Manuel Serrão, Miguel Esteves Cardoso e Rui Zink estão de voltaÉ o regresso d’ Os Senhores da Má Língua

Por Jornal Rostos
Quase 15 anos depois do fim d’ A Noite da Má Língua, um dos mais célebres programas da SIC, Manuel Serrão, Miguel Esteves Cardoso e Rui Zink juntaram-se a convite da Bertrand Editora para reviver as tertúlias de humor, sarcasmo, crítica política e social e analisar o país actual.
E porquê agora?
Porque «são 15 anos sem ter voz pública, daí a razão desta cimeira, para pôr em dia o pesadelo de 15 anos de apontamentos. O Rui tem cerca de 50 volumes, eu 40 e tal, e o Manel tem 30, portanto são 120 volumes de 300 páginas cada de reclamações e observações pertinentes», avança Miguel Esteves Cardoso no início do livro.
E ao longo das mais de 200 páginas do livro, os três mais não fazem do que dissecar os principais acontecimentos e mudanças ocorridas em Portugal nos últimos dez anos. Do governo de José Sócrates às grandes obras (a nova ponte sobre o Tejo, o futuro aeroporto e o TGV), passando pela criminalidade, o casamento e a violência doméstica, Os Senhores da Má Língua não tem tabus, reservas, preconceitos ou auto-censura.
«Facilitar os divórcios está muito bem, o que é preciso, se querem acabar com a pouca vergonha, é dificultar os casamentos. É a nova tendência», defende “o gajo do norte”. Mais: «é obscena a facilidade com que uma pessoa se casa. Ninguém pergunta nada», advoga Miguel Esteves Cardoso. «É, deviam era criar dificuldades ao casamento!», continua Manuel Serrão. «Isso é verdade. Tu, para dares aulas, precisas de ter um curso, uma licenciatura, qualquer coisa. Para casares, basta gostares da outra pessoa? Onde é que está a lógica disso?», questiona Rui Zink.
Algumas páginas à frente, já sobre o voto obrigatório, Rui Zink partilha a seguinte opinião «o voto obrigatório dá o direito a toda a gente, mesmo aos irresponsáveis, de fazer manifestações. Só faltava agora também ser obrigatório ter um curso para ser primeiro-ministro.»
E assim continuam, de tema em tema, a analisar o estado do país. A violência doméstica, por exemplo, foi outro dos temas mais detalhados. Segundo Manuel Serrão, «a violência doméstica é um falso problema, como foi sempre. Para já, hoje em dia as maiores vítimas da violência doméstica são os homens, e por isso mesmo é que ninguém já gosta de falar nisto. É o homem que chega a casa e vê a mulher na cama com outro, é o homem que chega a casa e vê os filhos abandonados, é o homem que chega a casa e vê a mulher a jogar Playstation, é o homem que chega a casa e vê a mulher a fumar, portanto, hoje em dia, a grande vítima da violência doméstica é o homem», ironiza.
Os Senhores da Má Língua é assim o resultado de uma sessão de maledicência, a fazer lembrar os velhos tempos, em que nada nem ninguém é poupado à sátira e ao humor acutilante dos autores.














