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Barreiro - AROMAS-Antologia Poética de Língua Portuguesa de Lina SoaresPoemas de autores portugueses sobre plantas

AROMAS- Antologia Poética de Língua Portuguesa (poemas de autores portugueses sobre plantas – as que existem na Escola Secundária de Santo André, Barreiro); obra ilustrada.

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Barreiro - AROMAS-Antologia Poética de Língua Portuguesa de Lina Soares Poemas de autores portugueses sobre plantas

Por Jornal Rostos

Maio florido, manhã luminosa, a janela da sala de aula deitada sobre o relvado quase todo coberto pela copa das árvores. Dentro da sala, lê-se um cantar de amigo d’El rei D. Dinis e, pelos vidros, contempla-se o suave baloiçar das folhas do “verde pinho”. Admira-se a Natureza, comunga-se, é-se. Pensá-la é “estar doente dos olhos”, diria Caeiro. E a aula flui entre paredes que se tornam invisíveis numa partilha do saber, onde impera a harmonia e a vontade de ser poeta. É assim nesta escola, como em outras escolas de um país que desbravou os mares em nome do sonho de um infante, onde os pinheiros feitos mastros são caravelas que nos transportam para o mundo sonhado de Gedeão. Neste “mar” verde intemporal que cerca o recinto escolar, perfumado de madressilva, lavanda, rosa, hortelã, viajam connosco poetas que vêem na Língua Portuguesa a sua pátria, levando na bagagem versos aromáticos ou “uma flor que secou nas páginas de um livro”, nas palavras de Nuno Júdice. Maio colorido, das Floralia dos romanos e das Maias do norte de Portugal, celebração da vida e da morte. Maio cheio de flores porque Abril veio “com chuva por dentro”, diz-nos Manuel Alegre, e regenerou a Natureza, como regenerou a nação em 74, naquele Abril de “Amor-combate, amor de liberdade”, acrescenta Joaquim Pessoa. E os cravos de abril continuam a florir, porque a Natureza e a Liberdade andam de mão dada. Sempre.

Entre os vários estabelecimentos de ensino existentes no município do Barreiro, a ESSA (Escola Secundária de Santo André) situa-se numa área privilegiada da História do município, muito perto da antiga ermida onde o rei D. Manuel I assistira à missa e benção das naus, que navegaram nos mares tenebrosos da epopeia de Camões e que “acharam” a Índia e o Brasil. A sua localização, em terreno alto que desce para o rio Coina, propicia a rica vegetação, desde altos e frondosos pinheiros mansos, misturados com odorosos eucaliptos, à relva farta e macia que, no século anterior, fora palco de lazer, de piqueniques, de sestas e brincadeiras de famílias que nela estendiam panos e esteiras para tomar banhos de sol e de rio. A Copacabana dos barreirenses. Bons ares, águas limpas que as algas atestavam. Nas toalhas, sobre ervas e cascalho, os populares comiam as suas talhadas de melancia e pão de ló, que pareciam retirados dos versos de Cesário Verde. Que nostalgia, para quem nasceu e cresceu nesta terra e lhe conheceu o “rumor dos pinhais” dos versos de Sophia, o aroma das plantas cantadas por tantos poetas e o sal do rio - um “Tejo a sorrir-se”, escreveu Bocage!

(…) A Escola educa, forma, prepara para a vida, para o “Ser” e para o “Estar”. E a existência terá de ser “vivida” em comunhão e respeito pelo Outro e pela Natureza, num espaço envolvente de conhecimento, responsabilidade e prazer. A biblioteca da ESSA, concentrando essas vertentes e com os transparentes voltados ao natural espaço exterior, apetece!
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(…) Partindo de várias espécies de plantas existentes no logradouro da ESSA, e outras germinadas em vasos, como elementos decorativos naturais do interior do edifício, a presente obra pretende aliar as imagens destas plantas a poetas que as “cantam”, na maioria, estudados nas disciplinas de Português e de Literatura Portuguesa, tornando-se, assim, uma homenagem, mais do que justa, a tesouros literários da Língua Portuguesa e uma forma de motivar os alunos para a leitura, para a escrita e, no caso dos alunos de Artes, para os seus trabalhos artísticos. E não só direcionada aos alunos desta escola, mas a todos os das outras escolas do município e do país, porque a poesia é de todos nós! A pensar, ainda, nos discentes e docentes estrangeiros que anualmente visitam as nossas escolas, apresentam-se as traduções, francesa e inglesa, dos textos da caraterização das plantas e de excertos representativos dos poemas selecionados, como forma de divulgação da nossa cultura. (in Nota Introdutória).

Sobre a Autora

Lina Maria Soares é natural do Barreiro, onde reside. É docente de Português e de Literatura Portuguesa na Escola Secundária de Santo André e investigadora em Literatura e História. Tem inúmeros artigos publicados em revistas científicas e é autora de vários livros, destacando-se “As Maravilhas de Alice” (Aslt-Adota, 2022, ilustrado, Não Ficção), “Elmano e Marília- Uma viagem no Sado”(CEB, 2020, ilustrado, Narrativa de Viagem), “Memórias do Meu Rio”(CEB, 2019, ilustrado, Poesia), “Sob o Olhar da Deusa”(CEB, 2ª ed., ilustrado, 2019, Contos), “Teu Mar em Meu Deserto” (CEB, 2011, Poesia), “Foral Antigo de Santarém”(Colibri, 2005, Ensaio), “O Cavaleiro e a Moura” (Colibri, 2004, Romance histórico), entre outros.

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