"Guia de Observação do Património Rural" - Setúbal«Traz ensinamentos para apreciar e valorizar o património rural»

Por Jornal Rostos
Reconhecendo o interesse desta publicação, o Governo Civil do Distrito de Setúbal promoveu, pela segunda vez, a apresentação do Guia de Observação do Património Rural, desta vez na Abela, em parceria com a Câmara Municipal de Santiago do Cacém e a Direcção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural.
Para o Governador Civil do Distrito de Setúbal este Guia, que “traz ensinamentos para apreciar e valorizar o património rural”, permite “devolver à consciência a importância do património agrícola e ao mesmo tempo é uma forma de, nas regiões de pequena propriedade, os filhos se reconciliarem com a sua herança histórica e a sua ancestralidade. Sentirem que são herdeiros de uma determinada cultura e de uma cultura bastante forte, que deixou as suas marcas, e que independentemente da carreira que fizeram em termos profissionais, a verdade é que este Guia, uma das suas funções é a reconciliação com a história da nossa ruralidade. Aqui damos a volta por cima, adquirimos a consciência que essa cultura é importante e deve ser transmitida e transformada. É um elemento para conhecermos a nossa identidade”.
A mesma ideia foi defendida pela Directora Regional de Cultura do Alentejo, Aurora Carapinha, que aproveitou a oportunidade para, de uma forma singela, homenagear todos aqueles que construíram o nosso património rural, que é, segundo afirmou, “sobretudo uma fonte de conhecimento para possibilidade de futuro”.
“O conceito de património é uma aberração. O que há são representações da comunidade e este conjunto de elementos que estão aqui neste Guia são extremamente importantes porque são a representação de uma comunidade que construiu, afectivamente, este território. Saúdo e dou os parabéns aos mentores do projecto e todos os que contribuíram para a sua elaboração, a quem o acolheu, e a todas as pessoas que nos deixaram este património. Estas pessoas é que eu gostaria de homenagear neste momento. São eles os construtores não de um passado, mas de um futuro. Porque é todo este saber fazer que o património rural enraíza no empirismo transcendental”, afiançou.
Editado em 2009, o Guia de Observação do Património Rural consiste numa adaptação à realidade nacional do “Guia Europeu de Observação do Património Rural”, decorrente da Recomendação Rec. (2002) 1 do Comité dos Ministros dos Estados Membros sobre os princípios directores para o desenvolvimento territorial sustentável do continente europeu.
O documento tem como principal objectivo contribuir para uma observação sistematizada do património dos nossos territórios rurais e fornecer informação, de forma organizada e didáctica, sobre os diferentes tipos de património rural, conforme explicou Maria Custódia Correia, da Direcção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural.
Destacando tratar-se da 5.ª sessão de apresentação do guia, três das quais realizadas no Distrito de Setúbal, Maria Custódia Correia, reforçou a ideia de que o Guia é uma ferramenta “muito importante na identidade e desenvolvimento dos territórios rurais”, e um instrumento “que as várias entidades locais podem utilizar para fazer a recuperação e reutilização do património rural e elaborar os seus planos de intervenção”.
Presente no encontro, o Sub-Director Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, Vítor Joaquim, reforçou o efeito que o património rural tem em termos locais, na valorização e dinamização do espaço rural, mas também em termos macroeconómicos, naquilo que pode contribuir para o crescimento do País. “O património rural é um stock de capital que tem sido acumulado ao longo de gerações, com investimentos feitos por várias gerações ao longo do tempo, que em combinação com o factor trabalho se tem traduzido na libertação de fluxos financeiros que retratam, no fundo, aquilo que se chama valor acrescentado. O valor acrescentado é um indicador importante de crescimento económico, sectorial e territorial, e isso tem peso no crescimento económico do País”, defendeu.
O Presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, Vítor Proença, chamou a atenção para a valorização do património que tem a ver com a história e a memória das pessoas e, também, para aquele “que não é palpável”, como “os falares regionais e o saber”.
“O património do meu ponto de vista é o património das pessoas, que tem a ver com a história das pessoas”. “Tudo o que tem a ver com práticas agrícolas que foram modificadas têm de ser valorizadas, têm de ser defendidas, tal como as práticas que têm a ver com o ensino, com a alimentação, com o vestuário, tudo isso é património. Tal como o património que não é palpável”, referiu.
Abordando o tema “A valorização do património como factor de desenvolvimento de um território”, Maria João Duarte Pereira apresentou, à vasta plateia que encheu a Junta de Freguesia da Abela, os projectos desenvolvidos pela Associação de Desenvolvimento do Litoral Alentejano (ADL), formada por várias associações dos concelhos de Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém, Sines e Odemira, com vista a valorizar as potencialidades daqueles concelhos num contexto de dinamização do desenvolvimento rural.
Neste âmbito, Maria João Duarte Pereira fez referência a vários programas e projectos que têm como objectivo o dinamização do desenvolvimento rural, como o PRODER - eixo 3, o PROMAR- eixo 4 e o Programa Agris, que teve grande importância para a freguesia da Abela, que permitiu a recuperação e valorização do património, da paisagem e dos núcleos populacionais, através da recuperação de espaços públicos, recuperação de construções rurais de traça tradicional e da criação de espaços museológicos de temática rural.
Depois da apresentação do Guia seguiu-se uma visita ao Museu do Trabalho Rural, instalado na Abela com “o apoio de várias entidades”, conforme destacou o Presidente da Junta de Freguesia, Rui Matos, que se congratulou com a escolha da sua freguesia para apresentação do manual. Inaugurado no dia 1 de Maio de 2008, o Museu tem, neste momento, patente a exposição Memória e Identidade - Alfaia Agrícola Tradicional, que contou já com cerca de 11 mil visitantes.














