«A Questão da Ética Pública no Século XXI» apresentada no Governo Civil de SetúbalAutor considera que a ética está em relativo declínio
A obra foi apresentada pelo Governador Civil do Distrito de Setúbal, Manuel Malheiros, que a descreveu como um “magnífico livro”, “maduramente pensado e em muitos aspectos vivido”, onde se defende a tese de que na Administração Pública a conduta ética deve ser tão valorizada na gestão da coisa pública como os princípios da eficácia, da eficiência ou da economia.

Por Jornal Rostos
“Deve ter sido difícil escrever este livro. Muitas noites de reflexão e mesmo de angústia face ao que estudou e face ao que tem vivido. Pelo seu esforço pedagógico, pelo seu combate por uma melhor administração pública, por uma democracia em que nos sintamos todos realizados, e com a qual nos sintamos todos identificados, por este seu esforço muito obrigado Dr. Alcídio Torres”, disse o Governador Civil.
Para Manuel Malheiros trata-se de um trabalho teórico apoiado em sólida investigação, como se pode ver nas citações e nos documentos de apoio que se encontra ao longo do livro. “As opiniões são sempre precedidas dum exame da teoria científica e das experiências alheias, e nossas, sobre o tema em análise. Abre com duas citações separadas por um século. Marie Curie, que diz em 1900 «é hora de compreender», Edgar Morin que diz em 2000 «a humanidade é sobretudo uma noção ética». Alcídio Torres convida-nos assim a compreender e a converter ética em humanismo”.
Referindo que os problemas da ética nunca foram tão oportunos como nos tempos que correm, Maria Amélia Antunes, presidente da Câmara Municipal do Montijo, reforçou que “o trabalho e a investigação” que o Alcídio Torres colocou neste livro são “um bom instrumento de análise, de reflexão e também de prospecção e de pro-actividade para o futuro”.
A autarca deu especial destaque à proposta que o autor faz de criação de uma Rede Nacional de Ética. “Porque de facto haver comissões de ética sem terem de facto uma estrutura que controle, que faça a monitorização, que responda a resultados, que responsabilize, que corrija, não é seguramente eficaz”, concluiu.
A Rede Nacional de Ética Pública sugerida no livro teria, segundo Alcídio Torres, a finalidade de promover actividades no âmbito da conduta ética, garantir uma maior transparência do sistema, uma maior vigilância dos comportamentos políticos e públicos, bem como um maior rigor no recrutamento dos mesmos.
No livro “A Questão da Ética Pública no Século XXI” o autor considera que a ética está em relativo declínio.
“Tudo aquilo que vivemos no mundo ocidental nos últimos 30 anos demonstra que houve uma subestimação dos padrões éticos na sociedade ocidental. Os modelos empresariais aplicados à administração pública, muitas vezes de uma forma cega, subestimaram os padrões éticos, nos comportamentos dos servidores públicos e dos próprios políticos”, disse.
Para Alcídio Torres o que está, verdadeiramente, em causa neste século é a “democracia e a sua consolidação, que assenta essencialmente na confiança pública, uma confiança pública que se conquista com servidores públicos que não desprezem o elemento ético da sua conduta, que saibam decidir, não só entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o conveniente e inconveniente, o oportuno e o inoportuno, mas principalmente entre o honesto e o desonesto”.
Concluindo a sua intervenção, Alcídio Torres defendeu a ideia de que “o Estado português se quiser ombrear com os países que lutam pelo primado da democracia sobre o mercado não se pode atrasar mais da inadiável e importante missão de estruturar um pensamento ético para a administração pública no século XXI”.














