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Estudo sobre Tsunamis em SetúbalProtecção civil terá 30 minutos para retirar a população da zona histórica e frente ribeirinha

A protecção civil terá cerca de 30 minutos para avisar e retirar a população da zona histórica e da frente ribeirinha de Setúbal perante a ocorrência de um tsunami, segundo estimativas de um estudo sobre o fenómeno, apresentado hoje.

Esta é uma das principais conclusões retiradas de simulações feitas em computador pela Hidromod, empresa portuguesa parceira do projecto europeu SCHEMA, que apresentou, hoje à tarde, no Hotel do Sado, os resultados de um estudo desenvolvido, desde 2005, para a preparação e evacuação de países da área euromediterrânica.

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Estudo sobre Tsunamis em Setúbal Protecção civil terá 30 minutos para retirar a população da zona histórica e frente ribeirinha

Por Jornal Rostos

Com base no programa MOHID, software criado pela Hidromod para a simulação de inundações, foram estimados vários cenários de possíveis consequências em Setúbal perante terramotos de elevada magnitude ocorridos no Atlântico durante o século XX.

Embora os resultados não passem de probabilidades, geradas com base em cálculos numéricos, o estudo aponta que, com sistemas adequados de alerta de terramotos e tsunamis, em média, os serviços de protecção civil têm cerca de 30 minutos para agir junto da população antes da chegada da primeira vaga.

O estudo indica, ainda, que um terramoto de forte intensidade na costa portuguesa, tal como os registados no passado contemporâneo, se originar tsunami, poderá criar uma sequência de três ondas de maior dimensão, tendo a terceira um maior potencial destrutivo.

No caso concreto de Setúbal, a cidade deverá ser principalmente afectada por um efeito deflectivo causado pelo impacto da onda na Serra da Arrábida, mais concretamente na área da Praia da Figueirinha.

Para Adélio Silva, da Hidromod, “o principal interesse do projecto, mais do que do ponto de vista da estimativa de danos e consequências, é a componente de educação, para as pessoas terem uma noção de como reagir perante um cenário de catástrofe desta natureza”.

Adélio Silva sublinhou ainda que a escolha em fazer de Setúbal um caso de estudo se deveu ao facto de, além de ser uma zona de risco, tem duas áreas de interesse particular, ou seja, a cidade e a península de Tróia.

Setúbal, acrescentou, tem igualmente uma relevante zona industrial e uma importante frente balnear, o que leva os serviços de protecção civil a reflectir sobre as potenciais consequências de um tsunami durante os meses de Verão.

No encontro de hoje, de cariz internacional, o vereador da Protecção Civil da Câmara Municipal, Carlos Rabaçal, sublinhou que este tipo de estudo agora apresentado “é muito importante para Setúbal”, adiantando que, enquanto “as zonas de cheias estão claramente identificadas, tal ainda não acontece para um cenário de tsunami, pois é um processo que está actualmente a decorrer ao nível europeu”.

O SCHEMA – Scenarios for Tsunami Hazard-induced Emergencies Management é um projecto desenvolvido ao nível europeu, criado após o tsunami que atingiu vários países asiáticos, nomeadamente a Tailândia e a Indonésia.

Richard Guillande, da equipa do SCHEMA, adiantou que se está “no final do projecto, mas não do assunto”, admitindo que muitas questões foram levantadas com os estudos efectuados.

“Lisboa e Setúbal podem ser atingidas por tsunamis, sentindo-se ou não um terramoto, sendo que um tsunami pode ter vários formatos e não apenas o de ondas gigantescas que fazem parte do imaginário de muitos”, adiantou Richard Guillande, acrescentando que a Europa, tirando alguns pontos específicos do continente, nomeadamente na França, “não tinha, até agora, praticamente nenhuma ferramenta de previsão de tsunamis”.

O encontro desta tarde incluiu, ainda, a apresentação do Plano Municipal de Intervenção no Centro Histórico de Setúbal e de vários estudos relacionados directa e indirectamente com os efeitos de terramotos e tsunamis em diferentes regiões europeias.

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