Na Oficina de Teatro Mário Pereira - Teatro de Ensaio do BarreiroApresentação do livro «Júlio de Melo Fogaça na organização comunista»

Por Jornal Rostos
Texto de Maria Filomena Rocha Lopes
Júlio de Melo Fogaça tenta reatar as ligações entre o PCP e a IC mas esta preferia os contatos com o grupo de Vasco de Carvalho. Para o PCP em reorganização, o restabelecimento desta ligação era fundamental porque o partido não tinha sequer fundos para se manter. Júlio Fogaça vai utilizar o prestígio de José Rodrigues Miguéis na comunidade americana para restabelecer os contatos com a IC.
Segundo António Ventura, Júlio Fogaça escreve uma carta a José Rodrigues Miguéis, jornalista, escritor, membro do PCP desde os anos trinta e emigrante nos EUA desde 1935, dizendo-lhe que lhe envia uma segunda carta destinada à IC. Na carta datada de 15 de julho de 1941, Fogaça escreve em nome de um PC desacreditado pedindo a sua interferência para ligação à IC. Nesse sentido Fogaça nomeia Miguéis representante do PC junto do PCEU liderado por Earl Browder para restabelecer as ligações entre os reorganizadores e a IC . Em pleno processo de reorganização este descreve as dificuldades e os erros da anterior direção, mas trata-se de uma tentativa de credibilização do novo PC e também a necessidade de dotar o partido de fundos monetários, para promover a propaganda partidária.
Júlio Fogaça utiliza um membro do PC espanhol ligado às Ediciones Europa-América em Barcelona, um dos canais utilizados para a ligação à IC, para enviar à IC um relatório sobre o PCP, originando uma grande celeuma nas vésperas do VII Congresso da IC na delegação portuguesa que se deslocara a Moscovo: Bento e Manuel Roque Júnior .
Júlio Fogaça aproveita esta carta que envia à IC por intermédio de Miguéis, para esclarecer mal entendidos entre os elementos do secretariado presos em 1935: Bento Gonçalves, José de Sousa e ele próprio . Na carta que Fogaça escreve à IC durante o processo de reorganização de 41 afirma que a IC dissolvera o PCP. José Gregório/«Alberto» esclarece no IV Congresso que a IC dissolve o PCP por considerar que este está minado de provocadores.
O Grupo Clara Zetkin era o elo de ligação de Miguéis aos comunistas portugueses e Fogaça contacta-o para que este servisse de «referente» com o PCEU. Este grupo utiliza os marinheiros da marinha mercante americana que aportavam Lisboa como elos de ligação para a correspondência internacional. O PCP já recebera ajuda financeira através deste Grupo Clara Zetkin, informação que sairia no jornal Avante dos reorganizadores, de 1 de agosto de 1941, série VI.














