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Jornadas de Direito do Ambiente de SetúbalProteção ambiental tem tutela constitucional no ordenamento jurídico português

Profissionais com atividade no setor do Direito do Ambiente estão reunidos hoje numa conferência em Setúbal, que, na sessão de abertura, destacou a necessidade de implementação de ações concretas em matéria de proteção ambiental.

O presidente da Câmara Municipal de Setúbal, André Martins, convidado para a sessão de abertura, assinalou o compromisso da autarquia em matéria de proteção ambiental.
“Setúbal tem como linha estratégica de trabalho a construção de uma sociedade cada mais interventiva, também no que diz respeito aos desafios ambientais. A defesa do ambiente é uma emergência a nível global na qual Setúbal está seriamente empenhada”, afirmou.

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Jornadas de Direito do Ambiente de Setúbal Proteção ambiental tem tutela constitucional no ordenamento jurídico português

Por Jornal Rostos

As I Jornadas de Direito do Ambiente, a decorrer até ao final da tarde no Cinema Charlot – Auditório Municipal, conta com a participação de diversos elementos da comunidade jurídica, como magistrados judiciais e do Ministério Público e advogados, para debate de temáticas ligadas à proteção do ambiente.

Na abertura, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça e do Conselho Superior da Magistratura, Henrique Araújo, sublinhou que “a dimensão do risco ambiental é tal que, deixar a cada um a capacidade de o gerir, implica fazer fé em poderes individuais que o Homem não tem”, justificando que a manutenção da vida a longo prazo requer “urgência na ação”.

O juiz conselheiro, ao relembrar que a proteção ambiental tem tutela constitucional no ordenamento jurídico português, destacou a procura de novas formas de produção de bens e serviços, a reutilização e reciclagem de materiais e o investimento em energias alternativas como “vias concretas para evitar o colapso ambiental”.

Ao defender uma atuação sistematizada noutros domínios, fora do âmbito jurídico, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça defendeu a necessidade de intensificação de campanhas de sensibilização e preservação do ambiente e de educação ambiental junto dos cidadãos.

“Não é possível obter resultados sustentáveis a médio e longo prazo quando o consumo de aparelhos tecnológicos se faz de forma desenfreada”, argumentou Henrique Araújo.

O magistrado alertou para a carência de recursos para fiscalizar o cumprimento de normas relativas ao Direito do Ambiente, o que o leva a concluir que “de pouco serve haver instrumentos legais bem concebidos se não houver meios para os fazer cumprir”.

O presidente da Câmara Municipal de Setúbal, André Martins, convidado para a sessão de abertura, assinalou o compromisso da autarquia em matéria de proteção ambiental.

“Setúbal tem como linha estratégica de trabalho a construção de uma sociedade cada mais interventiva, também no que diz respeito aos desafios ambientais. A defesa do ambiente é uma emergência a nível global na qual Setúbal está seriamente empenhada”, afirmou.

André Martins sublinhou que, sem contar com outros regimes de classificação ou de proteção, como é o caso dos sítios da Rede Natura 2000, em Setúbal mais de 50 por cento do território é área protegida.

“Setúbal tem uma acrescida responsabilidade na defesa do ambiente, em particular porque a singularidade científica do nosso património ecológico, ambiental e paisagístico eleva o grau de exigência e responsabilidade quanto à sua proteção e salvaguarda”, sustentou.

O presidente do município falou também da necessidade de ação por parte da administração central. “É no Estado central que reside a real capacidade de intervenção, em especial na fiscalização e correção de problemas que, num território com as características do nosso, surgem com alguma frequência.”

Já o presidente do ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e da Delegação de Setúbal, Nuno Banza, falou da importância do encontro, o qual tem como objetivo debater questões relacionadas com o Direito do Ambiente na Comarca de Setúbal, constituída pelos municípios de Setúbal, Palmela, Sesimbra, Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém e Sines.

“Setúbal e os concelhos limítrofes dispõem de um valor natural reconhecido e responsável por uma parte significativa da qualidade de vida que existe nestes territórios e esse facto é, só por si, justificação mais do que suficiente para nos preocupar, para nos inquietar e para a realização de encontros como o de hoje”, sublinhou.

Na sessão de abertura da conferência, o dirigente afirmou que a pandemia de covid-19 trouxe circunstâncias que devem ser consideradas, como a “inegável” importância da saúde humana e ambiental e da biodiversidade.

“Não podemos desconsiderar o facto de precisarmos de solos férteis, saudáveis e aráveis para produzir alimento, de precisarmos de água de qualidade, sem poluição e sem químicos. Se não, o Homem será a primeira vítima dessa desconsideração”, advertiu Nuno Banza.

Também o inspetor-geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, José Brito e Silva, a quem coube a última intervenção da sessão de abertura, reafirmou a necessidade de uma defesa efetiva do ambiente.

“A degradação do ambiente e dos recursos naturais trouxe para a primeira linha das preocupações à escala global a urgência de assegurar uma efetiva e não apenas formal proteção do ambiente como extensão da condição humana”, referiu.

A 1.ª edição das Jornadas de Direito do Ambiente, com encerramento agendado para as 17h00, é um evento organizado pela Comarca de Setúbal, com a colaboração da IGAMAOT – Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, do ICNF e da Delegação de Setúbal da Ordem dos Advogados, com apoio da Câmara Municipal de Setúbal.

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