Mostra de Livros Proibidos no BarreiroPara que não o esqueçamos e…para que não se repita
Uma exposição que vale a pena visitar e, olhando aqueles títulos e autores, podemos sentir e pensar, sobre as características de um regime que não permitia a Liberdade e era um entrave ao desenvolvimento da cultura e do progresso.

Por Jornal Rostos
Fica aqui o registo. Visite a exposição e sinta, sinta com o olhar e com o pensamento, como, afinal, existiu, existiu mesmo em Portugal, um regime político onde era “proibido ler”.
E, ali, naqueles livros expostos, pode, igualmente, reflectir sobre o papel e a importância do associativismo na formação humanista e na defesa da Liberdade.
Muitos daqueles livros estiveram escondidos, emparedados, acabando por ver a luz do dia após o 25 de Abril.
Visite, acredite que vale a pena…
Divulgamos o texto sobre a Exposição editado pela da Câmara Municipal do Barreiro:
“O golpe militar de 28 de Maio de 1926 instituiu a pratica da censura em Portugal ao nível da imprensa através da denominada censura prévia como forma de controlo da opinião pública. No Estado Novo, mediante o Decreto-Lei nº 22.469 de 11 de Abril de 1 933 são sujeitas a censura todas as publicações que «versem assuntos de carácter político e social» (Artº 2), reflectindo o espírito da Constituição segundo a qual era responsabilidade do Estado a protecção da opinião pública de «todos os factores que a desorientem contra a verdade, a justiça, a boa administração e o bem comum» ( Artº 20).
Tal como é possível de ler no catálogo Livros Proibidos no Estado Novo, edição da responsabilidade da Assembleia da República (2005), «Apesar dos crescentes esforços legislativos, a censura aos livros exerceu-se sempre de forma pouco consistente, dependendo, em grande parte, de denúncias, da colaboração de editores e livreiros, da intervenção da polícia política e da cumplicidade de entidades como os Correios ou a Guarda Fiscal» (p. 10).
A resistência à ditadura de Salazar-Caetano passava também pela resistência censura que coarctava os espíritos e pretendia mantê-los no obscurantismo, proibindo obras que versavam sobre os mais variados temas, desde a contestação frontal ao regime, a escritores ligados à corrente neo-realista nacionais ou estrangeiros, a autores de referência dos ideais libertários e socialistas, a temas históricos, religiosos, filosóficos ou defensores da emancipação feminina e relativos à sexualidade, entre outros.
Nas Bibliotecas das várias colectividades do Barreiro, apesar da política censória, esses livros circulam, passam de mão em mão de forma clandestina, são lidos e eram gerações de leitores que conquistam, através do desfolhar de páginas, o direito à liberdade de opinião e de pensar
A Mostra de Livros aqui apresentada, não sendo exaustiva, pretende ilustrar a realidade da censura que então vigente. Outros títulos haveria, outros autores, muitos, demasiados, um só livro bastaria. Para que não o esqueçamos. Para que não se repita”.
As obras expostas são oriundas das Bibliotecas das seguintes associações:
Cooperativa Cultural Popular Barreirense
Cooperativa Cultural Operária Barreirense
Futebol Clube Barreirense
Luso Futebol Clube
Sociedade Cultura e Recreio 1º de Agosto Paivense -
Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense
Sociedade de Instrução e Recreio Barreirense Os Penicheiros”














