Na Cooperativa Cultural Popular Barreirense - BarreiroLançamento da obra «A oitava colina» de Modesto Navarro
“Este livro vem dos confins de Trás-os-Montes, dos resistentes ao fascismo, da afirmação das mulheres e dos homens, dos jovens que foram influenciados pela campanha eleitoral de Humberto Delgado e pela situação de miséria e opressão do salazarismo." - é referido na apresentação da obra.

Por Jornal Rostos
António Modesto Navarro nasceu em Vila Flor, em 3 de Fevereiro de 1942.
Não teve uma infância fácil, trabalhando na oficina de ferrador de seu pai desde os 10 anos até aos 21. Cumpriu o serviço militar como fuzileiro naval (1963-1967), parte dele em Moçambique, durante a guerra colonial. Regressado a Portugal, dedicou-se à publicidade em duas importantes agências de Lisboa. Em 1975 ingressa no quadro do Ministério da Cultura, de que foi técnico superior principal, encontrando-se ligado de forma especial às áreas da animação, do associativismo e da descentralização, bem como à definição de estratégias de desenvolvimento cultural.
Desde muito jovem que, em consonância com a sua inclinação política (militante do Partido Comunista Português desde 1971), se encontra ligado a cooperativas e associações culturais, entre elas a Devir, a Associação Portuguesa de Escritores (de que foi fundador), a Associação do Nordeste Transmontano, a Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro em Lisboa, a Sociedade Voz do Operário, etc.
Participou em incontáveis colóquios, seminários e encontros de diversa índole, e nomeadamente no 3º Congresso da Oposição Democrática de 1973. Desenvolveu intensa actividade política antes e depois do 25 de Abril.
A sua actividade literária inicia-se em 1968 com um livro de contos, Libelo Acusatório, prefaciado por José Saramago. Publicou até hoje 38 obras, na sua maior parte de ficção (21 romances e 7 livros de contos), 7 de levantamentos sociológicos e reportagens, 2 de poesia e uma recolha de textos de poetas populares alentejanos. Pode assim dizer-se que António Modesto Navarro é de longe o mais fecundo ficcionista do Nordeste Trasmontano. Muitas das suas obras têm por pano de fundo o Nordeste Trasmontano, com a sua falta de perspectivas para os jovens, as difíceis condições de sobrevivência, a prepotência dos ricos e poderosos, as histórias da emigração.
Modesto Navarro pode considerar-se um escritor realista, mas de um “novo período do realismo, na fronteira do inquérito social”, como disse Sottomayor Cardia num artigo destinado à revista Seara Nova, que aliás seria proibido pela censura. Talvez seja isso afinal o “realismo crítico” de que o escritor se reclama. Ou seja: um olhar crítico sobre a realidade, denunciando situações de injustiça, de exploração, de opressão, de miséria, e ao mesmo tempo exprimindo uma confiança cega num porvir de onde sejam definitivamente erradicadas essas situações.
A sua última obra é “A OITAVA COLINA”
“Este livro vem dos confins de Trás-os-Montes, dos resistentes ao fascismo, da afirmação das mulheres e dos homens, dos jovens que foram influenciados pela campanha eleitoral de Humberto Delgado e pela situação de miséria e opressão do salazarismo.
Na década de 1960 principiaram a guerra colonial e a emigração para a Europa. A experiência da vida de então em Lisboa, a resistência, a formação dos soldados, a guerra em África e a construção do 25 de Abril na clandestinidade e no movimento democrático (CDE) estão nestas páginas, na vontade de viver e de lutar dos trabalhadores e dos intelectuais conscientes e interventivos, na prisão e na tortura, na Revolução e depois, até agora, numa nova resistência que se impõe para transformarmos a vida.
Este é um livro de amor, de libertação e afirmação humana no interior do país e em Lisboa.
A oitava colina de Lisboa é a liberdade”














