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Quotidianos

Santiago do Cacém - Na Casa dos ARCOS apresentado o Livro«Histórias de Um Tempo Só» de Ana Zorrinho

“Histórias de Um Tempo Só”, são histórias de gente, porque a solidão, ainda que sentida de forma diferente em cada um de nós, é comum e inerente à condição de ser humano”.

6 min de leitura
Santiago do Cacém - Na Casa dos ARCOS apresentado o Livro «Histórias de Um Tempo Só» de Ana Zorrinho

Por Jornal Rostos

Sobre o Livro:

Emocionou-me profundamente a leitura de “Histórias de um Tempo Só”, sobretudo pelo ritmo da sua ESCRITA e, principalmente pela TEMÁTICA que, ganhou - em literatura - o BELO, na forma e simplicidade (uma das dificuldades em se conseguir no escrever) e, sobretudo, na generosidade da Autora em colocar em foco, o espaço de VIDAS esquecidas, que se cumprem no NEGRO da SOLIDÃO.

Foi o que se me deparou num primeiro olhar e, no "ouvir" as PALAVRAS escritas por ANA ZORRINHO.

Aliette Martins

“Histórias de Um Tempo Só”, são histórias de gente, porque a solidão, ainda que sentida de forma diferente em cada um de nós, é comum e inerente à condição de ser humano”.

PREFÁCIO:
De: Isabel Lousada

“Histórias de um tempo só” tem, no tempo, a marca de cada um de nós – a humanidade perdida que só a pulsão da escrita liberta e regenera.

Importa conhecer as grades, para as poder contar?
Importa contar as grades para as poder saltar?
Importa ignorar mais grades, para as poder ultrapassar?
Importa forçar as grades, para as poder vencer?
Perguntas estas em sequência, são as que me faço por vezes, sem ter ainda hoje certezas? De que falam? De que mundos? De que latitudes?
Maria, o primeiro conto, na singularidade de um nome no qual sabemos todas e qualquer uma de nós, comporta o plural e não o uno.
A negro e branco como numa película de tempos idos num qualquer animatógrafo . . . pressentimos a grafonola rouca e por vezes muda a acompanhar os traços dos fonemas que falam da Vila.
De longe, ao perto, do centro à periferia, pois as geografias da ficção, como aliás as dos afectos, não são obrigatoriamente fixadas pela cartografia do espaço físico, as palavras que trazem as imagens ao nosso espírito não são lineares. Nem teriam que o ser. Ou deveriam? Não. Maria é a personagem criada por Ana que desenha o fio do tempo com as mãos carregadas de luta, cansadas do frio, do gelo que corta, do desamor.
Maria – Mulher – Tecendo Vida – Homem – Velha Hermelinda – Em nome do Pai – Histórias ao Regaço – O Louco – Marido e Mulher - Cidade – 10 quadros, muitos tipos, cenário reais ou imaginários desenrolam-se por entre as páginas ilustradas entrelaçam signos e pinceladas na página nua sendo maculada.
E porque afinal, não é de violência que tratam os contos apresentados, mas na de poesia, e da história velada e revelada de mulheres e homens – impõe-se uma escuta atenta, somente avisada pela leitura; como se acaso na beira de um riacho e desatentos ao redor . . . almejássemos intrinsecamente transformar o nosso grito pungente, candente, dorido e calado . . . até que porventura nos permitissem ser alcançados pela
melodia da suave das águas redentoras e calmas, também dos rios, correndo para o mar.

A PALAVRA A ANA ZORRINO:

“Histórias de Um Tempo Só”, são histórias de gente, porque a solidão, ainda que sentida de forma diferente em cada um de nós, é comum e inerente à condição de ser humano”.
Aqueles que aceitaram partilha-las, lendo-as, têm manifestado opiniões muito positivas, até mesmo, surpreendente e agradavelmente pelos, diria, "não leitores", o que tem dado mais sentido a esta ousadia minha de as publicar.
Os leitores afirmam encontrarem-se nas histórias, reavivar memórias e entender a escrita como realista, permitindo-lhes facilmente visualizar os personagens, as suas ações, e apreciarem a poesia na forma de escrever.
Esta aventura só foi possível pela mão da Professora Isabel Lousada, da Universidade Nova de Lisboa, autora do prefácio, que as leu e entendeu que não poderiam deixar de ser levadas a público.
A professora Isabel partilhou-as com o Dr. Jorge Ferreira, editor da Caleidoscópio, que prontamente as acolheu e me propôs sua edição.
Ambos depositaram um enorme acreditar nestas histórias. Ambos estiveram no lançamento que decorreu no dia 4 de Maio em Santiago do Cacém, na "Casa dos Arcos", sita na zona histórica, coração da cidade, onde se respiram muitas histórias de solidão.
O lançamento deste livro contou ainda com o apoio da Livraria "Manel dos Jornais", de Santiago do Cacém, cujo gerente – o eng. Henrique Santos, foi um dos oradores na apresentação do livro, sendo esta livraria a responsável pela disponibilização dos livros em Santiago do Cacém
A escolha da "Casa dos Arcos", amavelmente cedida para o efeito pelos seus proprietários, prendeu-se não só com a sua localização, mas, também, porque ali funcionou um asilo feminino, porque o edifício foi abandonado, tendo chegado a uma situação de grande degradação, encontrando-se a ser recuperado pelos atuais proprietários. Pretendia-se que o local da apresentação tivesse um elo com as histórias, que o público fosse contextualizado com as mesmas , desde logo, através do espaço.

A apresentação contou com as intervenções musicais de Pedro Ramos e António Ferreira, piano, Catarina Sousa, violino e Simão Pereira guitarra clássica. Foram lidos dois poemas de Eugénio de Andrade, designadamente " Choro " e "Não Choro", sendo o primeiro interpretado por membro de antigo grupo de teatro da autora, Cláudia Gabriel, e o segundo pela própria autora.

Na sessão de lançamento, o público teve ainda oportunidade de visitar exposição feita a partir das histórias e dos desenhos criados por Raquel Ventura. A exposição foi da responsabilidade de Raquel Ventura em colaboração com Vasco Tavares da Silva.
Estiveram presentes no lançamento, cerca de 70 pessoas.
Na última quarta-feira foram feitas duas apresentações na Escola Secundária Manuel da Fonseca, tendo sido a obra muito bem recebida pelos alunos”.

Curriculo de Ana Zorrinho:

ANA ZORRINHO, nasceu em Santiago do Cacém em 1978. Cresceu em Cerromaior e entre as suas gentes encontrou-se com a poesia de Manuel da Fonseca, que veio a interpretar em vários eventos. Tomou impulso da escrita, escreveu poemas para músicas e foi selecionada para integrar o Cancioneiro Infanto-Juvenil para a língua portuguesa, com o poema “Quem Canta em água tão fria… ”. A representação também marcou o seu percurso e, nessa vertente, dirigiu durante 10 anos, o grupo de teatro da Sociedade Harmonia, direcionado a jovens. Nesse âmbito adoptou obras para teatro e concebeu guiões originais. Fez formação teatral e colaborou, enquanto atriz, com o grupo GATO SA. Actualmente, promove a leitura em sessões dirigidas a jovens do ensino secundário e integra um projecto de poeia em curtas metragens, intitulado: “Silêncios”.
É licenciada em Direito pela Universidade de Lisboa.

A.M.

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