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Setúbal - Cláudio Pereira jovem valor das Letras e da Cultura da língua portuguesaMuito dificilmente um lançamento dum Livro de Poesia consegue tamanho fulgor

Cláudio Pereira publicou um livro em prosa no Brasil com notável êxito e boas referências da crítica, e agora, de regresso a Portugal, Setúbal, atreveu-se a publicar um segundo livro, desta vez, de Poesia.

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Setúbal - Cláudio Pereira jovem valor das Letras e da Cultura da língua portuguesa Muito dificilmente um lançamento dum Livro de Poesia consegue tamanho fulgor

Por Jornal Rostos

Quero e devo dizer que na GATEM - Espelho Mágico e no Magazine de Artes e Ideias Arestas de Vento, da Popular FM, ficámos de peito e alma com esta iniciativa desde o dia do convite.
Juntar a solidariedade aos valores culturais (se pensarmos no constante egoísmo) é uma forma de vida fundamental para o ser humano moderno.
Mais colaboram neste acto literário em causa o actor músico João Canhoto, o actor encenador dizedor Miguel Assis e o escritor editor José Carlos Cardoso.

AMOR ENTRE FAIXAS

Ser poeta é um encargo amoroso, neste caminho do estar aqui…
E salta à natureza humana conforme a tentação pela desobediência ao cinzentismo dominante.

O Homem em rebeldia é uma potência “psico-emocional” tão imparável como romântica. Muito para lá do continente do “talvez seja”.
Só no desacordo fora do secretismo do mapa interior o poeta aprende a conhecer a fantasia harmoniosa dos versos profundos e respirados entre rimas vistas e embuçadas.

É o caso.

A verdade íntima é aquilo que o vate pode ser, por tanto querer ouvir, ver, interpretar e fazer… com os sentidos, razão maior da viagem, razão maior deste poder que nos encanta.

RAZÃO MAIOR DA VIAGEM, RAZÃO MAIOR DESTE PODER QUE NOS ENCANTA

Vestir o papel do LÍRICO neste carreiro chamado AMOR ENTRE FAIXAS, parece um mar de cumplicidades internas e externas, embaralhadas na ternura e liberdade amorosa.

Estas intensidades fazem de Cláudio Pereira um ser dependente (no bom sentido) das chagas do amor.
Então, interrogo nesta dinâmica que tudo muda: A Liberdade dum poeta é coisa para lá do dicionário?
Possivelmente será!... Talvez num salto para fora do preconceito.
Acontece conforme a rebeldia do momento.

INFLUÊNCIAS POÉTICAS DE CLÁUDIO PEREIRA

De seu pai Fernando Manuel Pereira, um poeta tão libertário como amoroso, conviva de ZECA AFONSO e LUÍS PACHECO e que, com todo o respeito do mundo por quem escreve, continua a ser o criativo vivo da cidade do Sado que melhor (e não parece) poesia faz.

NO ENTANTO ELA MOVE-SE

O que acabei de referir (é mera opinião) e bota a poesia de Cláudio Pereira, por encontro e desencontro, nos mistérios em verso de José Carlos Ary dos Santos, Joaquim Pessoa ou mesmo Manuel Alegre.
Agora! Tudo o que disse, para fazer narrativa e colar no ADN do presente conjunto poético, está sublinhado, na sua trajectória… com litros e litros de amor.

Só para lembrar a importância congénita do amor: O histórico cantor VITOR JARA assassinado pelo ditador Pinochet (as ditaduras têm disto) deixou escrito para todos nós que toda a música popular é amorosa. Quero dizer, o que é feito com o coração não precisa de filtros.
O amor é a razão maior deste poder poético do Cláudio Pereira, repito, que nos encanta.

Mas, cuidado com o exemplo!!! D. Manuel Martins, o emérito Bispo de Setúbal alvitrou várias vezes em brado de protesto que o desamor persiste. Pergunto: Como é que vocês viajam num palavrão destes? Falamos da negação da harmonia, logo da contra poesia.

CUIDADO AMIGOS E POETAS DESTE MUNDO DAS COISAS SIMPLES, A TENTAÇÃO ESTÁ ATRÁS DA PORTA

Há séculos que o homem é o mesmo, o que vai mudando é a fatiota.
Por muitas linguagens utilizadas, os poetas de quaisquer culturas eternizam o amor. O amor verdadeiro, o amor ternura, o amor combate.
Com Pablo Neruda aprendemos, entre outras coisas boas que, nem _ os convencionais _ setes são iguais.
E os silêncios? Claramente, também não são.
Há silêncios acumulados (de tal maneira) na poética de Cláudio Pereira que a interacção com o leitor expressa a VOZ que distingue a poesia de uma lista telefónica.

AMOR ENTRE FAIXAS, É O SOPRO VITAL DE CLÁUDIO PEREIRA

Enquanto poeta, enquanto espectador, projecta-se na própria paisagem e acaba por ficar dentro da mesma.
Cláudio Pereira, faz espelho num belíssimo verso de VICTOR SERRA (com quem, embora jovenzinho conviveu): Antes a revolta com medo que, o medo, da revolta.

Revolta assente numa comunicação multiplicada pelo factor emoção.
Alto Lá! Nem todos os autores conseguem consagrar a emoção.
Cláudio Pereira acredita que um verso pode valer o infinito e que o amor também pode morrer, fatalmente, de paixão, culminando, essa eloquência, no amor eterno de Pedro por Inês.
Considera-se um poeta setubalense e do mundo.

Ficam 3 perguntas para o autor responder :

-Qual o poema predilecto no livro que está a lançar?
-Qual a maior alegria que teve pelo facto de escrever poesia?
-O que antecede a criação? A angústia ou um estado de graça?

Ricardo Cardoso

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