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Quotidianos

Mostra de Livros Proibidos no BarreiroPara que não o esqueçamos e…para que não se repita

Na Galeria Municipal de Arte do Barreiro está patente ao público uma «Mostra de Livros Proibidos» com obras do espólio de diversas associações do concelho do Barreiro.

Uma exposição que vale a pena visitar e, olhando aqueles títulos e autores, podemos sentir e pensar, sobre as características de um regime que não permitia a Liberdade e era um entrave ao desenvolvimento da cultura e do progresso.

3 min de leitura
Mostra de Livros Proibidos no Barreiro Para que não o esqueçamos e…para que não se repita

Por Jornal Rostos

Fica aqui o registo. Visite a exposição e sinta, sinta com o olhar e com o pensamento, como, afinal, existiu, existiu mesmo em Portugal, um regime político onde era “proibido ler”.
E, ali, naqueles livros expostos, pode, igualmente, reflectir sobre o papel e a importância do associativismo na formação humanista e na defesa da Liberdade.
Muitos daqueles livros estiveram escondidos, emparedados, acabando por ver a luz do dia após o 25 de Abril.
Visite, acredite que vale a pena…

Divulgamos o texto sobre a Exposição editado pela da Câmara Municipal do Barreiro:

“O golpe militar de 28 de Maio de 1926 instituiu a pratica da censura em Portugal ao nível da imprensa através da denominada censura prévia como forma de controlo da opinião pública. No Estado Novo, mediante o Decreto-Lei nº 22.469 de 11 de Abril de 1 933 são sujeitas a censura todas as publicações que «versem assuntos de carácter político e social» (Artº 2), reflectindo o espírito da Constituição segundo a qual era responsabilidade do Estado a protecção da opinião pública de «todos os factores que a desorientem contra a verdade, a justiça, a boa administração e o bem comum» ( Artº 20).

Tal como é possível de ler no catálogo Livros Proibidos no Estado Novo, edição da responsabilidade da Assembleia da República (2005), «Apesar dos crescentes esforços legislativos, a censura aos livros exerceu-se sempre de forma pouco consistente, dependendo, em grande parte, de denúncias, da colaboração de editores e livreiros, da intervenção da polícia política e da cumplicidade de entidades como os Correios ou a Guarda Fiscal» (p. 10).

A resistência à ditadura de Salazar-Caetano passava também pela resistência censura que coarctava os espíritos e pretendia mantê-los no obscurantismo, proibindo obras que versavam sobre os mais variados temas, desde a contestação frontal ao regime, a escritores ligados à corrente neo-realista nacionais ou estrangeiros, a autores de referência dos ideais libertários e socialistas, a temas históricos, religiosos, filosóficos ou defensores da emancipação feminina e relativos à sexualidade, entre outros.

Nas Bibliotecas das várias colectividades do Barreiro, apesar da política censória, esses livros circulam, passam de mão em mão de forma clandestina, são lidos e eram gerações de leitores que conquistam, através do desfolhar de páginas, o direito à liberdade de opinião e de pensar

A Mostra de Livros aqui apresentada, não sendo exaustiva, pretende ilustrar a realidade da censura que então vigente. Outros títulos haveria, outros autores, muitos, demasiados, um só livro bastaria. Para que não o esqueçamos. Para que não se repita”.

As obras expostas são oriundas das Bibliotecas das seguintes associações:

Cooperativa Cultural Popular Barreirense
Cooperativa Cultural Operária Barreirense
Futebol Clube Barreirense
Luso Futebol Clube
Sociedade Cultura e Recreio 1º de Agosto Paivense -
Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense
Sociedade de Instrução e Recreio Barreirense Os Penicheiros”

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