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Vida

Seminário na Guarda «Crescer para expandir:Oportunidades de negócio e de financiamento à inovação e internacionalização – Angola, Brasil e Cabo Verde»

José Eduardo Carvalho: “Acréscimos de capital deveriam ser considerados como custo dedutível na matéria colectável do IRC”

5 min de leitura

Por Jornal Rostos

De forma a recapitalizar as empresas “os acréscimos de capital deviam ser considerados como custo dedutível na matéria colectável do IRC, ou seja, a chamada remuneração convencionada dos capitais próprios”, defendeu o presidente da AIP, José Eduardo Carvalho, perante os 150 empresários presentes no seminário “Crescer para expandir: Oportunidades de negócio e de financiamento à inovação e internacionalização – Angola, Brasil e Cabo Verde”, que decorreu na Guarda, no dia 11 de Novembro, uma iniciativa da AIP em parceria com o Banco BIC, a SPI e o NERGA e que irá decorrer nas principais cidades do país.

De acordo com José Eduardo Carvalho, “os fundos de capitalização poderão atingir, quando muito, 1500 ou 2000 empresas, enquanto os estímulos fiscais, com as deduções nos acréscimos de capital, atingiriam, de forma mais universal, todo o tecido empresarial”.

O presidente da AIP fez estas afirmações tendo em conta que os empresários que conseguiram sobreviver ao penoso processo de ajustamento “desvalorizaram as condicionantes políticas da competitividade e conseguiram criar uma dinâmica nas empresas que é irreversível e que é a grande esperança” para o país sair da situação em que se encontra.

Para José Eduardo Carvalho, “os fundos estruturais devem centrar-se nas actividades transacionáveis” e defendeu que “é necessário estabelecer três prioridades: a recapitalização das empresas, o seu redimensionamento e o reforço da capacidade exportadora”.

Nesta linha, preconizou que “os fundos estruturais devem privilegiar a implementação de mecanismos de reforço de capitais permanentes através de linhas de empréstimos obrigacionistas agregadas e o acesso a estímulos ou incentivos de internacionalização e de inovação deveria ser condicionado a requisitos de dimensão mínima, o que obrigaria à criação de redes de cooperação, agrupamentos complementares de empresas e fusões”. “É difícil entrar em processos de internacionalização ou fazer grandes investimentos na área da inovação sem haver redimensionamento empresarial”, sustentou.

O presidente da AIP rejeitou que se possa “voltar a um modelo de crescimento assente no crédito e que era sustentado por uma procura interna artificial suportada na dívida” e espera que “a Europa não tolere mais que haja países com défices orçamentais próximos dos dez por cento ou que voltem novamente a estar na ordem do dia estímulos ao investimento e emprego públicos”. “Estamos fartos de ver governos a funcionarem como administradores judiciais, que negligenciam o crescimento e a criação de condições para a competitividade, em detrimento de políticas que só têm a ver com a solvabilidade do Estado”, finalizou.

Luís Mira Amaral: “Os empresários deviam ser incentivados a meter capitais próprios nas empresas sendo isso considerado como um custo fiscal”

Para o presidente executivo do Banco BIC, Luís Mira Amaral, “existe um pequeno grupo de boas empresas, uma boa parte exportadoras, nas quais todos os bancos querem estar, depois temos um grande conjunto de empresas apenas centradas no mercado doméstico, altamente endividadas, que não será a banca comercial que vai apoiar. Terá de haver instrumentos de capitalização para estas empresas ou através de instrumentos a disponibilizar pela nova instituição de desenvolvimento, o chamado banco de fomento ou, em alternativa, serem os empresários a injectar fundos próprios nas empresas, para as recapitalizarem. Fundos esses que seriam considerados um custo de financiamento, com taxa de juro, e portanto pudessem ser assumidos como custo fiscal”.

Em sintonia com José Eduardo Carvalho, o banqueiro defendeu que “os empresários deviam ser incentivados a meter capitais próprios nas empresas, sendo isso considerado como um custo fiscal, logo pagando menos impostos, estimulando assim a recapitalização das mesmas”.

Dando conta que o Banco BIC tem uma captação de recursos que tem crescido a uma taxa muito superior ao crédito que consegue colocar, o banqueiro afirmou que “o crédito que concedemos é a empresas com um binómio qualidade/risco aceitável. Para estas empresas, o Banco BIC dispõe, no total, de mais de 1700 milhões de euros para financiamento”.

António Pedro Tavares, presidente do NERGA, regozijou-se com a oportunidade da discussão sobre financiamento na cidade da Guarda. “É muito difícil estar na Guarda. Todos os instrumentos financeiros que nos possam ajudar são deveras importantes”.

Susana Seabra, da SPI, fez uma apresentação muito objetiva sobre o novo Quadro Comunitário de Apoio e detalhou alguns dos conceitos ligados aos principais instrumentos para os próximos anos: Estratégia Europa 2020, Portugal 2020, Acordo de Parceria, Programas Operacionais e Temáticos e Programas Regionais.

Caso de sucesso: Coficab Portugal

Ainda durante o seminário foi apresentado o caso de sucesso da empresa Coficab Portugal. Integrada no universo do Grupo Elloumi, a Coficab Portugal, uma unidade de produção de fios e cabos para automóveis, com 430 trabalhadores, localizada na Guarda, exporta mais de 90 por cento da produção para mais de trinta países e espera, este ano, atingir 180 milhões de euros de facturação, e no próximo, chegar à barreira dos 200.

A empresa investe, anualmente, dois a três milhões em I &D. Também na cidade da Guarda, a Coficab inaugurou, em junho, um Centro Tecnológico (1500m2) dedicado ao desenvolvimento e inovação.

Fonte - AIP

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