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Quotidianos

Papa Francisco em JMJ Lisboa 2023 - Fraternidade, Amor e Sonho.Antes perguntas lacerantes que respostas fáceis que anestesiam

. Nas palavras do Papa Francisco descobrirmos a energia que nos diz: Força, anda para diante!

“Tende a coragem de substituir os medos pelos sonhos”, disse, em Lisboa, o Papa Francisco, para não nos transformarmos em administradores do medo, em vez de sermos empreendedores de sonhos.

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Papa Francisco em JMJ Lisboa 2023 - Fraternidade, Amor e Sonho. Antes perguntas lacerantes que respostas fáceis que anestesiam

Por Jornal Rostos

A Jornada Mundial da Juventude, em Lisboa, foi um acontecimento que fica inscrito na memória. Um evento que tocou no coração e na consciência, as palavras ditas foram inscritas no pensar, sentidas com emoção e abraçadas com a razão.
Cada qual, na sua verdade, retirará desta vivência histórica, o que entender de acordo com os seus valores, a sua dimensão cultural.
Cada qual é livre de acordo com as suas convicções humanistas, espirituais, politicas e culturais, de ter uma visão e um olhar sobre este acontecimento histórico. Acredito que, ninguém fica indiferente.
Uns valorizam o milhão e meio de pessoas. Outros a dimensão mediática. Outros fixam-se nas palavras do Papa. Outros estão incomodados com as despesas e lucros.
Em suma, há opões para todos os gostos e interpretações, para todas as ideologias, visões e formas de estar no mundo. Esta realidade, é um exemplo vivo da vida democrática, da cultura democrática.

Cá por mim, que não me desloquei a sítio nenhum, e, apenas fui vivendo a par e passo, os vários momentos da Jornada Mundial da Juventude, através dos diversos canais de TV, que nestes dias, chegaram a cansar por excesso de palavreado, por mim centrei na vivência deste acontecimento da vontade no escutar, atentamente, as palavras do Papa Francisco, pessoa que admiro, pela sua dignidade, pelo seu ecumenismo, pela sua simplicidade, pela sua pureza de pensamento e humildade perante a vida.
Na verdade, é na força da sua palavra que reside a dimensão política, teológica, filosófica, ideológica a sua interpretação do mundo e a sua dimensão espiritual e cósmica.

Desde a primeira hora coloquei o meu interesse no acompanhamento que fiz da Jornada Mundial da Juventude, com esse desejo de escutar as várias intervenções do Papa Francisco e, em tempo real, reflectir com as suas palavras e retirar lições de uma experiência de vida universal-
Ele colocava sempre nas suas palavras a importância da reflexão, começando pela reflexão interior, o papel de cada um de nós no mundo, depois pensarmos a actualidade, os contextos históricos – da guerra, do mercado, da desumanização, das alterações climática, e o papel da Europa na história da Humanidade e no fazer futuro, ainda n as suas mensagens apontava o dedo ao papel das instituições e os seus contributos para contruir a palavra fraternidade.
Nas suas palavras escutei o futuro como um desafio onde a esperança não pode sucumbir perante os populismos.
As suas palavras levam-nos a pensar, a tentar compreender os erros, não estimula ódio, nem protagoniza confrontos, apela ao diálogo e ao encontrar caminhos que escrevam e vivam a palavra fraternidade.
É este, afinal, o papel de um líder, motivar-nos a pensar, através da sua visão da vida e do mundo – apontar caminhos.

Aqui e agora, pensei que o Papa Francisco, nesta presença num evento de dimensão mundial, e, perante milhões de jovens, eles, que são sempre, em todos os tempos a energia do futuro, iria apostar em partilhar as suas ideias e, aqui, em Lisboa, nesta fase do seu percurso eclesiástico, as suas palvras seriam um legado, um testamento, onde inscrevia as linhas centrais da sua visão da história, e, os desafios do futuro.
Foi isso que senti, na diversidade das suas intervenções e palavras.
No seu conjunto, são um verdadeiro testamento filosófico, politico e teológico, e, acima de tudo, considero que as suas intervenções são uma manual para a acção prática, para viver o que se pensa, e, dessa forma descobrir-se a alegria – palavra que repetiu várias vezes – que está inscrita na nossa consciência, ser o que somos.
Acredito que para crentes e não crentes – perante os desafios que se coloca no mundo de hoje, cada um de nós tem que assumir individualmente o seu papel na vida da comunidade, no agir. Calar é deixar que o silêncio amordace a consciência.

O Papa Francisco, é uma personalidade de dimensão mundial, a sua postura intelectual e humanista, é, só por si, um exemplo, de humanismo.
Neste ano 2023, com a sua idade de 86 anos, ele tem a consciência que esta Jornada Mundial da Juventude, sem dúvida, ficará como uma marca do seu pontificado.
Por essa razão, inscreveu em todas as suas intervenções, de forma serena e aberta, as ideias centrais da sua visão do mundo, os desafios que se colocam à Igreja, e, acima de tudo, o desafio que se coloca a cada ser humano no fazer humanidade.

