O Ivan precisa de amor!Por Isabel Mateus Braga
Barreiro

Por Jornal Rostos
Numa das reuniões dinamizadas pelo psicólogo da escola, com os professores que integram o grupo Promoção para a Cidadania, do qual eu faço parte, o psicólogo afirmava " As crianças necessitam de amor, sobretudo quando não é merecido" H. Hubert.
Depois de uma carrada de aulas, a mandar calar um, a pedir o trabalho de casa a outro, a enviar "recados" na caderneta, a ler "recados" dos encarregados de educação e, e, e...., pensei para os meus botões: "Tá bem tá!"
Então não é que na última sexta feira, quase que me convenci disso?!
Estava eu na sala do combate à indisciplina, para onde são encaminhados os Ivans, os terríveis, quando me apercebo da tremenda luta que a funcionária do bloco estava a travar com um dos Ivans, porque ele não queria entrar na referida sala. - Anda cá,. - Não vou! - Entra,. - Não vou ! Não quero ir para aí. - Ó homem, anda cá, quero falar contigo. - Não vou! - Anda cá, eu só quero perceber o que é que se está a passar.
Lá consegui convencer o Ivan, o terrível a entrar na dita sala. Sentou-se furioso, e atirou a mochila para cima da mesa. Passados alguns minutos virei-me para ele e vi a mesa cheia de elásticos pequeninos de várias cores. Olhei de forma mais atenta, e verifiquei que ele estava a usar 2 pulseiras feitas com os elásticos. - Tu não me digas que foste tu que fizeste essas pulseiras. - Fui! - Estão tão giras!!! Deixas-me experimentar?
O Ivan, já não o terrível, tirou as pulseiras do braço e deu-mas. - Fazes-me uma pulseira? Os olhos do Ivan, brilharam. Passados 2 ou 3 minutos, o Ivan tocou-me no ombro: - Está aqui. Lindíssima a pulseira.
Quando saí do turno da manhã, o Ivan estava à minha espera: -Stôra, gostou da pulseira? - Claro que sim. Não vês que está aqui. Agora quero uma verde e amarela. - Tá bem! Combine ou não com a indumentária, até ao final do ano letivo a pulseira vai estar no meu pulso.














