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Área Protegida Local no BarreiroPaulo Pereira «conciliação do desenvolvimento económico e da conservação da natureza é não só desejável como imperativo»

Paulo Pereira, da Sociedade Portuguesa de Botânica, em entrevista ao «Rostos» sublinha que a classificação da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina, como Área Protegida local, assegura “uma rede mínima que permite a persistência do património natural nesta região”, e proporciona – “zonas de valorização e visitação para as populações locais”.

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Área Protegida Local no Barreiro Paulo Pereira «conciliação do desenvolvimento económico e da conservação da natureza é não só desejável como imperativo»

Por Jornal Rostos

Paulo Pereira, da Sociedade Portuguesa de Botânica, vai ser o responsável por coordenar a visita guiada à Mata da Machada, integrada na Conferência sobre «Áreas Protegidas Locais», que vai realizar-se no Barreiro, nos próximos dias 20 e 21 de Outubro. Igualmente irá abordar na Conferência a temática «Flora e habitats da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina».
Colocámos a Paulo Pereira algumas perguntas sobre o processo de classificação da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina que teve a amabilidade de responder.

Qual a importância de existirem áreas de protecção local?

Cada vez mais a conservação da natureza passa pelo envolvimento da sociedade civil e pela descentralização das áreas protegidas; esta tendência reflecte-se também no aparecimento de áreas protegidas de iniciativa municipal, que têm a particularidade de envolver os políticos na conservação da natureza e serem áreas que dão muito importância à valorização e visitação destes locais.
Estas áreas protegidas estão por isso mais perto das pessoas e poderão vir a ser responsáveis por uma maior sensibilização para o ambiente e conservação da natureza de uma nova geração de cidadãos.

Que significado atribui à classificação da Mata da Machada e Sapal de Coina como área protegida local?

Estas áreas foram assinaladas pela equipa do Museu Laboratório e Jardim Botânico como importantes para integrar a Rede Natura, em 1993. A sua integração na rede áreas protegidas como áreas de protecção local é por isso natural, e reveste-se de muita importância porque estas áreas, de grande valor conservacionista se encontram numa matriz urbana.
Assim, para além de assegurar uma rede mínima que permite a persistência do património natural nesta região, proporcionam ainda zonas de valorização e visitação para as populações locais.

Que contributo pode dar no futuro esta área para o desenvolvimento do Barreiro e região de Setúbal?

Cada vez mais existe um novo paradigma na conservação da natureza e no desenvolvimento, onde a responsabilidade ambiental faz parte da agenda do tecido empresarial; nesse sentido, um Município bem conservado e que dá valor ao património natural é mais atraente para investidores, empresas e para fixação das populações. Por isso, a conciliação do desenvolvimento económico e da conservação da natureza é não só desejável como imperativo nos dias de hoje.

Pode o debate em torno da classificação de uma área protegida local contribuir para uma maior consciência ecológica da comunidade?

Sem dúvida que sim. Mas mais do que o debate, o futuro desta área protegida integrando a par da gestão e da conservação um programa de visitação dirigido às escolas e à sociedade civil será a forma sustentável de criar essa consciência ecológica na sociedade.

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