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Quotidianos

PAULO RANGEL LANÇA LIVRO DE "REFLEXÃO POLÍTICA""UMA DEMOCRACIA SUSTENTÁVEL" TEM PREFÁCIO DE ANTÓNIO BARRETO

"Uma Democracia Sustentável" reúne 10 anos de textos escritos sobre temas institucionais, de justiça, de políticas sociais, de coesão territorial e de estratégia europeia e global. O livro será apresentado no Porto, no dia 13 de Novembro, (no Palácio da Bolsa) pelo colunista da Visão e Vice-Presidente da Impresa, Pedro Norton.

3 min de leitura

Por Jornal Rostos

Excerto do prefácio de António Barreto
"Paulo Rangel traz à política algo que muita falta nos faz: cultura. Não o vejo limitar-se ao raciocínio táctico ou à maledicência partidária, muito menos à exibição satisfeita da sua vaidade. Escreve sem clichés nem lugares comuns, bateria obrigatória da maior parte das intervenções públicas dos nossos políticos. Fala sem recorrer a frases feitas e a fórmulas inventadas para a televisão, ingredientes indispensáveis para a expressão dos políticos medíocres que abundam em Portugal e na Europa. Ora, o problema não é só de estilo ou de “letras”. Quem assim fala e escreve é porque pensa assim. A experiência académica de Rangel é visível no modo como argumenta e discute. Noto até, suprema raridade, a revelação de dúvidas, mesmo quando defende as suas causas. Sabemos que a tradição política é a da afirmação, mas também é conhecido que essa está ao alcance de todos, enquanto a exibição da dúvida não. Pensar faz tanta falta à política como a qualquer outra actividade. E Rangel gosta de o fazer."

Excerto das notas de abertura de Paulo Rangel
"O duríssimo transe por que passa Portugal torna mais aceitável e atractiva a ideia que perpassa pelas linhas e, mais ainda, pelas entrelinhas do livro: tal como as finanças públicas e tal como o ambiente, os regimes políticos também carecem de fundamentos de sustentação. De algum modo, e em vários passos, a sucessão de textos e a sua localização no tempo documentam a erosão progressiva e deslizante da qualidade da democracia portuguesa. Um país que não tira partido das virtualidades “idiossincráticas” do seu sistema de governo; um país que não percebe a “capilaridade” do sentimento da intermitência da justiça; um país que vive do “ilusionismo social”, reproduzindo e amplificando a sua classe aristocrática; um país que não arrisca a reinvenção de um conceito estratégico nacional à luz da equação europeia; um país que recusa veementemente, e todos os dias, a construção da coesão territorial; um país que não interiorizou a mudança do contexto internacional; um país que não cultiva quotidianamente as virtudes da dimensão pública da cidadania; um país que não reconhece a discreta excelência dos seus melhores. Um regime democrático – este concreto regime democrático – num país com estes estrangulamentos e disfunções caminha, ao ritmo de passadas longas e largas, para as paragens da insustentabilidade. (...) A questão portuguesa é, portanto, de validade ou de legitimidade e não, como a muitos parece, uma “mera” questão de eficácia ou de gestão. Gerou-se, portanto, um fosso de legitimidade, seja do título, seja do exercício. De legitimidade do título – isto é, de natureza institucional –, como pode ver-se nos capítulos em é proposta a leitura mais presidencial do sistema de governo, justificada a refundação das relações entre a justiça e a política, advogada a resolução constitucional e estratégica do enquadramento europeu de Portugal ou explicada a “internalização” da ordem global fundada no 11 de Setembro. Mas também de legitimidade do exercício – isto é, de jaez substancial ou substantivo –, como pode aferir-se na ideia da redefinição do valor da igualdade nas políticas públicas, no imperativo da assunção da equidade territorial no concerto político ou na identificação da virtude cívica na vida pública."

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