deficientes e numa obra acabada de fazer, foram esquecidas precisamente estas pessoas, aliás o que é frequente no Barreiro.

Jorge Lobato

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção