No GDR «Os Leças» - BarreiroApresentação do livro «Buenos Aires Tempos de Paixão»
. Domingo, dia 24 de Abril,15h00
Ao fundo da Rua do Brasil, além dos terrenos intransitáveis da “Escavadeira”, lá estavam as grandes chaminés fumegantes, símbolos do trabalho produtivo e do capitalismo explorador.

Por Jornal Rostos
“CAMINHOS DA MEMÓRIA PARALELA”
LEÇAS, domingo 24/4/2022, 15.00h
– Conheci o LEÇAS anda miúdo, pela mão de minha mãe que como excelente cozinheira (e uma óptima mão para bolos!) ia fazer almoços para grupos em confraternização, nos idos dos anos 50 do século passado.
Pequeno de tamanho e de mundivivências, parecia que o GDR ficava muito longe, nos confins da vila operária, que apesar de ser domingo
de Verão quente, não parava de respirar as gasearias que picavam na garganta logo ao atravessar a passagem de nível do Barreiro A, e se tornavam sufocantes quando começávamos a subir a rua “Braz”.
As paredes e as janelas das casas baixinhas em correnteza, que precediam o Alto do Seixalinho, testemunhavam os efeitos dos gases fluorídricos produzidos na reacção do Ácido Sulfúrico (das Pirites) com o “Pó de Marrocos”. Corroíam os vidros das casas e os pulmões dos obreiros que faziam andar as máquinas e alimentavam os reactores das fábricas em laboração contínua, noite e dia a expelirem fumos e gases que garantiam o trabalho certo de remuneração escassa, insuficiente, e o lucro proveitoso para alguns.
Ao fundo da Rua do Brasil, além dos terrenos intransitáveis da “Escavadeira”, lá estavam as grandes chaminés fumegantes, símbolos do trabalho produtivo e do capitalismo explorador. O empreendedor “capitão da indústria”, fundador do “império CUF” de quem se comemora os 150 anos de nascimento – Alfredo da Silva – “zelava” no túmulo do cemitério do Lavradio, pelo bom andamento dos negócios da Companhia, um dos principais suportes do regime fascista, beneficiário da política que levaria à Guerra Colonial, através da predação e do transporte das matérias-primas das colónias.
– Ao evocarmos a efeméride relembramos o livro que levámos ao LEÇAS em 2014, “A CUF no Barreiro, Realidades, Mitos e Contradições”, que trata com rigor e fundamentação estas questões controversas.
A História do século XX já não foi só feita pelos vencedores (os reis e os príncipes, os heróis-santos e condestáveis, os grandes “cabos-de-guerra” ou os “capitães da indústria”). O povo trabalhador, as massas anónimas que trilham e fazem os caminhos da Humanidade, os criadores de riqueza que dela pouco usufruem, num sistema com cada vez mais pobres e maiores riquezas, assumiram um papel histórico mais significativo.
– Desta vez tratamos de uma outra luta massiva, a dos estudantes portugueses, que no tempo da ditadura travaram um combate duro, no âmbito do Movimento Associativo Estudantil. É disso que fala o livro “Buenos Aires Tempos de Paixão”, em apresentação no GDR “Os Leças”, no Domingo, dia 24/4/2022, a partir das 15:00h, com a participação de Adriano Encarnação (A luta da juventude nos anos 60/70 ), de António Redol (A luta do MAE nos anos 60) e do coronel Carlos Matos Gomes (Saudação ao 25 de Abril libertador). Agradecemos uma vez mais a fraternidade do GDR “Os Leças”.
Armando Teixeira














