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Quotidianos

Margem esquerdaPor maria jorgete teixeira
Barreiro

São profundas e insondáveis as águas, quantos segredos albergados, quantas quimeras naufragadas, quantos amores desesperados, quantos lenços em partida, quanta alegria, quanta mágoa…

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Margem esquerda Por maria jorgete teixeira Barreiro

Por Jornal Rostos

Margem esquerda

Dorme o rio em lençóis azuis acinzentados, dormem os barcos, corpos gastos balançando as ancas, dormem as pontes de grossas pernas enfiadas nas ondas, dormem as fábricas em torres apontando o céu, dorme, ao longe, a cidade…até o Cristo, que alguém chamou de rei, parou em estátua e se esqueceu de fechar os braços sobre Lisboa...
São profundas e insondáveis as águas, quantos segredos albergados, quantas quimeras naufragadas, quantos amores desesperados, quantos lenços em partida, quanta alegria, quanta mágoa…
Deixo-me envolver na masmorra onde baloiçam os meus pensamentos, vou-os espalhando nas penas dos pássaros que pairam no verde da tua presença, embriago-me das lembranças e fujo para o útero húmido da saudade, encarcerada em mim..

maria jorgete teixeira

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