Carta ao DirectorEM LIBERDADE APÓS 35 ANOS DE CADEIA
Continuarei, agora como aposentado, a minha luta pelo reconhecimento da inconstitucionalidade dos cortes nos vencimentos, da suspensão do pagamento dos subsídios de férias e de Natal e da redução nas pensões dos trabalhadores da administração pública, do sector público empresarial do Estado e do sector privado, combatendo uma política liberal com a qual não me identifico e que é contrária à social democracia que defendo .

Por Jornal Rostos
Ex.mo Senhor Director,
Hoje é um dia especial para mim pois vou sair em Liberdade às 15 horas após 35 anos de Cadeia .
Entrei no Estabelecimento Prisional de Coimbra em Junho de 1977 e saio em Dezembro de 2012 . Durante 20 anos exerci funções de investigação científica no Instituto de Criminologia ali sediado, sob a direcção, primeiro do Professor Doutor Eduardo Correia e depois do Professor Doutor Figueiredo Dias Desde 1997 passei a ser Técnico Superior do Estabelecimento Prisional na sequência do destacamento do pessoal daquele Instituto ordenado pelo então Ministro Vera Jardim, que assim respondeu à nossa reivindicação do pagamento do subsídio de risco, extinguindo de facto o Instituto Nacional de Criminologia e criando um organismo em sua substituição por si presidido : o Conselho Superior dos Assuntos Criminais, que , felizmente, nunca passou do papel e foi extinto dois anos depois pelo Ministro António Costa .
Muita coisa se passou na prisão durante estas últimas 3 décadas e meia que penso um dia poder narrar em livro .
Continuarei, agora como aposentado, a minha luta pelo reconhecimento da inconstitucionalidade dos cortes nos vencimentos, da suspensão do pagamento dos subsídios de férias e de Natal e da redução nas pensões dos trabalhadores da administração pública, do sector público empresarial do Estado e do sector privado, combatendo uma política liberal com a qual não me identifico e que é contrária à social democracia que defendo .
Com a mais elevada consideração,
Castanheira Barros














