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«Os Ganhos em Saúde numa Cidade Saudável» em debate no BarreiroA nossa população é cada vez mais letrada e já decide mais sobre a saúde

O Concelho tem 20 mil cidadãos, representando ¼ da população sem médico de família, sublinhou, Carlos Humberto de Carvalho, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, no decorrer do debate “Os Ganhos em Saúde numa Cidade Saudável”, e, informou que este problema foi colocado à Ministra da Saúde.

Eduardo Xavier, deixou uma sugestão à CMB para que desenvolva nas escolas Programas de Educação para a Saúde, numa acção desenvolvida em articulação com as autarquias, os cuidados primários de saúde e o Centro Hospitalar Barreiro/Montijo.

Jorge Espírito Santo, salientou que temos de ser intervenientes na forma como decidimos o que fazer em termos de saúde, referiu que “a Assembleia Municipal tem sido profícua e, ao mesmo tempo, incómoda nesta área”.

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«Os Ganhos em Saúde numa Cidade Saudável» em debate no Barreiro A nossa população é cada vez mais letrada e já decide mais sobre a saúde

Por Jornal Rostos

No âmbito da Quinzena da Saúde, da Solidariedade e do Voluntariado no Barreiro a decorrer até 15 Abril, teve lugar dia 7 de Abril, o debate “Os Ganhos em Saúde numa Cidade Saudável”, com a participação do Presidente da Câmara Municipal do Barreiro (CMB), Carlos Humberto de Carvalho, e do Médico professor da Universidade Nova de Lisboa, Carlos Silva Santos, do Médico coordenador da Unidade de Oncologia do Centro Hospitalar Barreiro/Montijo, Jorge Espírito Santo, e do Médico de cirurgia geral, Eduardo Xavier. A moderar o debate esteve o Presidente da Assembleia Municipal, Frederico Pereira.

Na sua intervenção, o Presidente da CMB recordou a adesão do Município do Barreiro, em 2009, à Rede das Cidades Saudáveis. Para ele, esta associação de vários municípios “tem uma visão alargada e integrada das questões do desenvolvimento do bem-estar dos cidadãos”.
Salientou, ainda, o imenso esforço feito pelos municípios do Distrito de Setúbal na criação das Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) e do funcionamento, em breve, da ETAR Barreiro/Moita.
Recordou a elaboração do Plano Geral de Águas e Saneamento (PGAS) e do Regulamento Municipal de Abastecimento de Água e Drenagem das Águas Residuais do Município do Barreiro (RMAADAR) pela Autarquia. “Estamos a fazer um esforço no investimento de mais de 12 milhões de euros no sistema de águas e saneamento”. O autarca lamenta que, de receita, a CMB tenha apenas sete milhões de euros, pelo, que segundo anunciou, “vamos ter de fazer uma actualização no tarifário”.
O Presidente fez referência às intervenções da CMB, nomeadamente, a requalificação do espaço urbano, nomeadamente do centro do Barreiro, da zona do POLIS, da Avenida da Praia, das intervenções na Cidade Sol e da zona ribeirinha do Barreiro Velho.
Sublinhou as inúmeras actividades desportivas realizadas para os seniores e recordou o investimento em equipamento para a infância, com a abertura de quatro salas de creche e sete salas de pré-escolar. Mais duas salas vão abrir na escola nº 9 do Barreiro, ainda em Abril.

O Concelho tem 20 mil cidadãos, representando ¼ da população sem médico de família. Carlos Humberto de Carvalho informou que este problema foi colocado à Ministra da Saúde. “Dada a importância que damos ao sistema nacional de saúde e apesar da Câmara não ter experiência nesta área, ficou acordado com o Pingo Doce que este viria a disponibilizar o primeiro andar do seu edifício, pelo que demos a ideia de lá coloca a Unidade de Saúde Familiar naquele espaço.”
Em relação ao Centro de Saúde Hospitalar Barreiro/Montijo “continuam a existir importantes lacunas que é preciso resolver o mais rápido possível. Tudo faremos para que não haja degradação das instalações e tudo faremos para a concretização de um Plano Estratégico para a Saúde no Concelho”.

O Presidente concluiu dizendo que “o que determinam as decisões são as pessoas e pretendemos servir cada vez melhor quem cá vive”.

Programas de Educação para a Saúde

O médico Eduardo Xavier questiona se “será a estrutura que promove a cidade saudável, ou o cidadão que lá habita?” Deu como exemplo a cidade de Barcelona para dizer que considera que são as duas coisas. Fundamentou a resposta dizendo que “os critérios do ponto de vista urbanístico e social não chegam. O que é mais importante é que as pessoas saibam o que é ser saudável”.
Recuou 30 anos para lembrar que não existia na sociedade a preocupação com a reciclagem. Contudo, actualmente as crianças já sabem separar o lixo. Deste modo, na sua opinião, “temos de continuar a investir na educação das crianças”.

O médico deixou uma sugestão à CMB para que desenvolva nas escolas Programas de Educação para a Saúde, “no sentido de promover o espírito de vida saudável. Se investirmos em crianças de quatro e cinco anos, daqui a 20 anos, temos cidadãos que querem cidades saudáveis”. Segundo Eduardo Xavier este trabalho teria de ser feito em articulação com as autarquias, os cuidados primários de saúde e o Centro Hospitalar Barreiro/Montijo.

Por seu lado, o médico Carlos Silva Santos defendeu que uma das formas de nos protegermos da doença é sermos dinâmicos, pois segundo ele “o trabalho é fonte de vida, as más condições é que o estragam”.
A capacitação das pessoas é para o médico “fundamental, pois a nossa população é cada vez mais letrada e já decide mais sobre a saúde. Quando é preciso, sabe contrariar a posição do médico”.
Na opinião do médico, é fundamental saber cuidar do doente e criticou que a maior parte dos médicos não sabe atender os pacientes.

Antes do período de debate, o médico Jorge Espírito Santo apresentou um estudo do economista Eugénio Rosa, o qual demonstra que, desde 2004, o Estado tem investido cada vez menos na Saúde. Para o médico “é preciso gastar mais na saúde para que o País se desenvolva”. Segundo ele, “no Barreiro temos um grave problema no acesso aos cuidados primários. Temos um Centro Hospitalar sem uma estratégia de saúde para a Região que, desde a sua abertura, foi dotado de capital insuficiente”.

Segundo Jorge Espírito Santo, temos de ser intervenientes na forma como decidimos o que fazer em termos de saúde. E acrescentou, “a Assembleia Municipal tem sido profícua e, ao mesmo tempo, incómoda nesta área”.
Alertou para o facto de, a nível nacional, se querer passar a ideia que o sistema nacional de saúde não tem qualidade, o que na sua opinião “é exactamente o contrário, pois os serviços privados fazem uma selecção do doente”. Com a aproximação duma época económica ainda mais difícil, “vão pôr à prova o serviço nacional de saúde que não nos envergonha”. Segundo o médico, Portugal situa-se em 12º lugar no ranking de cerca de 90 países.

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