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2 Anos de luto pela Arrábida - SetúbalProblemas gravíssimos continuam ainda por resolver

. Lixo, muito lixo, cães e gatos vadios, falta de infra-estruturas, desrespeito por normas básicas de conduta, falta de areia, etc, etc, etc.

Passados dois anos do Happy Hour de luto pela Arrábida vislumbra-se alguma luz no fundo do túnel na recuperação da Arrábida, mas sem verdadeira vontade politica e empenhamento de todas as autoridades locais e nacionais com competências sobre a zona, essa luz nunca chegará e sem ela talvez a tão ambicionada candidatura a património da humanidade, também não.

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2 Anos de luto pela Arrábida - Setúbal Problemas gravíssimos continuam ainda por resolver

Por Jornal Rostos

Lixo, muito lixo, cães e gatos vadios, falta de infra-estruturas, desrespeito por normas básicas de conduta, falta de areia, etc, etc, etc. Infelizmente continua a ser este o crónico e desolador cenário daquela que foi considerada uma das 7 maravilhas naturais de Portugal e hoje, portaestandarte da tão ambicionada candidatura a património mundial da humanidade.

No verão de 2010, o Clube da Arrábida organizou um protesto no areal do Portinho da Arrábida, designado Happy Hour de Luto pela Arrábida, que contou com cerca de 500 moradores, comerciantes e utentes da área e que serviu de grito de apelo a favor da salvaguarda da Arrábida. Durante o protesto que teve ampla cobertura mediática, foi lido um
manifesto que chamou a atenção das autoridades locais para o completo estado de abandono a que toda a zona do Portinho da Arrábida havia então chegado. Lixo, cães vadios, desordenamento do trânsito, acessos destruídos, risco de incêndio, apoios de praia caducos, desassoreamento galopante da praia e restrições excessivas à náutica de recreio, foram alguns dos pontos apresentados nesse manifesto e que posteriormente foram enviados a todas as
autoridades com jurisprudência na zona.

Ao longo dos últimos dois anos, o Clube da Arrábida, num acto de cidadania activa exemplar, tomou a iniciativa de abordar muitas dessas autoridades (Parque Natural da Arrábida, ARH, Câmara Municipal de Setúbal, Capitania de Porto de Setúbal, Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, para citar algumas) e encetou várias acções específicas para melhorar muitos desses pontos negros que afectavam toda a zona. Desta aproximação e colaboração resultou, entre outras, a reparação do passeio marítimo do Portinho/Creiro que então estava desmoronado, várias acções de limpeza voluntária que retiraram no total mais de 15 toneladas de lixo dos acessos e areal, o lançamento de uma campanha de sensibilização dos malefícios do lixo deixado por utentes, a organização de um colóquio cientifico que contou com vários especialistas nacionais sobre as causas e soluções do desassoreamento da costa da Arrábida e
do qual será publicado um livro com o apoio do Ministério do Ambiente, a aproximação à capitania de Porto de Setúbal de forma a apaziguar as relações entre autoridade marítima e praticantes da náutica de recreio, e o ordenamento embora parcial do transito este ano.

Parece muito, mas infelizmente não é! Problemas gravíssimos continuam ainda por resolver, sobretudo por falta de vontade de algumas entidades com competências na área, que num acto incompreensível ignoram em muito o que se passa na Arrábida, focando apenas os seus interesses ou desviando-os para outros locais. O gravíssimo problema dos cães vadios, que ainda há poucas semanas voltou às notícias agora na praia da Figueirinha, motivou o Clube da
Arrábida a colocar uma acção em tribunal contra a Câmara Municipal de Setúbal e a Direcção Geral de Veterinária. Desta acção resultou um vergonhoso atirar de culpas entre as duas entidades, ao mesmo tempo que ambas divulgaram que já houve ataques por parte de cães a pessoas na zona, e contudo aparentemente pouco fazem para resolver a situação. O problema do lixo continua bem visível, apesar das campanhas voluntárias de recolha ao longo dos 2
últimos anos, sendo que o grande problema é a prometida mas não cumprida colocação de caixotes de lixo, por parte da Câmara Municipal de Setúbal nos acessos e zonas de praia não concessionadas, o que levou o Clube da Arrábida a convocar um protesto através do envio de emails de cidadãos em nome individual à Câmara Municipal de Setúbal exigindo a colocação de caixotes de lixo nos locais em falta. Em pleno Parque Natural da Arrábida, que deveria servir
de exemplo a normas de conduta ambientais, e onde estão instalados 7 restaurantes, não há um único ecoponto na proximidade dos mesmos, resultando na não separação diária de toneladas de vidro, papel e plástico. A falta de apoios de praia modernos que sirvam as necessidades dos utentes da praia continua sem dúvida, a ser um grande ponto negro,
tornando a mata em redor da praia numa verdadeira casa de banho a céu aberto. No que toca ao Parque marinho da Arrábida onde as restrições à náutica de recreio estão completamente desajustadas da realidade local, que aliás levaram à organização de diversos protestos ao longo dos últimos 6 anos, não se conseguiu ainda, encontrar soluções devido à rigidez das normas ditadas pelo plano de ordenamento local e a falta de vontade política de as alterar.

Passados dois anos do Happy Hour de luto pela Arrábida vislumbra-se alguma luz no fundo do túnel na recuperação da Arrábida, mas sem verdadeira vontade politica e empenhamento de todas as autoridades locais e nacionais com competências sobre a zona, essa luz nunca chegará e sem ela talvez a tão ambicionada candidatura a património da humanidade,também não.

Clube da Arrábida
Pedro Soares Vieira
Presidente

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