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Barreiro / Moita - «A asa da consequência» de Helder Martins«Porque é preciso viver até ao limite»

No Espaço Memória, no Barreiro, no dia 31 de julho, realizou-se o lançamento do livro “A asa da consequência” de Helder Martins.

Um livro que, afinal, vem dizer-nos que o que mais precisamos para ser felizes é de paz. E, recorda os cobardes que, por si mesmos, não conseguem chegar à sua própria noção de maldade.

6 min de leitura
Barreiro / Moita - «A asa da consequência» de Helder Martins «Porque é preciso viver até ao limite»

Por Jornal Rostos

Para memória futura, aqui fica, a intervenção que me foi proporcionada pela leitura do livro de Helder Martins.

Lançamento do livro “A asa da consequência” de Helder Martins
Barreiro - Espaço Memória – 31 de julho de 2016

Boa tarde,

Quero começar por sublinhar que me sinto honrado com este convite de poder partilhar o lançamento de mais um livro de Helder Martins.
O meu obrigado. Não sendo um critico literário, nem tendo conhecimentos que me permitam estar aqui a falar de um obra de literatura do fantástico, isso, ainda me dá maior satisfação pelo convite, pois sinto que é um desafio lançado pelo afecto que ao longo destes anos tenho partilhado com o Helder Martins.

Recordo-vos que, hoje, em todo o mundo, a partir da meia noite, foi feito o lançamento de mais um livro de Harry Potter. É caso para dizer que a escolha desta data para lançamento do novo livro “A Asa da Consequência”, que se insere nesse mundo literário é um desafio à concorrência. Foi, portanto, uma boa escolha, este dia.

Bom, já que estamos no «Espaço Memória», gostava de sublinhar que uma das marcas do jornalismo é que, para além da divulgação da actualidade, depois, os textos editados, que ficam gravados no tempo, eles, transformam-se, um pouco, naquilo que será, no futuro, aquilo que resta da nossa memória colectiva.
Ora, a propósito do convite para o lançamento deste livro, nos arquivos-memórias do jornal «Rostos», encontrei um conjunto de textos de Helder Martins, enquanto colaborador, em cujos artigos de opinião, se afirmava como um politico irreverente, critico, agitador de opinião e lutador pelos seus ideais. Um articulista preocupado com a vida da comunidade.
E, perante as leituras dos seus textos, senti, que, talvez, perdemos um politico mas ganhámos um escritor fantástico.
Ah, é verdade, os seus livros, procuram dar importância ao papel da liderança, a acção da liderança, o atingir objectivos, o percorrer os caminhos sem perder a esperança e as energias, com base num permanente trabalho de equipa. Afinal, é o político escondido, por trás do escritor que sente a vida.

Dto isto, quero dizer-vos que não vou falar da história do livro, nem desvendar os seus mistérios. Isso fica para as vossas leituras.
Como já uma vez referi, não sou um fã da literatura do fantástico. Foi o Helder Martins que me abriu as portas a este mundo. Um mundo cativante. Um mundo emocionante.
Ao ler recuamos no tempo, mergulhamos na cultura grega, na mitologia, ali, onde os deuses e os humanos, se confrontam, onde os animais e a natureza têm vida. O sentir cosmológico que dá dimensão à acção humana, nos seus defeitos e virtudes. Afinal, é este o mundo da literatura do fantástico. Um mundo onde a imaginação não tem limites.
A literatura do fantástico é uma metáfora que dá sentido a história das estórias da humanidade.
Por essa razão, optei, nestas notas que fui convidado a dirigir-vos, a conversar sobre os sentimentos que fui registando, ao longo da leitura dos sucessivos capítulos, muitos deles, uma contextualização muito própria de caracterização das personagens perante as situações e desafios.

Talvez, começar por expressar, o sentimento global que retirei, a grande lição ética desta obra de Helder Martins.
Sentir que a vida são muitas lutas, muitas batalhas, muitos desafios, são momentos de lazer, momentos de amor, momentos para sentir a paisagem que nos rodeia, e, sempre, cada instante, é um passo em frente, na descoberta do essencial que é preciso “viver até ao limite”, aquilo que sabemos que somos, o que somos e do que somos capazes.
Se me fosse pedido um título para uma peça jornalística, sobre este livro eu diria – “A Asa da consequência – porque é preciso viver até ao limite”.
“É apenas isso que procuramos. Espaço para sermos nós próprios”, escreve Helder Martins, acrescentando que esse desejo visa – “fugir do que nos sufoca”

É esta a luta do Mago. É esta a luta dos personagens, que o acompanham e o aceitam como líder, em sucessivas batalhas.
As batalhas e combates descritos com emoção, com cor, com ritmo, com intensidade. Sentimos os confrontos por dentro dos nervos. As lutas contra os ocres, contra os vampiros e contra os dragões. Sentimos as dores nos testículos. Os ambientes irrespiráveis. As dores na clavícula.
Registamos os momentos de paz e tranquilidade, no voo de uma libelinha, no meio de uma batalha. A neblina no bosque. O som do grilo, que chegava na corrente de ar, no castelo. O sobrenatural e o natural.

Um livro que, afinal, vem dizer-nos que o que mais precisamos para ser felizes é de paz. E, recorda os cobardes que, por si mesmos, não conseguem chegar à sua própria noção de maldade. A morte. A vida. O sexo. O amor.
O sangue que sabe a traição. O pensamento estratégico enfatizado pelo sorriso de um olhar.
O sentimento de quem tem o costume de atacar primeiro.
Cada capítulo é uma lição de humanismo e humanidade.
Esse ser, humano, vencido pelo preconceito, invejas e dominador de vontades.
Luta . Poder. Amizade. Amor. Mistério. Divino. Humano.
Relações pai –filho. A fome. Uma terra, um país, um lugar, rasgado de silêncios mas que luta para partilhar um ideal – a felicidade de estamos juntos.
Tudo a caminhar para uma ideia central – a paz o ideal que eu criei.

Parabens. Venha o próximo!

António Sousa Pereira
Barreiro, 31 de Julho de 2016

Nota – Na leitura, fica a dúvida, sobre a personagem da criança, que foi-se embora, olhamos na distância do bosque e no vale a partir. Esperamos o seu regresso. Mas não volta.
Interroguei o Helder sobre essa personagem que desapareceu e disse-lhe que espero, nunca faça desaparecer a criança que existe dentro de cada um de nós. Ele respondeu: “A criança vai voltar no próximo livro”.
Ficamos à espera…

S.P.

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