Fragmentos de biografias por Pierre AssoulineRosebud
Depois do lugar cimeiro conquistado em França, muito por causa do seu blogue La République des Livres, vinculado ao jornal diário Le Monde e um dos mais lidos pelos internautas franceses, Pierre Assouline estreia-se entre nós com Rosebud.

Por Jornal Rostos
“Citizen Kane também me fez biógrafo”, escreve o autor nas primeiras páginas do primeiro capítulo de Rosebud, obra que reúne fragmentos de biografias de várias personalidades históricas, de Kipling a Picasso, passando por Diana Spencer.
“Todos estes destaques de biografias são sombras de verdades. Isolá-los para os colocar um a um na lâmina fosca do microscópio é como inventá-los. Eles não têm existência histórica senão pela importância que se lhes concede. Extravagante talvez, resolutamente arbitrário e de tal modo subjectivo. No fundo que importa que o essencial de uma vida consista no inefável”, acrescenta.
Rosebud é sobre isso mesmo, sobre esse pormenor indescritível que se eleva e abre horizontes insuspeitos. “(…) pode ser uma vestimenta, um objecto, um gesto. Uma obra de arte eventualmente. Ou uma madalena. Talvez um traço ou um sinal. Às vezes mesmo uma simples página de um livro. Ou uma palavra.”, defende Pierre Assouline.
“Há mais de trinta anos que procuro esse rosebud (botão de rosa) em cada um”, escreve ele logo no início do primeiro capítulo. E embora indizível, a força que o leva a isolar a parte de um todo é algo que se sente a desabrochar em cada página deste livro.
Nascido em Casablanca em 1953, autor de 4 romances, dez biografias (entre elas a do editor Gallimard, do fotógrafo Cartier-Bresson, de Hergé - criador do famoso Tintin -, e do escritor Simenon), trabalhou vinte anos na revista Lire (dez como director), Pierre Assouline é actualmente um dos bloguistas mais lidos em França.
Assouline, que também escreve para o Le Nouvel Observateur e para a Magazine Littéraire, acredita que “o blog é o meio mais rigoroso porque quando cometo um erro ou omissão, de seguida há algum leitor que mo faz saber e faço a correcção na hora, enquanto que na imprensa os equívocos se perpetuam”.
Homem de referência do jornalismo cultural europeu, Pierre Assouline venceu em 2005 o Prix des Maisons de la Presse (com o romance Lutetia) e em 2007 o Prix de la Langue Française.
Chancela: Bertrand Editora
174 Páginas | PVP: 14,90 €
Tradução de Manuel José Trindade Loureiro e Maria Helena Simões Loureiro














