Setúbal - Filomena Afonso de Santiago do CacémUCCLA acolheu o lançamento do livro «Poemas em Tempo de Guerra»
O livro tem prefácio do Secretário-Geral da UCCLA , Vítor Ramalho, ex-líder da Federação do PS de Setúbal.

Por Jornal Rostos
Sobre o Livro:
Porque de memórias se tratam de uma jovem a despontar para o viver adulto, Filomena, recordou escritos esquiçados nesse seu tempo de Menina/Moça, a exemplo dos sentimentos fortes que se viviam em Angola quando, do lado outro lado da Guerra, os sentimentos eram fortes e tomavam o caminho da urgência.
Nesse contexto viviam-se paixões inesperadas mesmo quando a questão amorosa surgia apenas de passagem. A referência ao correio, à saudade, ao terror da traição, à solidão dos afectos, era uma consequência assinalável.”
Foi a partir com essa matriz que a Jornalista Aliette Martins abriu a sessão de apresentação do Livro “Poemas em Tempo de Guerra” de sua amiga Filomena para principiar - lembrando à vasta plateia que encheu por completo o Auditório da UUCLA -, os acontecimentos protagonizados por Filomena Cruz, a partir do momento em que se conheceram em Setúbal, num anoitecer chuvoso de Maio de 2012 para, feito esse enquadramento, lembrar Angola, onde também esteve em jovem, para passar ao presente, caracterizando os bastidores vividos relativos ao Livro: “Poemas em Tempo de Guerra” que ali reunia Familiares, Amigos e Conhecidos de longa data.
Seguidamente, com particular destaque , o Dr. Vítor Ramalho, envolvido que estava nas memórias que os unia os três Amigos com assento na mesma mesa, perante as personalidades que se encontravam na plateia, fez do momento um espaço da palavra de particular afecto. Foi recordado a sua (nossa) Angola, com a particularidade que tocou a sensibilidade de todos que ali nos entrávamos mas, antes ocupou-se do Livro que prefaciou e, cito parte do sublinhado:
“(…) Sente-se terem sido escritos na idade da adolescência da autora, refletindo as interrogações próprias dessa idade. Escritas quando essas interrogações se confrontavam com a guerra colonial, em Angola, há neles a incompreensão da realidade, como no poema TODOS OS DIAS, ou mesmo o cansaço dela resultante, como exprime num outro poema CANSAÇO.
Depois há o desabrochar da amizade em versos que a têm por título num outro, até ao desalento e desânimo do rumo próprio. A Filomena deu a este poema e, apropriadamente, o título SEM RUMO.
Claro que o desabrochar dos sentimentos que nessa idade explodem têm tradução em vários poemas como o GOSTAR DE TI, sentimentos esses que não escapam ao próprio título do livro.
Mas é também de sentimentos, de outra natureza, que a Filomena escreve no poema MÃE, testemunho dos alicerces que tem seguramente, no reconhecimento da importância da maternidade.
O livro conduz-nos para a memória afetiva da nossa própria adolescência, o que não é questão menor neste período hedonista e de valorização dos mercados, que marginaliza princípios e valores. É útil e positivo revermo-nos nas interrogações desse tempo e, sobretudo, quando essa revisão se suporta em poemas escritos numa linguagem direta e simples. Que é o mais difícil de fazer.”
Seguiu-se a passagem de um vídeo com Música e Imagens de Angola, com uma mensagem extraordinária contida numa palavra: “AMANHÔ.
Uma tarde que ficou no querer de todos que a partilharam na UCCLA.
Biografia da autora
Filha de pais portugueses, Filomena Cruz nasceu em Angola, tem 64 anos. É casada, tem uma filha e dois netos. Fez o ensino secundário em Benguela. Ingressou no Curso de Fisioterapia em 1972, tendo terminado em 1975.
Apaixonada por música clássica e, sobretudo, tocada a piano, em 1973, inicia um curso de piano do Conservatório de Música de Luanda, onde viria a permanecer dois anos.
Seguidamente inicia a sua atividade profissional no Centro de Medicina Física e de Reabilitação, em Luanda, atividade que é interrompida após o 25 de Abril. Em 1975 vem para Portugal.
É, atualmente, fisioterapeuta e empresária, tendo a seu cargo a direção da clínica que gere em Santiago do Cacém. Tem no doente, a sua prioridade. É sua a convicção de que: “A persistência é o caminho para o êxito”.














