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Dia Mundial do Coração - Especialista defende:ÁCIDOS GORDOS ÓMEGA 3 PROTEGEM O CORAÇÃO

As doenças cardiovasculares ainda constituem a principal causa de mortalidade em Portugal. Entre os factores de risco, destaque para a má alimentação onde se incluem a diabetes, a hipertensão arterial e o colesterol alto; o tabagismo e o sedentarismo.

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Por Jornal Rostos

“Neste momento, os ácidos gordos ómega 3 são um dos melhores fármacos que nós podemos dar não só na profilaxia como na terapêutica das doenças cardiovasculares”, a afirmação pertence a Polybio Serra e Silva, professor catedrático jubilado de cardiologia da Universidade de Coimbra.

Especialmente indicados no tratamento dos triglicerídeos elevados, os ácidos gordos ómega 3 melhoram a funcionalidade das células, possuem um efeito anti-trombótico e anti-arrítmico, promovem uma diminuição da tendência inflamatória e apresentam um efeito positivo na prevenção secundária do enfarte do miocárdio.

Segundo Polybio, “os triglicerídeos têm sido o parente pobre nesta questão da lipidologia. Tem sido dado o privilégio ao colesterol – eu não ponho em dúvida que o colesterol mais do que factor de risco, pode ser considerado como uma causa da aterosclerose, mas eu sempre disse, há dezenas de anos, que os triglicerídeos têm um papel importantíssimo e que têm sobre a parede arterial uma atitude tanto ou mais gravosa até do que o próprio colesterol.”

As doenças cardiovasculares ainda constituem a principal causa de mortalidade em Portugal. Entre os factores de risco, destaque para a má alimentação onde se incluem a diabetes, a hipertensão arterial e o colesterol alto; o tabagismo e o sedentarismo. A estes, Polybio Serra acrescenta a ignorância da população. “Justamente por isso é que recentemente eu fiz o projecto Nutriformação que começa exactamente com uma conferência sobre leitura de rótulos. A população devia ser informada da forma como deve interpretar um determinado rótulo e a partir daí já ficará naturalmente mais informada para saber se na verdade, aquilo que está a ingerir é, ou não é, suficiente”, afirma.

Neste sentido, um dos esclarecimentos a fazer passa pela distinção entre ómega 3 medicamento e ómega 3 suplemento. “Existem no mercado português inúmeras coisas, suplementos de ómega 3, e se nós estamos a pensar fazer qualquer tipo de tratamento neste sentido ou actuar sobre os triglicerídeos elevados, actuar sobre as arritmias ou sobre a inflamação, se na verdade nós pretendemos actuar neste sentido nós temos de administrar ao doente uma quantidade de ómega 3 suficiente e que não conseguimos de maneira nenhuma com os suplementos alimentares”, alerta o especialista.

E acrescenta, “naturalmente, se nós ingerirmos uma quantidade razoável desses alimentos em suplementos de ómega 3, estamos a ingerir alguma quantidade de ómega 3. Mas entendo que se nós comermos diariamente peixe, temos, quase garantidamente, a quantidade suficiente para ir mantendo aquela quantidade de ómega 3 que nos poderá realmente fazer a protecção.”

O peixe gordo é a melhor fonte de ómega 3, nomeadamente a cavala, o salmão, a sardinha, o arenque, a truta e o atum.

De referir que para baixar os triglicerídeos deverão ser necessários 2 a 4g de ómega 3 por dia. Para uma prevenção primária das doenças cardiovasculares, de um modo geral, 1g poderá ser suficiente.

Os ómega 3 podem ser associados às estatinas, mas enquanto as estatinas são o fármaco ideal para baixar o colesterol, os ómega 3 baixam os triglicerídeos. Dados em doses terapêuticas, os ómega 3 descem os triglicerídeos e sobem os HDL – as lipoproteínas de alta densidade, também designadas ‘bom colesterol’.

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