Encontro Internacional em SetúbalDebate medidas de controlo e erradicação da praga do escaravelho da palmeira

Por Jornal Rostos
“Aumentámos, infelizmente sem nenhuma ajuda governamental, de oito para 54 mil euros, a verba destinada a adoptar medidas para limitar esta praga”, anunciou a autarca, no seminário internacional sobre o escaravelho da palmeira, hoje de manhã, no Novotel, evento co-organizado pela Autarquia e pela empresa Biostasia, que se estende até amanhã.
O escaravelho da palmeira (Rhynchophorus ferrugineus), originário do continente asiático, surgiu em 1995 na vizinha Espanha, tendo sido detectado os primeiros casos de doença em Portugal em 2007.
Em Setúbal, onde existem mais de 670 palmeiras em espaços de responsabilidade municipal, “o problema foi detectado somente em 2010, tendo a Autarquia encetado, de imediato, várias medidas de controlo, consciente da dimensão que o problema poderia atingir”, frisou Maria das Dores Meira, enaltecendo a relevância do seminário.
“Estas intervenções constituem um contributo fundamental no combate a esta praga, um problema relevante no Concelho e que importa travar”, reforçou a autarca.
A directora do departamento de Ambiente e Actividades Económicas da Câmara Municipal de Setúbal, Elsa Lopes, que apresentou o programa integrado para controlo do escaravelho vermelho no Concelho, indicou que “a rápida detecção de focos de contaminação é essencial para sistematizar práticas de erradicação da praga”.
O diagnóstico do Concelho sobre o número total de palmeiras em espaços de responsabilidade municipal, os tratamentos a realizar e as boas práticas a adoptar fazem parte daquele programa municipal.
Colocação de armadilhas em locais estratégicos, podas sanitárias e aplicação de produtos biológicos e químicos são as medidas que a Câmara Municipal está a implementar para controlo e erradicação da praga.
Elsa Lopes referiu que, no ano passado, dez palmeiras morreram devido à praga, adiantando que existem actualmente 13 focos activos de infestação localizados nas oito freguesias do Concelho.
A técnica municipal Teresa Lourenço explicou que a Autarquia vai avançar com a utilização de três tipos de tratamentos distintos em 213 palmeiras seleccionadas, por serem espécimes de grande porte e com maior valor patrimonial, de entre os mais de 670 exemplares.
“É necessária uma vigilância constante e deve evitar-se a plantação de espécies mais sensíveis a esta praga”, alertou a técnica municipal.
Um dos tratamentos inclui a aplicação de produtos biológicos na Primavera, Outono e Inverno e de químicos no Verão, outro é idêntico mas inclui ainda a utilização de quitosano e o terceiro tratamento envolve somente a utilização de produtos químicos no Verão.
“Consideramos os espaços verdes locais privilegiados, e que importa conservar”, sublinhou a presidente da Câmara Municipal, explicando as razões “subjacentes à preocupação da Autarquia com este e outros problemas ambientais”.
A existência de um amplo sistema de parques e jardins, que importa conservar por contribuírem para o aumento de qualidade de vida e promoverem “recreio e bem-estar para a prática de desporto ao ar livre e de contacto com a natureza, onde se podem cultivar valores como o civismo e as relações entre gerações”, foi enaltecido por Maria das Dores Meira.
Nesse sentido, Setúbal vai “ampliar a rede de espaços verdes, com a criação de novas áreas em Azeitão, na Várzea, no Monte Belo Norte e no Vale da Rosa”, adiantou.
O seminário internacional sobre medidas de combate e erradicação da praga do escaravelho da palmeira conta com a participação de técnicos portugueses, espanhóis e italianos, numa partilha de informações e experiências.
Amanhã, o encontro realiza-se na Fundação Escola Profissional de Setúbal, entre as 09h30 e as 16h30, centrando-se em actividades práticas, entre as quais uma demonstração de poda terapêutica de uma palmeira. O vereador do Ambiente da Câmara Municipal, Manuel Pisco, coordena os trabalhos de debate e discussão das conclusões, programados para as 11h45.
A sensibilização dos responsáveis pela gestão de palmeiras em meio urbano para os impactes da praga na paisagem, a valorização do património e a segurança de pessoas e bens são objectivos do seminário.














