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Reabertura do Centro de Educação Ambiental - BARREIROApostar numa abordagem inovadora do espaço da Mata da Machada como função terapêutica

Nuno Banza, vereador responsável pela área do Ambiente da Câmara Municipal do Barreiro, na cerimónia de reabertura do Centro sublinhou que o mais importante - “é o caminho que aqui hoje se começa a construir”, o qual é – “fruto da vontade da Câmara do Barreiro e da estreita colaboração com a Autoridade Florestal Nacional”.

Recordou que – “o caminho que nos trouxe até aqui mostrou que este equipamento foi ganhando espaço próprio no seio da comunidade, tendo-se envolvido ao longo do tempo com um cada vez maior e mais diversificado número de instituições e entidades.”

“Importa referir também os trabalhos em curso no sentido de envolver activamente os agentes de saúde do concelho, estimulando uma abordagem inovadora do espaço da Mata, como função terapêutica, contribuindo assim de forma determinante para a qualidade de vida das populações do concelho.” – sublinhou Nuno Banza.

9 min de leitura
Reabertura do Centro de Educação Ambiental - BARREIRO Apostar numa abordagem inovadora do espaço da Mata da Machada como função terapêutica

Por Jornal Rostos

Hoje, dia 21 de Março, realizou-se a cerimónia de reabertura do Centro de Educação Ambiental da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina.
Divulgamos o texto integral da intervenção do Vereador Nuno Banza, responsável pela área do Ambiente, da Câmara Municipal do Barreiro:

Bom dia,

Permitam-me que diga a todos os que se encontram aqui hoje sem excepção, e com um grande orgulho, que sejam bem-vindos ao Centro de Educação Ambiental da Mata Nacional da Machada e do Sapal do Rio Coina,

Hoje a Câmara Municipal do Barreiro assinala simbolicamente a reabertura do Centro, um equipamento que estamos certos ser já uma referência no compromisso que o Barreiro assume no dia-a-dia, relativamente às questões da sustentabilidade ambiental.

E digo simbolicamente, porque o mais importante nesta reabertura é o caminho que aqui hoje se começa a construir. Fruto da vontade da Câmara do Barreiro e da estreita colaboração com a Autoridade Florestal Nacional, proprietária deste edifício, o caminho que nos trouxe até aqui mostrou que este equipamento foi ganhando espaço próprio no seio da comunidade, tendo-se envolvido ao longo do tempo com um cada vez maior e mais diversificado número de instituições e entidades.

Desse envolvimento nasceu e cresceu uma estrutura, que acumulou experiência e conhecimentos, tendo vindo ao longo do tempo a melhorar a forma como interagiu com a comunidade, na expectativa de dar resposta às necessidades cada vez mais prementes, de uma intervenção consequente em matéria de educação ambiental, no concelho do Barreiro.

A experiência dos primeiros anos de actividade mostrou algumas fragilidades da intervenção que se desenhou no início, em especial no que toca às condições infra-estruturais, tendo a Câmara tomado a decisão de investir na melhoria das condições em que o Centro desenvolvia a sua actividade. Ao mesmo tempo, o conhecimento acumulado evidenciou o forte potencial em presença que, quer a Mata, quer o Sapal, representam em termos da qualidade de vida dos cidadãos do Barreiro.

Hoje em dia, não faz sentido falar de ambiente nas cidades, sem que se envolva de forma estreita a qualidade de vida, em especial porque o principal desafio das cidades de hoje não é apenas albergar mais habitantes, mas acima de tudo, qual o nível de qualidade de vida que lhes proporcionam.

No contexto de um investimento relevante feito pela Autarquia, no sentido de melhorar as condições de funcionamento do Centro, impunha-se uma reflexão profunda, que permitisse integrar o conjunto de conhecimentos adquiridos, e ao mesmo tempo potenciar esse investimento para o futuro.

O resultado dessa reflexão apontou duas áreas prioritárias em que o Centro deveria intervir.

Em primeiro lugar, a forma como o Centro comunicava com a comunidade. Sendo já bastante proveitosa, e de que é exemplo o Boletim Folha Viva, já na 20ª Edição, esta carecia de uma reformulação. Após um inquérito aos leitores, o que os Srs. têm na mão hoje é um novo Folha Viva, mais adaptado aos interesses dos leitores, com mais informação e um novo design gráfico, possível apenas através da parceria que se mantêm desde o seu início com o Jornal Rostos. Mas o futuro trará novas parcerias que permitirão envolver mais directamente a comunidade e potenciar assim a necessária ligação do centro aos seus públicos-alvo.

Em segundo lugar, tornava-se necessário consolidar a ligação do Centro à Comunidade, e assim, passar de uma abordagem reactiva em que o envolvimento acontecia como consequência de estímulos vindos de fora, para uma abordagem proactiva, procurando parcerias e formas de colaboração, que estimulassem a relação estreita entre o Centro e um conjunto diversificado de instituições e entidades da sociedade civil.

Desde logo, a estreita colaboração com a Escola de Fuzileiros da Marinha, que se mantêm desde o início deste projecto, que tem permitido proporcionar aos jovens um diversificado conjunto de actividades na área do desporto, cultura, recreio e lazer, e que tem sido uma das origens do sucesso da intervenção do centro na comunidade.

