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Quotidianos

Cancro do OvárioIMPORTÂNCIA DA VISITA AO GINECOLOGISTA

Não existe nenhum método de rastreio do cancro do ovário, o mais mortal dos tumores ginecológicos. Por isso, a visita anual ao ginecologista torna-se obrigatório para todas as mulheres, mesmo após a menopausa.

4 min de leitura

Por Jornal Rostos

O cancro do ovário tem a maior taxa de mortalidade de entre todos os tumores do tracto genital feminino. O principal motivo é porque o diagnóstico é tardio, uma vez que, “os sintomas são tardios e as doentes vão ao médico habitualmente apenas quando há queixas”, refere Mónica Nave, oncologista do Hospital da Luz, em Lisboa, sublinhando que na maior parte dos casos os tumores crescem sorrateiramente no ovário sem dar queixas, ou seja em silêncio.

Habitualmente, a doença dá sintomas quando ultrapassa os limites do ovário e chega a outros órgãos da cavidade pélvica ou abdominal.

Para além do diagnóstico tardio, a especialista chama atenção para o facto de não haver nenhum método de rastreio que permita um diagnóstico precoce e que possa ser aplicado à população em geral.

A doença pode ocorrer em qualquer idade, no entanto a maior incidência ocorre a partir dos 50 anos, o que não exclui a possibilidade da doença surgir em mulheres jovens.

Por isso, Mónica Nave alerta para a importância de todas as mulheres, mesmo após a menopausa, procurarem o seu médico ginecologista uma vez por ano. “Na consulta o médico pode inquirir acerca de sintomas que o doente pode não valorizar e num exame objectivo o especialista pode perceber a presença de lesões que sugiram a presença de um tumor do ovário”.

A especialista aproveita para desfazer o mito da ecografia: “A realização de uma ecografia não pode deixar a mulher com a falsa segurança que o diagnóstico do cancro do ovário está excluído, pois este exame por si só não é considerado um método de rastreio e, não está provado que a sua realização reduza a mortalidade por cancro do ovário”.

“A ecografia pode identificar alterações - quistos ou nódulos, muitas vezes benignos - e devem ser relacionadas com outros dados analíticos e com a clínica.

Apesar do mau prognóstico da doença, a probabilidade de cura existe. Caso o diagnóstico seja precoce e a doença se encontre em estadios primários com o tumor limitado aos ovários, a sobrevida aos 5 anos ultrapassa os 90 por cento. A questão é que é raro o diagnóstico em estádios precoces.

A cirurgia é a arma terapêutica major desta doença e inclusivamente a maneira como é feita é factor prognóstico. Ou seja, “há estudos que mostram que a cirurgia deve ser feita em centros onde haja profissionais que tenham larga experiência”.

Na maioria dos casos, a cirurgia tem que ser complementada por terapêutica com quimioterapia. O objectivo é erradicar doença metastásica que não tenha sido ressecada e que irá ser a causa da recaída”.

Habitualmente as doentes respondem bem ao tratamento de primeira linha. No entanto, a progressão de um tumor nos 12 meses após o tratamento inicial é um desafio. A trabectedina pode ser usada neste contexto.

“Este é o mais recente tratamento de segunda linha com resultados positivos, quando a trabectedina é associada a outros fármacos. Já há estudos que indicam que o medicamento pode ser utilizado isolado e com sucesso”, conta.

Por fim, a especialista deixa duas principais mensagens para as mulheres: “primeiro, é muito importante a mulher conhecer o seu corpo e estar alerta a sinais como a dor ou desconforto na região do baixo-ventre. Sobretudo sintomas que aparecem e não desaparecem. Por outro lado a vigilância ginecológica anual pode permitir o diagnóstico precoce não só do cancro do ovário como de outros tumores ginecológicos pelo que deve ser uma rotina na vida de uma mulher”.

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