Cidades mais verdes cruciais para a segurança alimentar na ÁfricaFAO lança o primeiro relatório sobre o estado da horticultura urbana na África
Por Jornal Rostos
A publicação, Criar cidades mais verdes na África, é o primeiro relatório sobre o estado da horticultura urbana e periurbana na África - as hortas familiares, escolares, comunitárias e comerciais que produzem frutas e vegetais dentro e à volta das cidades do continente.
O relatório baseia-se em inquéritos e estudos de caso de 31 países em todo o continente Africano, e faz recomendações sobre como as cidades se podem preparar melhor para enfrentar a crescente procura de alimentos e outros serviços básicos.
Muitos países africanos têm registado forte crescimento económico sustentado na última década, levando a mais urbanização e aumentando as esperanças de uma nova era de prosperidade partilhada. Mas cada vez mais, as áreas urbanas também atraem pessoas em busca de um caminho para sair da pobreza rural, apenas para encontrar pouca, ou nenhuma melhoria nas suas vidas.
Mais de metade de toda a população urbana de África vive em favelas, cerca de 200 milhões sobrevivem com menos de US $ 2 por dia, e as crianças pobres das cidades mais propensas a sofrer de desnutrição crónica do que as crianças pobres do meio rural.
"O desafio de alcançar um mundo com " fome zero " - em que todos sejam adequadamente nutridos e todos os sistemas alimentares sejam resistentes - é tão urgente nas cidades africanas, como é nas áreas rurais", diz o prefácio de Modibo Traoré, Diretor Geral Adjunto da FAO- e responsável pelo departamento de Agricultura e Defesa do Consumidor.
"Os decisores africanos precisam de agir já para orientar a urbanização do seu caminho insustentável atual, para cidades mais saudáveis, mais " verdes " que garantam a segurança alimentar e nutricional, trabalho decente e rendimento, e um ambiente limpo para todos os seus cidadãos", continua o prefácio.
O livro foi lançado nas vésperas da sexta sessão do Fórum Urbano Mundial, que terá lugar em Nápoles, Itália (1-7 Setembro). O Fórum foi estabelecido pelas Nações Unidas para analisar um dos problemas mais urgentes que o mundo enfrenta hoje: a rápida urbanização e seu o impacto nas comunidades, cidades, economias, mudanças climáticas e nas políticas.
Até ao final da década atual, 24 das 30 cidades do mundo com crescimento mais rápido serão Africanas. A publicação cita estudos que mostram que entre 2010 e 2030, a população urbana da África Subsaariana deverá duplicar de cerca de 300 para 600 milhões.
Hortas comerciais sustentáveis
Criar cidades mais verdes na África expressa uma preocupação particular sobre o futuro da horticultura de mercado - a produção comercial irrigada de frutas e legumes em determinadas áreas urbanas ou de outra ìndole.
A horticultura comercial é a fonte mais importante de produtos frescos cultivados localmente em 10 dos 27 países inquiridos e a segunda fonte noutros seis países. No entanto a horticultura comercial tem crescido com pouco reconhecimento, regulamentação ou apoio oficial. Nalgumas cidades, está a tornar-se insustentável: para maximizar retornos, os horticultores têm aumentado o uso de pesticidas e água poluída.
A publicação insta os governos nacionais e as administrações municipais para trabalhar em conjunto com os produtores, processadores, fornecedores, vendedores e outras partes implicadas para dar à horticultura de mercado e à agricultura urbana e periurbana o apoio político, logístico e pedagógico necessário para alcançar um desenvolvimento sustentável.
Entre as recomendações específicas, os políticos são aconselhados a estabelecer zonas e proteger a terra e água para hortas comerciais, e incentivar os produtores a adotar o modelo FAO de agricultura "Poupar e Crescer". Este modelo visa aumentar os rendimentos, e simultaneamente conservar e valorizar os recursos naturais. Inclui a aplicação da quantidade correta de insumos externos adequados, no momento certo - como é o caso de pesticidas, fertilizantes e sementes.
A FAO e as hortas urbanas
O programa da FAO para a Horticultura Urbana e Periurbana ajuda as cidades a garantir um fornecimento durante todo o ano de produtos frescos, a preços acessíveis, que cubra as necessidades nutricionais das suas populações. Fá-lo, em primeiro lugar, através da promoção da horticultura comercial, normalmente dento de um raio de 30 quilômetros dos centros urbanos.
FAO também apoia medidas para ajudar famílias urbanas de baixos rendimentos para cultivar a sua própria horta", como uma forma de melhorar a qualidade de sua dieta, economizando dinheiro para gastar noutras necessidades, e obter ingressos com a venda dos excedentes.