No envolvimento dos jovens nas actividades do Centro, uma colaboração tem sido determinante para o sucesso de várias acções ao longo dos anos. Ainda que com carácter não sistemático, o Instituto Português da Juventude tem apoiado a importante tarefa de vigilância de fogos na época de maior risco, actividade de grande relevância para a Mata e que o Centro tem levado a cabo desde a sua criação e que envolve anualmente dezenas de jovens do concelho numa actividade de extrema relevância para a comunidade.

Por outro lado, com os 6 agrupamentos de Escuteiros do Concelho, que tem permitido as diversas actividades de limpeza da mata, identificação de espécies, marcação de percursos interpretativos e actividades próprias dos agrupamentos, que têm trazido à Mata um número muito significativo de crianças e jovens, acompanhados pelas suas famílias.

No que toca à sociedade civil, impunha-se uma relação mais estreita com as Associações de reformados e idosos e com Instituições Particulares de Solidariedade Social, não apenas no apoio directo às actividades que já actualmente realizam no espaço da Mata, mas ao mesmo tempo, potenciar a utilização dos recursos do centro e das condições criadas na Mata, como os percursos pedestres instalados, bem como o envolvimento num conjunto de actividades ligadas à melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.

Ao mesmo tempo pretende-se um esforço sério no envolvimento de entidades como clubes desportivos e recreativos, que possam estimular a utilização da Mata da Machada e os recursos do centro, numa perspectiva de envolvimento dos cidadãos na tarefa de conservação do espaço florestal, motivando-os para a intervenção cívica que permitirá garantir o futuro deste espaço florestal.

Ainda na Sociedade Civil, a estreita colaboração com as ONG’s de Ambiente é determinante para assegurar uma adequada adaptação da intervenção do centro às mais recentes formas de intervir em matéria de ambiente e de sustentabilidade, tendo-se por isso feito um esforço por envolver as mais relevantes e que maiores garantias dão de uma colaboração profícua.

No campo da investigação e do conhecimento, havia que estimular o contacto permanente com as Instituições de Ensino Superior, em especial as geograficamente mais próximas, numa óptica de proporcionar uma lógica de trabalho comum, em que o conhecimento detido pelas instituições possa ser colocado ao serviço da comunidade, de forma concreta e que deixe no terreno marcas da sua importância.

No domínio empresarial, quer público quer privado, o envolvimento do centro com sectores que intervêm na área do ambiente, permitirá a sua ligação ao terreno e estimulará a promoção das soluções ambientalmente mais adequadas em áreas-chave para o desenvolvimento sustentável.

Porém, este caminho não estará nunca concluído sem a necessária ligação de proximidade às populações, em especial aquelas que mais perto estão deste espaço florestal e bem assim, o envolvimento das Juntas de Freguesia que territorialmente mais se encontram ligadas à Mata da Machada e ao Sapal do Rio Coina, é determinante neste processo.

E porque o contexto de todas estas parcerias tem por base um espaço de superior importância para o concelho, não poderiam nunca deixar de ser envolvidos aqueles que mais arriscam para o preservar – os bombeiros – sendo naturalmente um objectivo estratégico estimular a relação do Centro com as duas corporações do concelho.

Importa referir também os trabalhos em curso no sentido de envolver activamente os agentes de saúde do concelho, estimulando uma abordagem inovadora do espaço da Mata, como função terapêutica, contribuindo assim de forma determinante para a qualidade de vida das populações do concelho.

Todas estas parcerias terão uma estreita ligação às actividades do centro, que serão elas também a partir de hoje mais diversificadas. Mantendo algumas das já existentes, como a observação de fauna e flora, as aulas de campo e actividades temáticas direccionadas para as escolas.

Permito-me destacar que já amanhã o centro receberá o primeiro grupo de 50 crianças da escola 8 do Barreiro, estando já agendadas visitas que totalizam já várias centenas de crianças, apenas até ao final do ano lectivo.

Novas actividades como a observação de Insectos ou Cogumelos, de que hoje poderemos ter já uma pequena amostra, Astronomia, Ilustração Científica com o mais conceituado Ilustrador Português, Pedro Salgado, ou Aulas Abertas de arte na natureza com o pintor Barreirense Kira, cuja escola tem aqui hoje expostos alguns trabalhos, ou actividades de anilhagem de aves em colaboração com o Centro de Estudos de Migração e Protecção de Aves do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, Yoga ao ar livre, culinária com produtos biológicos, artes decorativas e fotografia de natureza, são um resumo do que será a actividade do Centro daqui para frente.

E porque esta longa lista de actividades só tem sentido se a população puder beneficiar deste esforço da autarquia, também o funcionamento do centro passa a ter uma nova filosofia, definindo-se uma época alta e uma época baixa.

Durante a época alta, o centro passa a estar aberto 7 dias por semana, em horário alargado, estando fixada para este ano entre o dia 22 de Maio e o dia 12 de Setembro.

Gostaria ainda de referir que os trabalhos iniciados pela autarquia com os Arquitectos Henrique Pereira dos Santos e António Pinto Ângelo, no sentido da eventual classificação do sapal do Coina e da Mata da Machada e da elaboração de um plano estratégico, darão em breve os primeiros frutos, de que a seu tempo vos darei nota.

Como já vai longa a minha intervenção, termino agradecendo a todos os responsáveis das diferentes entidades que aqui hoje connosco partilham os nossos objectivos, assim como a todos os que tornaram possível a abertura em tempo do Centro, em especial aos funcionários da autarquia que directamente se envolveram nas inúmeras tarefas imprescindíveis a esta abertura,

A todos o nosso muito obrigado!

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