Saltar para o conteúdo
Quotidianos

Clube da Arrábida desiste da acção judicial para impedir dragagens no SadoGanhar ou perder não irão impedir a degradação ambiental

"A degradação que já se assiste, e irá persistir nos tempos próximos, nomeadamente ao nível da dimensão das praias, será o melhor, e mais triste, testemunho da razão que assistia ao Clube quando apelou aos Tribunais para que, preventivamente, impedissem as obras patrocinadas pela APSS- Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra ."- refere o Clube Arrábida.

4 min de leitura
Clube da Arrábida desiste da acção judicial para impedir dragagens no Sado Ganhar ou perder não irão impedir a degradação ambiental

Por Jornal Rostos

O Clube da Arrábida apresentou, junto do Tribunal Administrativo de Lisboa, o pedido de desistência da acção principal que havia proposto contra a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS) e Mota Engil, a propósito da empreitada da obra de melhoria das
acessibilidades ao Porto de Setúbal, que prevê a dragagens em duas fases de um total de 6,5 milhões de metros cúbicos de areia do rio Sado.

Não tendo a providência cautelar que visava impedir as obras de dragagem proposta por este Clube, sido decretada, permitiu que, com a conivência de vários organismos públicos, nomeadamente da APA, se iniciassem e executassem os trabalhos de dragagem e, nessa
medida tornou-se hoje realidade a degradação ambiental do estuário do Rio Sado e das praias que dele fazem parte.

Recordamos que o Clube da Arrábida deu entrada da referida providência cautelar no tribunal administrativo de Almada em Setembro de 2018, o qual não a decretou, tendo o Clube recorrido para o Tribunal Central Administrativo, que viria a dar razão parcial ao Clube em
meados de 2019. Contudo a APSS recorreu da decisão para o Supremo Tribunal Administrativo que acabou por invalidar a decisão do TCA, dando “carta branca” ao início das obras de dragagem do rio Sado, entretanto já concluídas.

A decisão de desistência da acção principal, agora tomada, teve por fundamento a constatação, óbvia, de que pouco ou nada vale continuar a demanda jurídica, já que os verdadeiros efeitos imediatos que se pretendia evitar são já uma realidade irreversível. O que
movia o Clube, com o recurso aos tribunais, era evitar o “descalabro” ambiental que mais cedo do que tarde será uma realidade por todos lamentada, nomeadamente por aqueles que, podendo, nada fizeram para a evitar.

Produzido o dano ambiental sobretudo ao nível das praias da zona da Arrabida, de pouco ou nada vale a este Clube ganhar ou perder a acção principal: a vaidade de ganhar ou a tristeza de perder já não irão impedir a degradação ambiental a que já se assiste como por exemplo o contínuo desassoreamento das praias, que seguramente será perpetuado com o “selo ambiental” das entidades públicas competentes. Recordamos que no final do verão passado, o Clube da Arrábida escreveu uma carta aberta ao Ministro do Ambiente, APA, ICNF e Câmara Municipal de Setúbal, alertando para o grave desassoreamento das praias da Arrábida que tem como uma provável causa, as dragagens no canal de acesso ao Porto de Setúbal. Infelizmente, o Clube não recebeu até hoje qualquer resposta oficial a essa carta
A degradação que já se assiste, e irá persistir nos tempos próximos, nomeadamente ao nível da dimensão das praias, será o melhor, e mais triste, testemunho da razão que assistia ao Clube quando apelou aos Tribunais para que, preventivamente, impedissem as obras
patrocinadas pela APSS. Esperemos que as entidades e indivíduos que nada fizeram para impedir a actuação da APSS possam continuar, em consciência, a conviver com os “frutos” ambientais” dessa actuação, pelo menos até ao dia em que as futuras gerações os interpelarem quanto à razão da sua inércia e cumplicidade: os membros o Clube da Arrábida é que jamais conviveriam com o facto de nada terem feito para evitar essa inqualificável forma de destruição de um património natural único em Portugal.

Clube da Arrábida
Pedro Vieira
Presidente

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção