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Quotidianos

Apresentação na Biblioteca Municipal do Barreiro«Vida que era a Segunda - Memórias de uma estudante portuguesa na URSS»
De Amélia Militão

Li de forma muito interessada e com prazer o livro de Amélia Militão - «Vida que era a Segunda - Memórias de uma estudante portuguesa na URSS».
Após a sua leitura escrevi este texto que, a seu convite, li, hoje à tarde, na apresentação que decorreu no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro.

5 min de leitura
Apresentação na Biblioteca Municipal do Barreiro «Vida que era a Segunda - Memórias de uma estudante portuguesa na URSS» De Amélia Militão

Por Jornal Rostos

Aqui fica com o agradecimento a Amélia Militão, por me ter proporcionado esta viagem, que, afinal, fiquei a saber são as suas memórias. Ela é a principal personagem deste lindo livro de AMOR pela VIDA.

«Vida que era a Segunda - Memórias de uma estudante portuguesa na URSS
De Amélia Militão

Ao longo das nossas vidas nós construímos, por dentro do nosso pensamento, valores, princípios, ideais, sentimentos, que nascem das nossas relações com o mundo, são fruto da nossa educação, na família, na comunidade, no tempo que vivemos.

Tudo isso que faz de nós seres humanos vivos, activos, construtores de vida, é fruto de uma experiência acumulada, circunstancias que nos empurram, enquadram e acabam por ser determinantes para a formação da nossa personalidade e carácter.
Cada um de nós é uma riqueza única, porque, de facto, cada um de nós vive uma experiência única, nessa relação com o tempo que nos forja e nós forjamos.

Por vezes, muitos de nós pensamos, que a nossa vida dava uma história, um romance, mas falta-nos a coragem para nos despirmos e colocarmos a nu, e, partilhar em livro, todas essas nossas experiências de vida.
Quando acabei de ler o livro de Amélia Militão, este seu romance «Vida que era a segunda – Memórias de uma estudante portuguesa na URSS», que ela define como ficção, com personagens inventadas, sublinhando que qualquer semelhança com personagens reais é uma mera coincidência, fiquei com uma interrogação. Será mesmo ficção ou é uma biografia?

Só ela poderá esclarecer. Pode ser, certamente é, uma história de experiências reinventadas, de situações vividas ou partilhadas, de sentimentos dispersos de encontros e desencontros.
Mas, seja lá o que for, a verdade é que nos emocionamos ao ler e mergulhar por dentro de uma história feita de muitas histórias.

A história das personagens, nos seus conflitos e emoções.
A história de um país que foi uma referência épica para muitas gerações.
A história da humanidade na procura de rumos e de construção de um mundo novo, de um homem novo.
Uma história que marcou o século XX e que, no futuro, muito será discutida, analisada e aprofundada do ponto de vista das ideias.

Uma história do ser humano que, nas suas práticas quotidianas, por vezes fala em ideais, políticos ou religiosos, éticos ou morais, mas, depois a realidade – as carreiras, os amores, os ódios, a casa, o carro, o dinheiro – a vida – tudo dilui e transforma.

O romance de Amélia Militão, é um encontro com a palavra AMOR. Esse amor que nós sentimos nasce por dentro dos nervos e se projecta no futuro através dos nossos filhos.
O romance de Amélia Militão é um encontro com a palavra LUTA. Essa luta que travamos perante os desafios, perante os momentos de insegurança e intranquilidade, esses instantes, em que tudo parecesse desabar e, lá num canto da nossa interioridade recuperamos energias para não baixar os braços e continuar, continuar, porque em cada presente sabemos que estamos a construir futuro.>

O romance da Amélia Militão é um encontro com a palavra ACREDITAR, esse acreditar que nos move, que faz que abracemos causas, que faz a nossa entrega a uma paixão.
É porque acreditamos que nos damos e tomamos decisões, fazemos escolhas, a Amélia - personagem deste romance – nunca deixou de acreditar, primeiro em si mesma, e foi esse acreditar que a levou a todas as opções – por amor, por vontade de lutar e por assumir tudo o que a vida lhe ensinava.
Todas as experiências foram momentos de enriquecimento e valorização que a levaram a acreditar e assumir as suas escolhas.

A vida de Amélia é feita de rupturas – com o amor, com a luta, com o acreditar.
Todas as palavras são construídas em experiências de vida.
Nós somos aquilo que acreditamos e a nossa vida – tal como a vida de Amélia, a personagem deste romance – é essa descoberta do sentido das palavras, aí, por dentro da vida real, o lugar onde as palavras se forjam – um beijo, um abraço, o amor, o frio, a fome – Comunismo e Deus – todas as palavras emergem nesse confronto com o desespero dos dias e com a alegria dos dias.

Vamos percorrendo as páginas e não apetece parar de ler, sentimos uma enorme ansiedade de chegar ao fim, de conhecer por dentro aquele mundo de «Homens de Fé» - com outra fé que se quer afirmar sem a ideia de Deus - mas que Amélia contesta, afirmando, ser um erro pensar que ser materialista dialéctico é contraditório com assumir o sentimento de acreditar em Deus.

Um romance que nos fala da vida de uma mulher, do ser mulher, do ser mãe.
Um livro cativante, cheio de cor, paisagens, gritos de amor, ternura, tristeza, alegria, musicalidade, e, como não podia deixar de ser despede-se de nós, entre flores, mergulhando nos sons de Chopin, sempre Chopin, a invadir o espaço e as emoções de Amélia, assim, como quem nos convida, suavemente, a diluir, diluir, diluir por dentro dos sons…
Afinal, esta história inventada, pode continuar a ser escrita, todos os dias, aqui e agora, nas vivências e experiências de cada um de nós…com os beijos e com as lágrimas quer fazem a vida.
É, talvez isso, que todos, por vezes, pensamos que a nossa vida dava um romance.
Este romance de Amélia Militão, que vos convido a ler, é, de facto, a história de uma vida, de um fragmento de vida que marca uma vida, escreve-se em síntese, talvez, apenas com três palavras:
– AMOR, LUTA, ACREDITAR.
Obrigado Amélia!

Barreiro – 12 de Dezembro de 2015

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