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Área Protegida Local no BarreiroInvenção do futuro da Mata da Machada e do Sapal do Rio Coina

Realizou-se, hoje, no Centro Ambiental da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina, a sessão de apresentação das «Conclusões» da Conferência «Áreas Protegidas Locais».

6 min de leitura
Área Protegida Local no Barreiro Invenção do futuro da Mata da Machada e do Sapal do Rio Coina

Por Jornal Rostos

Divulgamos o texto integral das Conclusões apresentadas por António Sousa Pereira, Director do jornal «Rostos»:

Conferência «Áreas Protegidas Locais»
Barreiro 20 e 21 de Outubro de 2011

«Como pode alguém julgar ou amar o que não conhece?»
Giovanni Pico Della Mirandola
in «Discurso Sobre a Dignidade Humana» - 1486

CONCLUSÕES

Nos dias 20 e 21 de Outubro de 2011, realizou-se no Barreiro a Conferência «Áreas Protegidas Locais», tendo por objectivo a recolha de contributos para o processo de Classificação como «Área Protegida Local da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina».
No conjunto de intervenções realizadas, assim como no debate de ideias realizado nos diferentes painéis da Conferência, considera-se importante sublinhar o seguinte conjunto de «ideias-força»:

1. No contexto do território do concelho do Barreiro foi plenamente reconhecida a importância da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina, pelo seu significado histórico, ambiental e económico, como espaços estruturantes do desenvolvimento do concelho do Barreiro.

2. Sendo o Barreiro um concelho marcado por uma imagem carregada da sua memória industrial, a Mata da Machada e Sapal do Rio Coina são reconhecidos como espaços estratégicos essenciais para dar um contributo, ao nível emocional e cultural, quer para a forma como o concelho olha para a imagem que tem de si próprio, quer para a forma como de fora olham e forjam a imagem do concelho do Barreiro.

3. A realização da Conferência «Áreas Protegidas Locais» é uma iniciativa que marca um ponto de chegada e um ponto de partida, enquadrando um conjunto de acções cujo objectivo final visa dinamizar e concretizar a Classificação da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina como «Área Protegida Local».

4. É sublinhado que todo o processo, que conduz à Classificação da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina, não é um exclusivo da autarquia, e, para que seja concretizado com sucesso é indispensável o envolvimento dos agentes locais e da população, quer no debate de ideias, quer na recolha de sugestões, quer no reconhecimento da importância ambiental, social e económica destes espaços que correspondem a 10% do território do concelho do Barreiro.

5. É reconhecido que a classificação da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina como «Área Protegida Local» não é um processo fácil, mas, é, sem dúvida, uma oportunidade única, de carácter único, para aproximar os cidadãos da natureza, aproximar o concelho do rio, e, valorizar um eco-sistema de referência no contexto da Área Metropolitana de Lisboa.

6. É afirmado que a classificação da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina gera potencialidades de desenvolvimento, abrindo caminhos inovadores e alargando a capacidade de atracção de novos habitantes e novos agentes económicos.

7. É salientado que não há áreas de conservação da natureza que se mantenham sem que tenham uso, nesse sentido, refere-se que é fundamental que seja elaborado um Plano Estratégico da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina, que contribua para definir os objectivos de uso e perspective um modelo de gestão.

8. Reconhecer, também, a importância da existência de um Plano de Gestão, mas, afirmar que na proposta de Classificação da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina como «Área Protegida Local», não devem ser definidos os objectivos de uso e de gestão.

9. No âmbito florestal é sublinhada a importância da Mata da Machada ao nível do enquadramento paisagístico, no contexto da AML, a sua potencialidade como espaço de recreio e lazer, assim como a sua importância na conservação da flora e fauna e valorização da biodiversidade. Foi divulgado que no âmbito do Plano Regional de Ordenamento do Território está a ser elaborado um instrumento de Gestão Florestal da Mata da Machada, que em breve será colocado em Consulta Pública.

10. No âmbito do estudo e investigação cientifica é salientada a importância da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina, tendo sido recordado que do ponto de vista histórico e conhecimento da biodiversidade existe uma colecção herbácea na Universidade de Lisboa, um espólio datado do século XIX, que demonstra como este território foi pioneiro e é um exemplo no estudo da biodiversidade em Portugal.

11. Foi sublinhada a importância do Sapal do Rio Coina para a conservação da biodiversidade do estuário do Rio Tejo, e, registado que a diminuição de metais está a contribuir para o regresso de bivalves e peixes, sendo a Baía do Seixal e do Barreiro, ponto de referência onde algumas espécies começam a ser vistos de novo, pela primeira vez.

12. É reconhecida a importância da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina, como espaços que podem contribuir para preservar as espécies, nomeadamente as aves estuarinas, que nas suas rotas migratórias encontram nestes habitats os seus «refúgios».

13. No âmbito da flora da Mata da Machada, é reconhecida a existência de espécies muito raras, que são suficientes para que este território seja parte integrante da Rede Natura. Em estudo desenvolvido foi feito um inventário de 85 tipologias, divididas em 45 espécies, que foram distribuídos em 5 grupos, desde Matos Altos, passando por estevais, sobreirais, Matos abertos, até vegetação estuarina.

14. Foi referida a importância da elaboração do Plano Estratégico da Mata da Machada, essencialmente, com o objectivo de definir a delimitação territorial da «Área Protegida Local», a sua integração no Plano Director Municipal, bem como, perspectivar orientações de enquadramento do espaço enquanto floresta, criação de condições lúdicas e de educação ambiental.

15. Foi referenciada a importância do envolvimento da sociedade civil na preservação do espaço, o papel de associações, nomeadamente da Associação de Amigos da Mata da Machada, como fundamentais para estimular o envolvimento das pessoas na valorização dos espaços naturais do concelho.
É de registar a presença das Artes no contexto da Conferência, quer através da performance protagonizada pela Companhia de Teatro Arte Viva, quer pelas obras expostas do artista plástico Kira.

Em suma, a classificação da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina como «Área Protegida Local», recebeu da Conferência um suporte teórico, um conjunto de dados de carácter técnico, científico e políticos, que, agora, sem dúvida, deixam em aberto o começo de um novo caminho, que, passa pela decisão politica final que conduza à elaboração da Proposta de Classificação da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina como «Área Protegida Local».

Alguém um dia escreveu que, é importante conhecer para amar. Todos temos vindo a caminhar nesta descoberta que permite conhecer mais e melhor a Mata da Machada e Sapal do Rio Coina.

Conhecendo amamos melhor.

Hoje, todos, temos o privilégio de ser protagonistas de um tempo histórico, porque, um tempo histórico é aquele onde sentimos os sinais do futuro a emergir.
Alguém disse um dia que o futuro inventa-se. Nós, aqui e agora, começámos a dar passos decisivos na invenção do futuro da Mata da Machada e do Sapal do Rio Coina.
Afinal, começámos a inventar um bocadinho, de um futuro que desejamos melhor e com mais qualidade de vida.

Barreiro – Mata da Machada
21 de Outubro de 2011

António Sousa Pereira
Director do jornal «Rostos»

Foto - José Figueiredo

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