Carta ao DirectorAcerca dos Transportes Colectivos do Barreiro

Por Jornal Rostos
Os Transportes Colectivos do Barreiro (TCB) servem a população do Barreiro desde 1957, ora, fazendo as conta já passaram mais de cinquenta anos com autocarros em circulação no nosso concelho.
É frequente ver gestos pouco educados para os agentes de bordo (motoristas), acompanhados normalmente de verbalizações injustas para estes trabalhadores, que apenas dão a cara por um serviço que é bastante necessário para este concelho, onde vivem 79.042 habitantes (segundo os Censos 2011), se deslocarem de um ponto para outro.
Todas essas ações existem porque a maioria dos barreirenses não percebe como é que é a dinâmica dos TCB, a nível de exploração de serviços e de balança financeira. É de primordial importância perceber, acedendo aos documentos disponíveis no sítio online da Câmara Municipal do Barreiro, que esta empresa está a passar bastantes dificuldades, maioritariamente porque a fórmula para a partilha dos valores dos passes intermodais (no caso dos TCB – o passe L123) está bastante desatualizada, remontando a 1989, altura em que o número de passageiros que adquiriam este título de transporte era mínimo comparado com o número de aquisições atuais.
Será que é correto “insultar” os motoristas que, no final de contas, estão a servir as populações?
Por outro lado, o nosso país está a ultrapassar uma grave crise económica e financeira, que acabou por obrigar os consumidores a uma ginástica para perceber o que é importante e o que é supérfluo. Muitos cidadãos pensam ainda que as empresas mantêm as mesmas regalias, o que não é verdade. Apesar de o “pagamento” não ser justo em todas as fatias da sociedade, as empresas também viram cortado muitos dos subsídios que lhe eram atribuídos. Para os TCB há que salientar a intervenção da Câmara Municipal do Barreiro que não é maior porque não é possível, visto que esta também está a “sofrer” devido aos cortes orçamentais decretados.
Desta forma torna-se também primordial dar a conhecer às populações que em todas as redes de transportes existem prioridades de transporte e estas são dinâmicas. Na minha opinião, as prioridades definidas pelos TCB vão ao encontro das necessidades de transporte das populações: imagine-se um dia sem TCB nas horas de ponta para transportar barreirenses de e para o Terminal Rodo-Ferro-Fluvial do Barreiro ou ainda não existir transporte para as escolas do concelho! Era impensável tal situação nos dias que correm, mas é um pensamento que pode tornar-se realidade se não existir um controlo e alterações como estão a ser tomadas nos TCB.
Já assistimos a alterações de horários em abril e em setembro do ano corrente, sendo estas alterações acompanhadas de redução de veículos em circulação. Eu questiono… Será que é necessário ter duas carreiras em circulação no mesmo percurso à mesma hora? Não querendo entrar em estudos de viabilidade de serviços, a resposta parece-me clara: não!
Assim, torna-se necessário que a população do concelho intervenha ativamente nas questões relacionadas com o seu concelho. Se expuser as suas ideias, está a contribuir para que exista uma rede de transportes adequada ao concelho. Muito pode ser feito com o número de veículos que circulam atualmente. Basta os seres humanos, animais de hábitos e rotinas, rodarem o “botão dos hábitos” e alterarem o modo como age diariamente, abrindo caminho para mudanças que podem ajudar a melhorar a vida no Barreiro.
Duarte Pedro de Sousa Tavares














