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Promiscuidade entre política e negócios é principal catalisador da corrupçãoNa última década Portugal foi dos países que registou um maior decréscimo descendo de 23º para 33º lugar

. O SETOR FINANCEIRO, O DO URBANISMO E O DAS PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS SÃO OS 3 MAIS VULNERÁVEIS À CORRUPÇÃO EM PORTUGAL

A promiscuidade entre a política e os negócios é o principal catalisador da corrupção em Portugal, de acordo com Paulo Morais docente da Universidade Portucalense e vice-presidente da Associação da Transparência e Integridade.

De acordo com a análise, já não existe sequer distinção entre o que é política e o que são os negócios, uma vez que, atualmente, a atividade política está ao serviço e foi capturada por alguns grupos económicos.

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Promiscuidade entre política e negócios é principal catalisador da corrupção Na última década Portugal foi dos países que registou um maior decréscimo descendo de 23º para 33º lugar

Por Jornal Rostos

A análise do docente da UPT identifica o setor financeiro, o do urbanismo e o das parcerias público-privadas como os 3 mais vulneráveis ao crime da corrupção em Portugal.

“O setor financeiro, através da influência que tem no Estado consegue todo o tipo de apoios, transfere muitos riscos para o Estado e ainda consegue rentabilidades enormes à custa da dívida soberana portuguesa. Por sua vez, verificamos que o urbanismo é um setor onde é possível transformar terrenos agrícolas em urbanizáveis, gerando mais valias em negócios na ordem dos 600 a 700%, só comparável em rentabilidade à atividade do tráfico de droga. Já nas parcerias público-privadas são garantidas aos privados rentabilidades enormes a troco de risco zero”, explica Paulo Morais.

De acordo com o docente, a justiça é ineficaz em matéria de corrupção e os resultados são decepcionantes, uma vez que não há nem condenados, nem presos, nem, como noutros países, recuperação de quaisquer ativos em crimes de corrupção, como no BPN, BPP ou até no BES.

“Confiscar fortunas em casos de corrupção, suspender pagamentos do Estado em contratos irregulares e ilegais e separar completamente a política dos negócios, através de um regime muito restritivo de incompatibilidades, são algumas das medidas que podem ser tomadas para aumentar o combate a este crime”, afirma o docente da UPT.

Na última década, Portugal foi dos países que registou um maior decréscimo numa lista de 173 países, ordenados do menos corrupto ao mais corrupto, descendo de 23º para 33º lugar, fenómeno explicado por casos públicos, como as suspeitas de corrupção na Expo 98, na Ponte Vasco da Gama, no Euro 2004, no BPN, na aquisição de submarinos ou no BES.

De acordo com a análise, em termos de imagem, não há pior para um país do que deter um Estado que não se apresenta como sério, uma vez que, não só o dano reputacional é enorme, como afasta o investimento estrangeiro dos países mais desenvolvidos e atrai o chamado ‘dinheiro sujo’ de todos aqueles que veem em Portugal um local privilegiado para o branqueamento de capitais provenientes de negócios pouco claros, nomeadamente no Terceiro Mundo.

Nesse sentido, e para debater o tema da corrupção, a Universidade Portucalense organiza esta quarta-feira, dia 22 de outubro, pelas 18h00, uma conferência intitulada ‘Medir a corrupção: uma abordagem metodológica’, que terá como orador Paulo Morais, um dos maiores especialistas nesta temática a nível nacional.

A relação entre o conceito de Desenvolvimento, tal como medido pelas Nações Unidas e a Corrupção, tal como medida pela Transparency International, vão estar em debate.

Fonte - UP

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