Alertou, por exemplo, dirigindo-se aos jovens universitários: “Não devemos ter medo de nos sentir inquietos de pensar que tudo o que possamos fazer não basta. Neste sentido e dentro duma justa medida, ser descontente é um bom antídoto contra a presunção da autossuficiência e o narcisismo”.
Ou, como afirmou no Centro Cultural de Belém, que todos somos : “chamados a cultivar o sentido de comunidade, começando por ir ao encontro de quem vive ao seu lado”, valorizando o “sentido de vizinhança e solidariedade”.
Recordou que “o último estaleiro da esperança é o da fraternidade”.

Fui escutando as suas intervenções, e, na minha reflexão sistematizei o que considero serem as palavras força em Lisboa 2023: Fraternidade, Amor e Sonho.

As intervenções do Papa Francisco foram marcantes, dilacerantes, foram um grito dirigido a – todos, todos, todos – nas suas palavas colocou a energia do seu pensamento e deu à Jornada de Lisboa, uma dimensão de legado histórico.

No Centro Cultural de Belém, apresentou a sua visão da acção politica, e, centrou-se no reafirmar os valores do Tratado de Lisboa, e, desta forma sintetizou o que considera ser o papel da Europa no mundo, assim como a importância da cultura politica, filosófica e teológica e a história europeia, quer na valorização do Estado Social, quer na valorização do papel do individuo na história e da palavra fraternidade.
Defendeu que a Europa tem que ser inclusiva, multicultural, construtora de pontes e pacificadora, tem que ser uma europa de cidadãos, uma Europa que deve ser “estaleiro da esperança, que é o da fraternidade”.
Esta intervenção dirigida aos políticos, aponta caminhos para a vida politica, que deve ser realizada com ideias e ideais mobilizadores para a gestão da polis, e, na sua acção não perca a visão da cultura herdada da histórica. Donde viemos e para onde queremos ir. Respeito pelo que recebemos. Respeito pelo que queremos legar ao futuro.

Defendeu que a valorização da Fraternidade é o lugar que a Europa deve ocupar no mundo, e, assim, contribuir para a Paz, a segurança e para o desenvolvimento sustentável do planeta, não abdicando da solidariedade e o respeito mútuo entre os povos.

No Mosteiro dos Jerónimos deixou a mensagem para dentro da Igreja – “é muito triste” disse “quando nos transformamos em funcionários do sagrado”.
Só uma nota, isto é na Igreja, como pode ser nos partidos, nas empresas ou instituições. Os funcionários, os carreiristas, os sacrificados, são sempre tristes.
O Papa Franscisco, lançou o repto contra o desânimo e recordou que – “ a espiritualidade é o recomeço, não tenham medo”.
O papel da Igreja e de cada ser humano, crente ou não crente, é “despertar a esperança” e combater “a resignação”, do “pessimismo”.
Neste tempo de escândalos, onde existe o sofrimento de vítimas, situações que acentuam a desilusão, o Papa Francisco apelou para que cada jovem, cada um de nós, tenha uma “participação alegre, generosa e transformadora”, quer da Igreja, que ele abraça com energia de um jovem, quer pela humanidade.

Sublinhou, por exemplo, aos universitários, que é hora de nos fazermos à estrada, e substituir os rostos pelos ecrãs, o real pelo virtual, afinal, é tempo de preferirmos perguntas lacerantes, em vez de preferirmos as respostas fáceis que anestesiam.

“Tende a coragem de substituir os medos pelos sonhos”, disse Francisco, para não nos transformarmos em administradores do medo, em vez de sermos empreendedores de sonhos.
Foi convicto na sua intervenção ao defender a urgência de cuidarmos da “casa comum” e evitarmos esse caminho que “em nome do progresso, já abriu caminho ao retrocesso”.

“Não vos deixeis cair na cilada das visões parciais”, disse, e acrescentou que – “temos necessidade de uma ecologia integral, de escutar o sofrimento do planeta juntamente com os pobres”, porque, é preciso “devolver à economia a dignidade que lhe compete, para que não cai como presa do mercado selvagem da especulação”.

Em suma, se tinha uma consideração especial pelo Papa Francisco, as suas intervenções em Lisboa, fizeram-me sentir mais próximo deste homem, de grande cultura, simples, que sabe a força da palavra, que não usa palavras por usar, que não usa palavras para iludir, que não usa palavras para esconder, usa a palavra com o peso da palavra, o lugar onde nascem os ideias e os sonhos.
As palavras de um homem que diz o que pensa, com o coração, onde está inscrita a humildade, o amor e o respeito pela comunidade e por si mesmo.
É por isso que é uma personalidade de dimensão mundial pela sua postura intelectual e humanista.

Já adquiri o livro com todas as suas intervenções, nas JMJ 2023.
Vou ler atentamente, porque, sinto que ali, está uma experiência de vida, são lições e reflexões que nasceram na vida e floresceram em pensamento.
Aconselho a crentes e não crentes que leiam as palavras do Papa Francisco, elas dão coragem, dão energia, permitem pensar este tempo que vivemos, pensar o próprio quotidiano, a vida da polis e motivam-nos a cultivar a esperança, neste mundo onde se cultiva a ilusão, populismos, jogos do poder, mundos virtuais, nas palavras do Papa Francisco descobrirmos a energia que nos diz: Força, anda para diante!

António Sousa Pereira

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