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Quotidianos

«um rio onde apoiar os braços» de João NascimentoUm livro marcado por duas palavras – «ternura» e «sensibilidade»

. João Nascimento presente no próximo dia 1 de outubro no primeiro Encontro Literário de Alenquer – LiTerAL

Um livro de sobressaltos – em que qualquer coisa parece sempre qualquer coisa. Somos levados a pensar com o olhar e a sentir com os lábios. Um livro onde nada do que faz parte do nosso quotidiano é marginal. Nós sentimos que somos no espaço, no tempo, no lugar, mergulhados na paisagem e nas paisagens.

6 min de leitura
«um rio onde apoiar os braços» de João Nascimento Um livro marcado por duas palavras – «ternura» e «sensibilidade»

Por Jornal Rostos

Conheci o João do Nascimento, quando exercia a sua actividade profissional como editor de conteúdos de comunicação para a Adega Cooperativa de Palmela. Registei a forma pausada, calma e dedicada, na sua forma de estar e viver os acontecimentos. Uma relação pontual, a propósito da cerimónia de entrega dos «Rostos do Ano», permitiu troca de palavras e encontros, que, são afinal aquilo que faz as nossas vidas.
Este ano, no período de férias, encontramo-nos, por mero acaso, em Armação de Pera. Sabia que o João Nascimento tinha editado, recentemente um livro e disse-lhe : “Gostava de ler o seu livro”.
Amavelmente, em vésperas de partida, deu-me a honra de poder ler o seu livro, oferecendo-me com uma dedicatória de “amigo”, que registo e guardo, porque, afinal a vida é sempre um percurso de construção de amizades.

Li, com muita curiosidade o seu livro - «Um rio onde apoiar os abraço». Li páginas do seu livro e voltei a reler. No dia seguinte, ainda nos cruzamos na rua, disse-lhe: “O seu livro é para ler e voltar a ler. É um livro para sentir”.
De facto, este seu livro é marcado por duas palavras – “ternura” e “sensibilidade”.
Obriga-nos a sentir o espaço, o tempo – as coisas, as temperaturas, os cheiros, as texturas.
Obriga-nos a sentir as emoções – as cores, a luzes, as sombras, os sons.
Obriga-nos a pensar a vida - a solidão, o amor, os segredos.
Vamos percorrendo as páginas e em todas as palavras há uma ternura, rendilhada de sentimentos vivos. Tudo nos toca o pensamento.
Dentro de uma casa, tudo tem vida – uma cadeira, os talheres, as gavetas. Encontramos memórias. Recordações que são emoções poéticas.

Um livro de sobressaltos – em que, qualquer coisa parece sempre qualquer coisa que nos toca os nervos. Somos levados a pensar com o olhar e a sentir com os lábios. Um livro onde nada do que faz parte do nosso quotidiano é marginal. Nós sentimos que somos no espaço, no tempo, no lugar, mergulhados na paisagem e nas paisagens.
Sim, porque as paisagens podem ser as coisas, os pássaros, o vento, um simples pacote de batatas fritas. Porque, afinal, tudo pode gerar pensamentos e emoções.
Um livro vivido e sentido com uma profunda dimensão estética, aí, onde mergulha a nossa consciência emocional, com os sentidos, pelos sentidos, nos sentidos.
É esse mergulhar permanente na vida com um sentido táctil, sensitivo, terno, que esta obra nos sugere e motiva.
Mas, as paisagens, podem voltar-se para a interioridade, que nos levam a entender o que é estar presente e em simultâneo estar ausente – ouvir o outro, olhar o outro, e transportar tudo isso para um silêncio, esse lugar, que é – “um rio onde apoiar os braços”.
Ah, é verdade, este livro, nunca está lido, é sempre preciso voltar, ler e reler, em momentos diferentes, em lugares diferentes, com sentimentos diferentes, é por isso, que, sendo um livro que nos faz sentir o tempo por dentro do pensamento, é, também um livro intemporal, porque o tempo é infinito.
Obrigado!

António Sousa Pereira

LiTerAL – 1º Encontro Literário de Alenquer

A Câmara Municipal de Alenquer – Biblioteca Municipal vai levar a efeito no próximo dia 1 de outubro 2016 no Museu João Mário em Alenquer, das 09H00 às 19H00, o primeiro Encontro Literário de Alenquer – LiTerAL, em parceria com o grupo Literário AlenCriativos.
Será uma oportunidade para conhecer João Nascimento e a sua obra, É um dos autores convidados.

Sinopse
um rio onde apoiar os braços

Há uma viagem que é feita do estar e do deambular. Na obra “um rio onde apoiar os braços”, o leitor é convidado a demorar-se nos momentos essenciais, na essência da vida e nos objectos residentes e construtores de cenários.
Voltada para fora, para o todo, sem dividir os mundos íntimos e pessoais, entre o que é importante e o que não é, João do Nascimento, desafia-nos em cada frase, ou melhor, em cada palavra e falta dela, numa busca constante pela beleza tanto profunda quanto estética da vida e do texto enquanto palco de cultura.
“um rio onde apoiar os braços” não é um livro desta época, é um livro para todos os dias, até porque, de uma forma ou de outra, há qualquer coisa de todos nós e de qualquer um de nós na impaciência destas páginas.

Biografia

João do Nascimento nasceu em 1971, em Lisboa. É licenciado em Ciências da Comunicação, com especialização em Marketing e Publicidade, pela Universidade Autónoma de Lisboa. Entre 1996 e 1998 foi criador e redactor de campanhas publicitárias, bem como assessor de imprensa na Câmara Municipal de Almada. Entre 1998 e2008 manteve uma colaboração regular com o IEFP, com textos, poemas e entrevistas incluídos nos catálogos da Feira Internacional de Artesanato. Como jornalista a sua actividade teve início no jornal A Capital, entre 1999 e 2005, onde, antes de ser chefe de redacção, foi redactor e editor das secções “Local”, “Nacional”, “Internacional” e “Cultura”, além de cronista e responsável por suplementos. No 24 Horas, onde trabalhou de 2006 a 2010, foi redactor e sub-editor das secções “O Cidadão”, “Dinheiro e Consumo” e “Saúde”. Em 2012 foi colaborador da White Brand Services nas áreas de revisão e tradução. Entre Maio de 2013 e Dezembro de 2014 desempenhou funções de editor de conteúdos de comunicação para a Adega Cooperativa de Palmela.

Bibliografia

. um rio onde apoiar os braços, Edita-me, Chancela Insubmisso Rumos, 2016. Poesia.
. escrever enquanto todos dormem, Portugália Editora. Romance lançado em Janeiro de 2009 com prefácio de valter hugo mãe.
. Do Agreste ao Planalto, Editorial Notícias, 2003. Biografia do ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.
. Duas Pegadas de Água na Chuva, Quasi Edições, 2001. Poesia.

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